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Capital

Justiça quebra sigilo telefônico de quadrilha que cavou túnel até banco

Pedido foi formulado pela Polícia Civil, que busca identificar dois homens que seriam superiores na hierarquia da quadrilha presa

Por Silvia Frias | 06/01/2020 08:07
Plano foi descoberto no dia 21 de dezembro, com prisão de sete envolvidos, um deles, ferido e levado ao hospital (Foto/Arquivo: Henrique Kawaminami)
Plano foi descoberto no dia 21 de dezembro, com prisão de sete envolvidos, um deles, ferido e levado ao hospital (Foto/Arquivo: Henrique Kawaminami)

A Justiça em Campo Grande autorizou a quebra de sigilo telefônico dos sete presos envolvidos na tentativa de furto a agência do Banco do Brasil, em que um túnel estava sendo cavado até o cofre. A intenção é identificar outros envolvidos no esquema, como dois homens citados como “Barba” e “Véio”.

O pedido foi feito no inquérito da Polícia Civil e citado na denúncia do MPE (Ministério Público Estadual) contra os sete presos: Wellington Luiz dos Santos Junior, 28 anos; Lourinaldo Belisario de Santana, 51 anos; Robson Alves do Nascimento, 50 anos; Gilson Airis da Costa, 43 anos; Eliane Goulart Decursio, 36 anos; Francisco Marcelo Ribeiro, 42 anos e Bruno Oliveira de Souza, 30 anos.

Consta que o acesso aos dados telefônicos seria a única forma de evidenciar as circunstâncias do crime e, ainda, identificar demais envolvidos. Os delegados envolvidos na investigação também solicitaram a coleta de material genético dos presos. O promotor plantonista Rodrigo Yshida Brandão, porém, opinou pelo indeferimento nas duas situações, avaliando que a justificativa de “subsidiar outras investigações” é muito vago.

Mas a juíza do caso, Luciane Buriasco Isquerdo, entendeu a quebra do sigilo telefônico é importante para identificar “Barba” e “Véio”. Segundo a magistrada, “nos aparelhos celulares (...) podem estar inúmeros dados confidenciais da pessoa, conversas, dados bancários, fotos, dentre outros que podem esclarecer a forma de atuação e identidade de todos os envolvidos”.

Sobre o pedido de coleta de material genético, a juíza seguiu o parecer do MPE, indeferiu a solicitação e disse que pode ser reapresentado pela Polícia Civil de forma mais específica.

Denúncia – Segundo investigação policial, Wellington, Lourinaldo, Francisco Marcelo e Bruno Oliveira foram os responsáveis por cavar o túnel, sob supervisão de pessoa identificada como “Barba”, que reportava o andamento do serviço ao “Véio”, seu superior hierárquico. Bruno também seria responsável pelo transporte do dinheiro em um caminhão, caso o plano tivesse seguido.

Gilson Airis, em princípio, foi contratado para cavar túnel, mas, com fobia de ambiente fechado, não conseguiu continuar na atividade e tornou-se cozinheiro do grupo; Robson Alves alugou um dos imóveis usados pela quadrilha, na Rua José Barbosa Rodrigues e “cuidava das despesas da casa”, com dinheiro enviado por “Véio”, sendo auxiliado pela esposa, Eliane.

O grupo foi denunciado pelos crimes de furto qualificado, porte ilegal de arma e formação de quadrilha.

Plano – O grupo estava sendo monitorado há seis meses pela Polícia Civil. O lucro obtido, previsto em cerca de R$ 200 milhões, seria dividido entre nove participantes identificados. No entanto, o plano foi interrompido no sábado, dia 21 de dezembro, quando policiais da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) prenderam sete e mataram dois membros da quadrilha: José Williams Nunes Pereira e Antonio de Melo Leal.

O furto era arquitetado há pelo menos três anos. As investigações apontaram que o esquema já custava R$ 1 milhão, incluindo custo com aluguel, água e luz dos locais utilizados para executar o roubo. Os homens que trabalhavam na escavação recebiam R$ 2 mil por semana pelo trabalho.

Túnel já estava com cerca de 70  metros de extensão e estava próximo ao cofre (Foto/Arquivo: Henrique Kawaminami)
Túnel já estava com cerca de 70 metros de extensão e estava próximo ao cofre (Foto/Arquivo: Henrique Kawaminami)
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