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Capital

Suspeito de vazar operação a delegado é solto após decisão do STJ

Defesa pede retirada da tornozeleira, devolução de R$ 48 mil e restituição de celular apreendido

Por Bruna Marques | 20/10/2026 06:29
Suspeito de vazar operação a delegado é solto após decisão do STJ
Advogado Amilton Ferreira de Almeida na casa do delegado Hoffman D’Ávila durante apreensões do Gaeco (Foto: Osmar Veiga)

O advogado Amilton Ferreira de Almeida foi solto na segunda-feira (19), após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) reconhecer a ilegalidade da prisão temporária e expedir alvará de soltura. A defesa agora pede a retirada da tornozeleira eletrônica, a devolução da fiança de pouco mais de R$ 48 mil e a restituição do celular apreendido durante a investigação sobre o suposto vazamento de informações da Operação Infiltrados.

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O advogado Amilton Ferreira de Almeida foi solto na segunda-feira (19), após o STJ reconhecer a ilegalidade da prisão temporária. Ele havia sido preso em 29 de setembro na Operação Obstructio, sob suspeita de vazar informações da Operação Infiltrados. A defesa pede a retirada da tornozeleira, a devolução da fiança de cerca de R$ 48 mil e do celular apreendido, e nega qualquer vazamento, alegando coincidência na saída antecipada do delegado Hoffman.

A advogada Damares Costa Machado, responsável pela defesa, explicou que o pedido de liberdade havia sido apresentado inicialmente ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), mas foi negado. Diante da decisão, a equipe recorreu ao STJ com um novo habeas corpus, sustentando que a prisão era ilegal.

Segundo Damares, o STJ reconheceu a ilegalidade e expediu o alvará de soltura. No mesmo dia, o juiz responsável pelo processo também revogou a prisão, mas determinou o cumprimento de medidas cautelares, incluindo o pagamento de fiança e o uso de tornozeleira eletrônica. Amilton deixou a prisão por determinação judicial nesta segunda-feira.

A advogada afirmou que a decisão do STJ foi publicada no começo da noite, quando já não havia tempo hábil para que a ordem fosse cumprida. Embora a equipe de monitoramento eletrônico tenha tomado conhecimento da decisão, era necessário que o documento fosse recebido oficialmente.

A defesa já apresentou uma manifestação ao juiz do caso para solicitar a retirada do equipamento eletrônico e a devolução do valor pago como fiança. Sobre o celular apreendido durante as diligências, Damares informou que ainda pretende pedir a restituição. Segundo ela, a defesa entende que, com o reconhecimento da ilegalidade da prisão pelo STJ, o aparelho também deve ser devolvido. Até o momento, porém, o pedido não foi protocolado.

A advogada afirmou que a prioridade é resolver as questões relacionadas às medidas cautelares e aos bens apreendidos. Depois, a defesa concentrará os esforços no processo principal.

Damares também voltou a negar que Amilton tenha vazado informações sigilosas sobre a Operação Infiltrados. Segundo ela, a saída antecipada do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa da própria residência, pouco antes da chegada dos agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), foi uma coincidência. A advogada sustenta que não há provas de que o cliente tenha divulgado informações sobre a operação.

Prisão - Amilton foi preso temporariamente em 29 de setembro, durante a Operação Obstructio, segunda fase da Operação Infiltrados, que investiga um possível vazamento de informações sigilosas sobre a ação contra um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes da segurança pública de Mato Grosso do Sul.

A suspeita surgiu após o delegado Hoffman deixar a residência no bairro Carandá Bosque pouco antes da chegada dos agentes do Gaeco, na manhã de 24 de setembro. Na ocasião, o advogado afirmou que nenhum policial havia avisado o delegado e a saída antecipada havia sido uma coincidência.

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) informou que havia evidências de uma possível comunicação sobre a operação sigilosa, que teria prejudicado a investigação da organização criminosa. Amilton passou a ser investigado por suspeita de obstrução à Justiça.

Na época, Damares afirmou que o advogado havia combinado um café com Hoffman por volta das 5h, horário em que os dois costumavam sair para caminhar. Ela também sustentou que Amilton desconhecia previamente a operação e havia disponibilizado o celular para análise.

A Operação Infiltrados apura a participação de agentes públicos em um esquema no qual parte das drogas apreendidas teria sido omitida dos registros oficiais ou retirada de depósitos de delegacias para ser repassada a traficantes. A investigação começou em outubro de 2025, a partir de elementos das operações Traquetos e Blindspot, e envolve policiais civis, militares e um policial penal.

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