Imóvel milionário vira abrigo de cães em meio a denúncias de abandono
Vizinhos suspeitam que ele seja de ex-protetora animal presa na Capital, hoje em liberdade
Moradores do Itanhangá Park, bairro nobre de Campo Grande, se dizem cansados de denunciar a situação de um imóvel abandonado há mais de um ano. Eles suspeitam de infestação de ratos e de maus-tratos a cães presos lá dentro.
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Moradores do Itanhangá Park, em Campo Grande, denunciam o abandono de um imóvel de luxo na Rua Dona Joana, onde suspeitam de infestação de ratos e de maus-tratos a cães. A propriedade foi comprada em 2022 por R$ 2,1 milhões por uma empresária presa dois anos depois por manter 560 animais em condições insalubres em outro imóvel. Atualmente interditada judicialmente, ela tem o filho como curador, que não quis comentar. A Decat informou que a ocorrência está em andamento.
A propriedade é enorme: ocupa lotes equivalentes a meia quadra da Rua Dona Joana, é cercada por muros altos e tem a construção inacabada de um sobrado. Segundo documento de compra e venda obtido por vizinhos e enviado à reportagem, ela foi adquirida em 2022 por R$ 2,1 milhões. A compradora é uma empresária presa dois anos depois por manter 560 animais em condições insalubres, mas num outro imóvel localizado no Bairro Coronel Antonino.
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A mulher era protetora de animais e mantinha a ONG (Organização Não Governamental) MiaCat, na época. Ela foi solta e está atualmente interditada judicialmente, com a curatela assumida pelo filho. O Campo Grande News o questionou se o imóvel do Itanhangá ainda pertence à família e falou sobre as denúncias de abandono e do tratamento dado aos cães. Por mensagem, ele respondeu que a mãe sofre de transtornos psiquiátricos e que a família ainda enfrenta muitos problemas relacionados, por isso, não quis se manifestar.
Denúncias já feitas - Um dos denunciantes procurou o Direto das Ruas hoje (20) e relatou que os cães choram muito à noite. Ele também afirmou que a vizinhança vê um homem de moto entrando no imóvel para alimentar os animais, mas não todo dia, nem sequer uma vez por semana.
"Aproximadamente uma vez por mês essa pessoa aparece para colocar ração. Fora isso, os cães ficam presos no imóvel, expostos à chuva e ao frio, aparentemente passando fome e sem os cuidados necessários", afirmou. Ele preferiu não se identificar, já que a situação teria motivado brigas entre vizinhos e a proprietária da casa anteriormente.
As denúncias sobre o abandono do imóvel foram feitas a órgãos municipais e os supostos maus-tratos dos cães foram informados à Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista), mas nada mudou. "É uma casa em situação deplorável, tomada por ratos e os animais continuam vivendo nesse ambiente insalubre", reforça o vizinho.
Cães - Em vídeos feitos por vizinhos é possível ver três cachorros circulando na estrutura acabada do sobrado e vindo até o portão de entrada. Eles não sabem dizer quantos animais viveriam presos, no total.

A reportagem perguntou ao delegado Paulo Henrique Sá, titular da Decat, se as denúncias de maus-tratos estão sendo investigadas. Ele afirmou que a ocorrência está em andamento e que há dois procedimentos relatados em nome da empresária e ex-protetora de animais.
"Foi presa em flagrante", ele reforçou. Quanto aos 560 animais apreendidos naquela ocasião, Paulo disse que eles ficaram sob responsabilidade da Subea (Subsecretaria de Bem-Estar Animal).
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