Recicladora alvo de ação do MP promete adequações a moradores após reportagem
Reunião ocorreu depois de matéria do Campo Grande News; empresa afirma que mau cheiro foi fato isolado
Após reportagem do Campo Grande News revelar a rotina de mau cheiro e barulho próximo ao Condomínio Bosque dos Ipês, a empresa de reciclagem Berpram Ambiental procurou os vizinhos e prometeu adotar medidas para conter os impactos no local.
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Segundo o subsíndico do Condomínio Bosque dos Ipês, Mateus Santana, depois da matéria publicada pelo Campo Grande News na última sexta-feira (2), a empresa entrou em contato com os representantes do condomínio para uma conversa, realizada nesta terça-feira (6).
“Foi melhor do que eu esperava. A maioria dos problemas como cheiro e ruído se resolve com uma parede arbórea entre eles e a gente. E ele me prometeu que hoje o pessoal ia plantar essas árvores”, relata o subsíndico.
A visita também teve como finalidade explicar as medidas que a Berpram pretende implementar para a diminuição e mitigação dos fortes odores e ruídos relatados pelos moradores do condomínio, que levaram o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) a acionar a empresa na Justiça.
“Um dos maiores medos dos moradores do condomínio é a exposição prolongada a esses resíduos, e aparentemente não é ruim para nós. Mas ainda precisamos ver como vai ser feito, se vai ser feito e afins”, conta Mateus.
Em nota, a Berpram informou que “está em dia com as demandas levantadas pelo Ministério Público Estadual”. A empresa afirma que os laudos, estudos e análises solicitadas pelo MP já foram elaborados e entregues nos autos, atestando que não há prejuízos ambientais identificados nas instalações da empresa.
Além disso, a Berpram sustenta que os laudos demonstram que as emissões de ruído estão dentro do limite de 55 dB estabelecido para zonas residenciais pela NBR 10151 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
“Os odores mencionados por moradores da região de fato ocorreram, há cerca de três semanas, devido a uma intercorrência durante uma operação, mas foi um fato isolado e prontamente resolvido pela empresa”, completa a nota.
Cheiro de carniça – No dia 2 de outubro, o Campo Grande News mostrou que os 120 moradores do Condomínio Bosque dos Ipês têm convivido com muros altos, janelas seladas e purificadores de ar no interior das residências para tentar amenizar os odores fortes e os ruídos emitidos pela empresa.
Por conta da divisão muro a muro com a indústria, casas localizadas nas proximidades da reciclagem continuam desocupadas. “Muita gente evita a mudança. Há vizinhos que construíram paredes falsas com isolamento em drywall ou ergueram muros enormes para tentar impedir a entrada do cheiro e do barulho”, desabafa o subsíndico.
Os picos de poluição costumam ser mais intensos aos sábados, às segundas e às quartas-feiras.
Fiscalizações da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) e vistorias periciais registraram emissões de ruídos de até 57,1 dB, patamar acima do limite de 55 dB estabelecido para zonas residenciais pela NBR 10151.
Além do barulho fora dos padrões, as inspeções atestaram fumaça densa e odores descritos por técnicos e moradores como semelhantes a carniça, chorume e matéria orgânica em decomposição.
Após inquérito civil, a promotora Luz Marina Borges, da 26ª Promotoria de Meio Ambiente, ajuizou uma ação civil pública contra a empresa pelas irregularidades ambientais cometidas.
A ação exige o isolamento acústico imediato dos galpões, o confinamento de resíduos, a adequação no tratamento de efluentes e a reparação pelos danos morais e ambientais coletivos causados à comunidade.
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