Mulher é arrastada pelos cabelos e agredida: "levanta, filha da p***"!
Este ano, MS já registra 16,1 mil casos de violência doméstica e 27 feminicídios
RESUMO
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Uma mulher foi arrastada pelos cabelos e agredida por um homem na madrugada de sexta-feira (9), no Bairro Novo Horizonte, em Rio Verde de Mato Grosso, a 203 quilômetros de Campo Grande. O vídeo mostra testemunhas que não interferem. O agressor, que estaria armado com punhal, fugiu antes da chegada da Polícia Militar, e a vítima não quis registrar ocorrência. Neste ano, Mato Grosso do Sul soma 16.149 casos de violência doméstica e 27 feminicídios.
Puxada pelos cabelos, a mulher é arrastada para o meio da rua por um homem. Aos prantos, não pronuncia nenhuma palavra. Só ouve, enquanto é estapeada. “Levanta (...) você não tava gostosona? Levanta, filha da p***!”.
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O flagrante de agressão foi feito na madrugada de sexta-feira (9) no Bairro Novo Horizonte, em Rio Verde de Mato Grosso, a 203 quilômetros de Campo Grande. As imagens foram enviadas neste fim de semana ao site Rio Verde News.
O vídeo dura menos de um minuto e foi feito por uma das testemunhas que não tentam interferir. Depois de arrastá-la, o homem se abaixa, digita no celular e, em seguida, parece filmar ou tirar uma foto dela. A mulher permanece de cabeça baixa, chorando.
Quem está por perto, comenta a situação. Um homem fala: “Quantas vezes ela cansou de aparecer aqui em casa toda roxa? Larga mão, eles se resolvem para lá, larga mão”. Outra mulher parece perguntar se a agredida está bem. Outra fala: “alguma coisa ela fez para ele ficar assim”.
No final da filmagem, ela dá a mão para o agressor e se levanta, cambaleante.
Segundo site Rio Verde News, o homem estaria armado com punhal. A PM (Polícia Militar) foi acionada, mas o agressor já havia fugido e, segundo apurado, a mulher não quis registrar a ocorrência.
De janeiro até agora, Mato Grosso do Sul registra 16.149 casos de violência doméstica e 27 feminicídios.
A falta de registro das ocorrências é um dos obstáculos ao enfrentamento da violência doméstica. Em entrevista ao Campo Grande News, em junho deste ano, o delegado Marcelo Zago Gomes Ferreira alertou para a subnotificação dos casos e destacou que a maioria das mulheres vítimas de feminicídio analisadas no Distrito Federal não havia procurado a polícia.
O delegado também chamou atenção para a omissão de pessoas que presenciam agressões, situação semelhante à registrada no vídeo de Rio Verde. “Sempre que o vizinho está com sol alto, a pessoa liga para a polícia; agora, quando a mulher está apanhando ninguém liga”, afirmou.
Para Ferreira, o enfrentamento à violência não depende apenas da atuação policial, mas também da participação da sociedade. “Segurança pública não é um problema só da segurança pública. Ela é um dever do estado e um direito e responsabilidade de todos”, declarou.

