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Interior

Justiça condena empresário por construção de usina hidrelétrica ilegal em APP

Além de pagar R$ 50 mil, fazendeiro terá de recuperar área degradada em Nova Alvorada do Sul

Por Maurício Aguiar | 06/08/2026 16:24
Justiça condena empresário por construção de usina hidrelétrica ilegal em APP
Área da Fazenda Concórdia, próxima ao município de Nova Alvorada do Sul (Foto: Reprodução/Cadastro Rural)

A Justiça condenou o empresário Valdir José Zorzo a pagar R$ 50 mil por danos morais coletivos e a recuperar a vegetação nativa da Fazenda Concórdia, em Nova Alvorada do Sul. O fazendeiro respondeu a uma ação civil pública do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por implantar uma mini usina hidrelétrica e tanques de piscicultura sem licenciamento ambiental no Córrego Taquarussu.

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Empresário Valdir José Zorzo foi condenado pela Justiça a pagar R$ 50 mil por danos morais coletivos e a recuperar a vegetação nativa da Fazenda Concórdia, em Nova Alvorada do Sul (MS), após instalar usina hidrelétrica e tanques de piscicultura sem licença ambiental no Córrego Taquarussu, destruir mata ciliar e plantar eucalipto em área de preservação permanente.

A ação teve origem em um inquérito civil instaurado pelo MPMS. Na época, fiscalizações do Ibama e laudos periciais constataram uma série de irregularidades na propriedade, incluindo a construção sem licença da usina hidrelétrica que, sem manutenção, se rompeu e espalhou entulhos pelo leito do córrego.

Vistorias também identificaram a construção irregular de dois tanques de piscicultura e a destruição da mata ciliar em APP (Área de Preservação Permanente). Para agravar o dano ambiental, a vegetação nativa foi substituída pelo plantio não autorizado de eucalipto, espécie exótica na região.

Antes de recorrer à Justiça, o Ministério Público tentou solucionar a questão extrajudicialmente. O Ministério Público notificou o empresário duas vezes para assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), mas ele não respondeu. Em agosto de 2025, durante o "Mutirão Pauta Verde" do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), as partes fizeram uma nova tentativa de conciliação, mas não chegaram a um acordo.

Como o réu não apresentou defesa e os laudos técnicos já comprovavam a degradação, o juiz Cezar Fidel Volpi, da Vara Única de Nova Alvorada do Sul, decidiu pelo julgamento antecipado do processo.

Além da indenização de R$ 50 mil por danos morais coletivos, a decisão obriga o empresário a apresentar um Prada (Projeto de Recuperação de Área Degradada ou Alterada) ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS) em até 90 dias. O plano para recomposição da APP e mitigação dos estragos da barragem deverá ser executado em até um ano após a aprovação do órgão ambiental, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

A reportagem procurou a defesa do empresário Valdir José Zorzo e o espaço permanece aberto para manifestação.

Avião com ouro – O empresário voltou à cena estadual em 27 de julho, quando uma carga de ouro avaliada em R$ 150 milhões foi apreendida em uma aeronave ligada a Valdir Zorzo no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. O minério estava dividido em quatro malas e totalizou 189,5 kg, segundo pesagem oficial.

Na ocasião, a defesa do empresário informou ao Campo Grande News que não autorizou qualquer prática em desacordo com a legislação vigente e que Valdir Zorzo não estava a bordo durante o voo investigado, bem como determinou uma apuração interna sobre o caso, em colaboração com as autoridades brasileiras e bolivianas.