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Interior

Cigcoe tira família de traficante de área reivindicada por Jamil Name Filho

Por Ângela Kempfer | 10/07/2013 08:59

Desta vez a disputa não envolve índios nem MST (Movimento Sem Terra). Na manhã desta quarta-feira, a Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais) faz em Jardim reintegração de posse em área que pertence ao empresário Jamil Name Filho.

O objeto da briga é a Fazenda Figueira, de 9,5 mil hectares, que já pertenceu ao Reverendo Moon, mas há cerca de 5 anos foi vendida. A avaliação das terras, levando em conta um custo médio de 8 mil por hectare, é de R$ 76 milhões.

Segundo Jamil Name, que é pai do proprietário, do outro lado da ação judicial que provocou a reintegração está o Odacir Antônio Dametto. No site do TJ MS, Dametto tem condenação por tráfico de drogas. O mesmo ocorre na Justiça do Rio de Janeiro.

Dametto também era conhecido como Rei da Soja no Paraguai e morreu de ataque cardíaco em Pedro Juan Caballero,  na fronteira com Mato Grosso do Sul, em maio do ano passado, dentro de um motel.

“É um grupo que comprou mil cabeças de gado e foi ocupando aos poucos a propriedade que é do meu filho”, diz Jamil.

Ele conta que a área foi comprada do advogado Antônio Augusto Coelho, mas quando o filho resolveu entrar na terra, se deparou com a família Dametto no local. “Eles tinham arrendado 200 hectares da associação do reverendo, mas já estão em 3 mil hectares”.

Segundo Jamil Name, documentação falsa garantiu até agora permanência dos Dametto na fazenda. “Eles tem tudo falso. Se você for ao cartório de jardim, lá vai constar como dono o meu filho: Jamil Name Filho”, garante.

A Polícia Militar informa que há, pelo menos, 3 famílias explorando a área. Há gado de corte e de leite no local. Isso seria uma estratégia para conseguir ampliar a ocupação da fazenda, avalia Jamil Name. “Ele (Dametto) conseguiu colocar umas pessoas lá oferecendo mil hectares para cada um.”

A Cigcoe chegou por volta das 6 hora na propriedade para reforçar a equipe da Polícia Militar, que não tem efetivo para a desocupação.

O Campo Grande News tentou falar no escritório dos filhos de Odacir Dametto, mas ninguém atendeu às ligações.

A família Dametto tem relação com a área há mais de 30 anos. Sempre sustentou ter a posse da fazenda Aurora, de 32 mil hectares, que depois foi desmembrada e virou Figueira, conforme registro no Cartório de Jardim.

A terra também é reinvidicada por Rodrigo Fioravante Dametto, de 21 anos, e Renato Fioravante Dametto, de 23, filhos do “Rei da Soja”. A área total tem valor de mercado estimado em R$ 256 milhões e fica entre Bela Vista e Jardim.

Toda a disputa começou na década de 80, quando a área pertencia a um único proprietário.

Depois, o fazendeiro Ivo de Lima se colocou como herdeiro e em janeiro de 2011, firmou contrato com os Dametto pelo valor de R$ 75,7 milhões pela Aurora.

O caso foi parar no STJ e a Justiça considerou que "há notícias sérias de fraudes nas documentações".

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