Dívida com Comando Vermelho teria motivado execução de traficante e namorada
Criminosos vieram do Rio para matar Marcelo Ortiz; polícia identificou suspeito de organizar ataque

Uma dívida elevada relacionada à venda de drogas para integrantes do CV (Comando Vermelho) teria motivado o sequestro e a execução de Marcelo Ruan Lázaro Ortiz, de 26 anos, encontrado morto nesta terça-feira (20), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada de Ponta Porã por uma rua. Fontes policiais apontam que a facção teria ordenado o assassinato e enviado integrantes do Rio de Janeiro para cumprir a determinação.
RESUMO
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A investigação avançou nesta quarta-feira (21), com a identificação do paraguaio Sergio González Giménez, de 30 anos, apontado como possível organizador do ataque que também terminou com a morte da brasileira Carolina Benites Arce, de 27 anos, companheira de Marcelo. Segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color, o suspeito teria oferecido abrigo aos executores e participado da preparação da ação criminosa.
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A hipótese de envolvimento do Comando Vermelho chama a atenção porque Marcelo seria ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital), facção rival do grupo carioca. Sergio, apontado como responsável pela organização do ataque, também seria vinculado ao PCC.
A informação contrasta com a guerra travada pelas duas organizações criminosas em diferentes regiões do Brasil e levanta dúvidas sobre os interesses envolvidos na execução, já que seria fato raro um membro do PCC fornecer drogas aos rivais do CV.
Conforme informações atribuídas a fontes policiais, Marcelo teria acumulado uma dívida de valor elevado em negociações de drogas com integrantes do Comando Vermelho. Diante da falta de pagamento, a facção teria determinado sua execução. A suspeita é de que os responsáveis tenham sido enviados do Rio de Janeiro especificamente para o ataque na fronteira.
Apesar dos indícios, a motivação financeira, o envolvimento das facções e a participação dos criminosos vindos do Rio são tratados como hipóteses investigativas. Não há confirmação oficial sobre o valor da suposta dívida nem sobre a identidade de quem teria determinado a execução.
Suspeito de organizar ataque
A identificação de Sergio González Giménez ocorreu durante as investigações sobre as mortes. Segundo o ABC Color, policiais paraguaios chegaram a uma residência que teria servido de esconderijo para os integrantes do grupo responsável pelo crime.
No imóvel estava Aline Noemí Ramírez Faría, paraguaia de 20 anos, que informou aos investigadores que a casa pertence ao companheiro, Sergio. Ele teria fugido pouco antes da chegada dos policiais.
A suspeita é de que Sergio tenha abrigado os executores durante o fim de semana e levado os criminosos até a residência de Marcelo e Carolina, no Bairro Obrero. Imagens de câmeras de segurança teriam registrado elementos que reforçam a participação dele na organização do ataque.
A Polícia Nacional do Paraguai procura Sergio para esclarecer seu envolvimento. Até o momento, a investigação não confirmou se ele teria agido por determinação de integrantes do Comando Vermelho, apesar da suposta ligação com o PCC.

Três detidos
Outra informação divulgada nesta quarta-feira altera a interpretação inicial das prisões realizadas na tarde de ontem, durante operações policiais em Pedro Juan Caballero.
Os três brasileiros detidos, entre eles um adolescente de 17 anos, não seriam integrantes do grupo que invadiu a residência e executou o casal. Segundo a investigação, eles fariam parte da organização comandada por Marcelo e teriam ligação com o PCC.
Os adultos foram identificados como Diogo Silva Alexandre, de 20 anos, e Pedro Paulo Leite de Jesus, de 25 anos. O primeiro possui ordem de prisão no Brasil por associação criminosa e tráfico de drogas. O segundo tem antecedentes por furto e lesão corporal. Os investigadores apuraram ainda que Marcelo seria responsável pelo aluguel da residência onde os três brasileiros estavam morando.
Execução de Carolina
O crime começou na madrugada de segunda-feira (19), quando homens armados invadiram a residência onde Marcelo vivia com Carolina, na Rua Valois Rivarola, no Bairro Obrero.
Conforme as informações policiais, o alvo principal seria Marcelo, que foi retirado à força do imóvel e levado pelos criminosos. Carolina teria sido executada porque reconheceu um dos participantes da ação (veja o vídeo acima).
A suspeita é de que o reconhecimento tenha levado os invasores a matar a mulher para impedir que ela identificasse o integrante do grupo.
Carolina foi atingida por disparos de fuzil calibre 7,62 e morreu no local. Na residência também estavam a filha dela, de 6 anos, e Geovanne Matheus Rodrigues Martínez, de 28 anos, apontado como secretário de Marcelo. Os dois sobreviveram.
Geovanne foi levado para prestar esclarecimentos à Polícia Nacional do Paraguai. Os investigadores pretendem descobrir por que ele foi poupado pelos criminosos.
Torturado
Marcelo permaneceu desaparecido desde a invasão da residência até a manhã desta terça-feira, quando seu corpo foi encontrado na região da Colônia Potrero Ortiz, nas proximidades da linha internacional com o Brasil.
O homem apresentava sinais de violência e estava com as mãos amarradas. Conforme informações policiais divulgadas pela imprensa paraguaia, os responsáveis teriam submetido Marcelo a sessões de tortura antes de matá-lo com golpes na cabeça e no rosto. Um dos olhos estava colado.
Uma caminhonete Toyota Fortuner, apontada como um dos veículos utilizados no sequestro, foi encontrada incendiada numa estrada de terra entre Pedro Juan Caballero e Zanja Pytá. A suspeita é de que os criminosos tenham destruído o veículo para dificultar a identificação dos participantes da ação. A outra Toyota ainda não foi encontrada.
Marcelo também utilizava documentos paraguaios com o nome Marcelo Juan Ortiz Moura. No Brasil, era considerado foragido por tráfico de drogas e investigado como possível chefe de um grupo de pistoleiros. As autoridades brasileiras o relacionavam a pelo menos dez homicídios registrados nos últimos meses em Ponta Porã.
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