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Interior

MP investiga apagões de até 6 dias na zona rural de Sonora

Relatório registra 1.726 interrupções na região da MS-213; perícia vai avaliar manutenção do serviço

Por Inara Silva | 22/10/2026 13:08
MP investiga apagões de até 6 dias na zona rural de Sonora
Rede de energia elétrica em área rural de Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação)

As frequentes interrupções de energia em propriedades rurais às margens da MS-213, em Sonora, são alvo de inquérito civil instaurado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Segundo relatos encaminhados pelo Sindicato Rural do município, moradores e produtores chegam a ficar de dois a seis dias à espera do restabelecimento do serviço.

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O Ministerio Publico de Mato Grosso do Sul instaurou inquerito civil para investigar constantes falhas no fornecimento de energia eletrica em propriedades rurais na regiao da rodovia MS 213, no municipio de Sonora. A investigacao apura deficiencias na rede e prejuizos a produtores que chegam a ficar dias sem o servico. A concessionaria argumenta que cumpre metas regulatorias, mas o orgao ministerial avalia a necessidade de melhorias na infraestrutura e de reparacoes aos consumidores afetados.

A investigação, conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Sonora, vai apurar possíveis deficiências na estrutura da rede, descumprimento dos padrões de continuidade do fornecimento e eventual responsabilidade da concessionária pelos prejuízos aos consumidores.

Conforme a representação do sindicato, a falta de eletricidade interrompe o bombeamento de água para as famílias e os rebanhos e compromete a irrigação. Os produtores também relatam perda de alimentos, danos a equipamentos e despesas com combustível para manter geradores em funcionamento.

Durante a apuração preliminar, o MPMS solicitou informações à concessionária e à agência estadual reguladora. Um relatório técnico registrou 1.726 interrupções no fornecimento na região da MS-213 entre janeiro de 2024 e junho de 2025. Entre as causas apontadas estão condições climáticas, problemas de infraestrutura e reparos emergenciais, além de ocorrências sem classificação.

O documento também informou o pagamento de R$ 401.659,36 em compensações a 843 propriedades rurais pelo tempo sem energia acima dos limites regulatórios.

Em resposta ao Ministério Público, a concessionária afirmou ter cumprido as metas globais estabelecidas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A empresa também citou o arquivamento de um procedimento referente ao município de Juti. Para a Promotoria, porém, os indicadores apresentados não afastam a necessidade de investigar as condições relatadas pelos consumidores de Sonora.

O promotor de Justiça substituto Alexandre Cassiano Dorácio Antunes converteu o procedimento preparatório em inquérito civil e requisitou apoio do Nudecon (Núcleo do Direito do Consumidor). A análise técnica deverá examinar os índices de continuidade do serviço e as manutenções da rede.

Conforme o processo, a concessionária foi notificada, e os autos foram encaminhados ao núcleo. O parecer avaliará se as intervenções e os investimentos informados pela empresa atendem às exigências de continuidade e eficiência previstas no Código de Defesa do Consumidor e na Lei das Concessões.

A investigação poderá embasar recomendações, a negociação de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) ou uma ação civil pública para cobrar melhorias na rede e a reparação de eventuais prejuízos. Essas medidas dependerão das conclusões da apuração.

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