Família diz que indígena torturado em aldeia está vivo e cobra justiça
Jovem de 21 anos se recupera em casa após agressões; polícia já qualificou suspeitos, segundo parentes
Após sofrer agressões atribuídas a integrantes de um grupo de segurança da comunidade na última sexta-feira (5), Marciano Gonçalves Ramires, de 21 anos, está vivo e se recupera em casa, em Amambai, a 351 quilômetros de Campo Grande. Familiares afirmam que o jovem foi espancado depois de ser acusado de furtar e abater uma vaca e cobram punição aos responsáveis.
RESUMO
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Marciano Gonçalves Ramires, de 21 anos, sobreviveu a agressões atribuídas a integrantes de um grupo de segurança da Aldeia Amambai, no município de Amambai, a 351 quilômetros de Campo Grande. O jovem foi espancado após ser acusado de abater uma vaca. Vídeos mostram chutes, golpes de cassetete e uso de equipamento de choque. Familiares relatam que ele vomitou sangue e cobra justiça. A polícia já qualificou suspeitos.
Ao site Ponta Porã News, o pai do jovem afirma que o filho permanece debilitado e recebe cuidados da família. “Quase mataram meu filho e queremos justiça”, declarou.
A informação foi divulgada pela família após a circulação de notícias que apontavam a morte do indígena. Segundo os parentes, Marciano enfrenta dificuldades para caminhar e continua com dores em diversas partes do corpo.
Conforme os familiares, Marciano foi levado pelo grupo após a acusação de ter abatido um animal em uma propriedade localizada nas proximidades da aldeia. Eles afirmam que as agressões ocorreram antes do encaminhamento dele para a Delegacia de Polícia Civil do município.
Depois de deixar a delegacia, Marciano passou por exame de corpo de delito no Hospital Regional de Amambai. Segundo informações citadas pelos familiares, o laudo apontou escoriações. A família, entretanto, sustenta que o quadro de saúde inspira atenção e relata que o rapaz apresentou episódios de vômito com sangue após retornar para casa.
Os parentes também informaram ao jornal do interior que a polícia já qualificou os suspeitos de participação nas agressões. A reportagem optou por não divulgar as identidades porque a investigação continua em andamento.
Na segunda-feira (8), o Campo Grande News publicou reportagem sobre o episódio e encaminhou questionamentos ao MPI (Ministério dos Povos Indígenas) para saber quais providências serão adotadas. Até o momento, não houve manifestação oficial sobre o caso.

