Após morte da filha, mãe é investigada por ordenar sequestro de adolescentes
Suspeitos deixaram meninas, de 13 anos, em cárcere sob suspeita de terem colaborado com o Comando Vermelho
Após a morte da filha Kailayne Mirele Esperidião, em meio à guerra entre PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), Vanessa Afonso dos Santos teria ordenado o sequestro de duas adolescentes de 13 anos em Três Lagoas, a cerca de 330 quilômetros de Campo Grande. Segundo a investigação, os suspeitos mantiveram as meninas em cárcere por 4 dias sob suspeita de terem ajudado integrantes do CV a localizar Kailayne.
RESUMO
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Diógenes Costa Davi, o "Dil", apontado pela Polícia Civil como liderança do PCC no Bolsão, é investigado pelo sequestro e tortura de duas adolescentes de 13 anos em Três Lagoas. Elas ficaram quatro dias em cárcere a mando de Vanessa Afonso dos Santos, que as suspeitava de ajudar o Comando Vermelho a localizar sua filha, morta em maio. Diógenes e Vanessa foram presos em 9 de julho. Celulares apreendidos revelaram também negociações de cocaína.
Entre os investigados pelo crime está Diógenes Costa Davi, conhecido como “Dil”, apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças do PCC no Bolsão e envolvido na rebelião histórica do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande.
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Segundo o relatório da investigação, depois da morte de Kailayne, em maio deste ano, Vanessa passou a tentar descobrir quem havia fornecido informações aos integrantes do CV (Comando Vermelho) sobre a localização da filha. A polícia aponta que os executores seriam de fora de Três Lagoas e, por isso, não teriam conhecimento prévio sobre os alvos.
As duas adolescentes foram apontadas como possíveis informantes e acabaram levadas para um imóvel, onde permaneceram por quatro dias. Durante o período, conforme a apuração policial, elas sofreram ameaças de morte e violência psicológica enquanto eram pressionadas a admitir que haviam ajudado o grupo responsável pela execução.
A investigação aponta que Diógenes estava entre os integrantes do PCC envolvidos no episódio. Além dele e de Vanessa, Pheterson Ruan Cintas de Sousa foi identificado como suspeito de participação no sequestro. As meninas, porém, foram libertadas depois que os envolvidos não encontraram provas de que elas haviam colaborado com os responsáveis pela morte de Kailayne.

Presos - A participação passou a ser investigada após a Polícia Civil reunir informações sobre o cárcere e pedir à Justiça a prisão dos suspeitos, além da apreensão dos celulares utilizados por eles. As ordens foram cumpridas em 9 de julho, durante a Operação Janus. Vanessa e Diógenes foram localizados e presos, enquanto Pheterson não foi encontrado e permanece foragido.
Com Diógenes, os policiais apreenderam três celulares. Vanessa estava com outro aparelho. Os equipamentos foram encaminhados para a DIP (Departamento de Inteligência da Polícia Civil), em Campo Grande, onde passaram por tentativa de extração de dados.
O material recuperado trouxe novas informações para a investigação. Embora parte dos aparelhos não tenha permitido a extração completa, os dados disponíveis revelaram conversas, áudios, fotografias e movimentações financeiras que passaram a ser analisadas pelos investigadores.
Negociação de cocaína
Entre as informações encontradas nos aparelhos de Diógenes estão conversas relacionadas à compra e venda de cocaína. Em áudios, ele fala sobre diferentes quantidades de droga, fornecedores e negociações, usando termos como “óleo”, “pó” e “Skank”.
O relatório aponta ainda que, entre 27 de junho e 7 de julho, Diógenes teria realizado transferências que somaram R$ 6,65 mil para um homem identificado como Max, conhecido como “Juninho”. Segundo a investigação, ele seria fornecedor de cocaína para Diógenes revender em Inocência.
Também foram encontradas conversas entre Diógenes e um contato salvo como “VANESSAO DIL”, que os investigadores identificaram como Vanessa. As mensagens, de 8 de julho, incluem fotografias e vídeo de cocaína, além de conversas sobre qualidade, fornecedores e comercialização da droga.
Em determinado momento, Diógenes afirma que poderia vender o produto recebido e menciona o envio de R$ 100. Na sequência, aparece uma transferência para uma chave PIX vinculada a Eliezer Martins de Oliveira, apontado no relatório como fornecedor.
A investigação também identificou diversos pagamentos, em valores inferiores a R$ 600, feitos a Eliezer a partir da conta de Laura Vitória de Almeida Alves. O relatório registra que a jovem não possuía antecedentes criminais e que, até aquele momento, os investigadores não haviam esclarecido a finalidade do uso da conta nas movimentações.
Para a Polícia Civil, o conteúdo extraído dos celulares reforça a suspeita de que Diógenes e Vanessa mantinham negociações envolvendo cocaína. A análise dos aparelhos faz parte da investigação e deve ser confrontada com os demais elementos reunidos no inquérito.
O sequestro das adolescentes está inserido na mesma investigação que apura uma sequência de mortes atribuídas à disputa entre PCC e CV em Três Lagoas. A apuração busca esclarecer não apenas quem participou dos ataques, mas também como as facções passaram a identificar possíveis rivais e informantes dentro da cidade.
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