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Depois de renascer de um infarto, Dani engravidou, mas não sobreviveu à covid

Aos 29 anos, com 2 meses de gestação e 62 Kg mais magra, Danielle não resistiu, mas ainda é inspiração

Por Lucia Morel | 17/04/2021 07:27
Danielle com a filha de 7 anos. (Foto: Arquivo pessoal)
Danielle com a filha de 7 anos. (Foto: Arquivo pessoal)

“Internada, ela pregou, cantava hinos, em nenhum momento ela reclamou de dor. Ela só adorava, agradecia a Deus pela vida”. O relato de Jessé Rodrigo Escobar de Paula, 29 anos é sobre a esposa, Danielle Pereira de Souza Escobar, da mesma idade, levada pela covid-19 no último dia 8 de abril.

Jovem, sem doenças prévias, grávida de dois meses e 62 Kg mais magra sem fazer cirurgia, Dani, como era chamada, venceu um infarto em fevereiro do ano passado, quando estava muito obesa. No último dia 7 de abril, no entanto, ela sabia que ia partir e mandou mensagem para o marido antes de ser intubada, em Corumbá.

“Cuida da nossa filha. Eu estou partindo. Seja fortaleza para ela”. Foi o que ela disse a Jessé no último áudio que ele ouviu da esposa, que também era cantora na igreja. “Ela intubou de terça pra quarta e o que contaram é que ela deu um sorriso tão lindo! Não chorou, não sofreu, ela sorriu”, disse o marido.

Dani, Jessé e a filha. (Foto: Arquivo pessoal)
Dani, Jessé e a filha. (Foto: Arquivo pessoal)

Afirmando ser muito orgulhoso da mulher, por mais de uma vez, Jessé ressaltou também a fé de Danielle e a força de vontade para emagrecer. Com mudanças alimentares e exercício, ela perdeu 62 Kg entre fevereiro de 2020 e este ano. Ela chegou a pesar 144 Kg e estava com 82 Kg.

“Na melhor fase da vida dela”, como ressalta Jessé, Deus a levou. Mais magra, sadia e grávida. Em 8 de março deste ano, exato um mês antes de falecer, Danielle descobriu que estava gestante da segunda filha. O casal já tinha uma menina de 7 anos. “Pra mim, foram duas perdas. Perdi uma filha e minha mulher”, contou o marido, aos prantos.

Recomposto, afirmou que não quer se revoltar e é muito grato pela vida da esposa, mas que acredita que houve demora no atendimento a Danielle. Ele conta que na semana em que ela apresentou os primeiros sintomas, entre 22 e 27 de março, eles buscaram assistência médica três vezes e somente na quarta, depois de muita insistência, fizeram exame de covid.

Daí, ela já internou e não voltou mais. “A gente ia na maternidade e falavam que era gripe, que não podia ser covid. Tomava soro, ela melhorava e ia para casa, mas a febre voltava. Eles não davam solução. Houve negligência”, lamentou Jessé.

Danielle, 62 Kg mais magra. (Foto: Arquivo pessoal)
Danielle, 62 Kg mais magra. (Foto: Arquivo pessoal)

Exame que atestou a doença e internação ocorreu apenas seis dias depois da primeira consulta. Para o marido, no entanto, o tempo que ela ficou no hospital teve um propósito.

“Pela pregação dela no hospital, uma pessoa voltou para Jesus. Ela foi exemplo, mesmo quando debilitada, dolorida, ela foi exemplo. Tenho muito orgulho da minha esposa”, ressaltou, lembrando que por toda força de vontade que tinha, Dani era inspiração para muitas pessoas.

Jessé afirma que agora, o foco dele é a filha, que nem mesmo conseguiu voltar para casa onde moravam. “Ela não quer voltar para lá”, disse, afirmando que conta com ajuda de familiares e irmãos de igreja para tomar conta da pequena.

“Perdi meu sustento, meu apoio. Mas eu não posso parar a minha vida. Eu tenho uma missão maior, que é dar amor, carinho e sustento pra minha filha. Dói muito, mas ela está num lugar bem melhor que a gente. Não sente mais dor, nem aflição”.

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