Além de Sonora, facção planejava festa para crianças em outras 2 cidades de MS
Polícia afirma que eventos financiados pelo grupo criminoso buscam atração do público infantil
Além de Sonora, outras duas cidades de Mato Grosso do Sul receberiam festas financiadas pelo Comando Vermelho nesta segunda-feira (12). Conforme a Polícia Civil, os eventos de ação social são uma forma de a facção criminosa aliciar crianças e “construir laços” com a comunidade.
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Em nota divulgada nesta terça-feira (13), a Polícia Civil detalhou a ação do grupo, que aconteceria em Sonora, Pedro Gomes e Coxim. As três cidades ficam na região norte do Estado, fazem divisa com Mato Grosso e têm sido visadas durante o avanço da facção em MS.
Segundo a polícia, em levantamento inicial realizado dias antes do evento, foi identificado o horário e o local em que a “ação social” seria realizada em Pedro Gomes. Também foram identificadas as organizadoras locais e uma liderança externa do Comando Vermelho, responsável por manter contato com elas e com fornecedores.
Antes dessa ação policial, um evento semelhante havia sido interrompido em Sonora. Na ocasião, duas mulheres foram presas e cerca de 200 brinquedos e doces foram apreendidos. “Com o padrão confirmado, os esforços se concentraram em Pedro Gomes”, pontua a nota.
Em Pedro Gomes, duas mulheres foram encontradas montando uma estrutura para distribuição de alimentos. Uma delas já era conhecida pelos policiais e teria sido citada em uma ocorrência anterior por ameaçar vizinhos em nome da facção.
A polícia também verificou que a “ação social” seria financiada por integrantes do Comando Vermelho por meio da conta bancária de uma das investigadas. Policiais também a prenderam em flagrante pelo “crime de favorecimento ao domínio social estruturado, conforme a nova Lei nº 15.358/2026, que prevê pena de 12 a 20 anos de reclusão”, diz a nota.
O relatório da investigação destaca ainda que os aparelhos apreendidos indicavam a participação das suspeitas em grupos ligados à facção. Entre os registros encontrados, estavam conversas com referências diretas ao Comando Vermelho, um grupo de finanças do “projeto Dia das Crianças” e transferências via Pix entre as investigadas.
“As chamadas ‘ações sociais’ promovidas por organizações criminosas fazem parte de uma estratégia deliberada. Ao distribuir benefícios e promover eventos comunitários, a facção tenta se apresentar como protetora da comunidade, criar laços de dependência e se legitimar diante dos moradores. Ao mesmo tempo, procura colocar o Estado e as forças de segurança como adversários da população”, explica trecho da nota.
Uma equipe da Vigilância Sanitária esteve no local para avaliar os alimentos apreendidos. No entanto, não foi possível atestar a segurança dos produtos, pois não havia informações sobre as condições de higiene do local onde foram preparados. Por isso, o material foi considerado impróprio para consumo.
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