Pneu furado do Bope e um tiro vindo da mata: a execução de preso na BR-262
Rubens Zilio Neto foi preso por suspeita de participar de morte de PM e estava sendo transportado para Capital
Rubens Zilio Neto, apontado como um dos envolvidos na morte do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, em Corumbá, foi morto com apenas um tiro, quando voltava do banheiro, em um posto às margens da BR-262, a 430 quilômetros de Campo Grande.
RESUMO
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Rubens Zilio Neto, suspeito de envolvimento na morte do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, em Corumbá, foi morto com um único tiro enquanto era escoltado por agentes do Bope para um presídio em Campo Grande. O disparo partiu de uma área de mata próxima a um posto na BR-262, a 430 quilômetros da capital. O autor do tiro não foi localizado. Everton da Silva Viana, outro suspeito, também morreu em intervenção policial durante buscas na região.
Ele era escoltado por uma equipe do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), que parou no local para trocar um pneu. As informações mais detalhadas constam no boletim de ocorrência ao qual o Campo Grande News teve acesso e mostram como ele morreu, enquanto era levado para um presídio na Capital.
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A primeira informação divulgada sobre a morte de Rubens apontava confronto. No entanto, o boletim de ocorrência registra que ele foi atingido por um tiro vindo de uma área de mata próxima ao posto de combustível, possivelmente disparado por arma longa e de grosso calibre. O documento não esclarece onde Rubens foi atingido. Também não consta se o projétil foi recolhido.
Rubens era transportado por equipes do Bope, de Corumbá para Campo Grande, quando o comboio precisou parar no posto por causa de um pneu murcho em uma das viaturas.
Conforme o registro, durante o trajeto, a equipe percebeu que um dos pneus traseiros da viatura estava murcho. Pela proximidade com o Posto de Combustível Morrinho, o comboio seguiu até o estabelecimento para a manutenção. No local, a viatura foi posicionada na área de calibragem, enquanto o outro veículo oficial parou perto da loja de conveniência.
O motorista da viatura confirmou que o pneu estava furado e que seria necessário fazer a troca pelo estepe. Enquanto ele realizava o procedimento, o comandante e o patrulheiro da outra equipe conduziram Rubens até o banheiro da loja de conveniência.
Segundo o boletim, no momento em que retornavam e aguardavam a conclusão da troca do pneu, os policiais ouviram um estampido característico de disparo de arma de fogo direcionado à equipe policial. O tiro atingiu o custodiado.
Pelo som do disparo, os policiais relataram que ele possivelmente partiu de uma região de mata ao lado do posto. O boletim ainda menciona que, pelo “alto rebento”, estimou-se tratar de arma longa de grosso calibre, informação que, segundo o registro, teria sido constatada depois pela lesão causada na vítima.
Após o disparo, os policiais militares se abrigaram para preservar a própria integridade física, repelir eventual agressão e tentar neutralizar a origem da ameaça. Em seguida, foi acionado apoio de uma terceira equipe.
Com a chegada do reforço, foram iniciadas incursões e buscas na área de mata ao redor do posto de combustível. As buscas, porém, foram suspensas por causa da visibilidade comprometida pelo anoitecer. O autor do disparo não foi localizado.
Rubens morreu no local. O óbito foi constatado pelo médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Também foi ao local um oficial de dia do 6º BPM (Batalhão de Polícia Militar), para adoção dos procedimentos de PJM (Polícia Judiciária Militar). Estiveram ainda no posto o delegado da Polícia Civil e a equipe da Perícia Criminal, para os trabalhos de praxe.
Prestaram apoio na preservação do local e no cerco policial equipes do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), da viatura Protetor e da PRF (Polícia Rodoviária Federal).
Testemunhas que estavam no posto foram qualificadas e as informações foram repassadas às autoridades responsáveis da Polícia Militar e Civil.
Durante as diligências preliminares, foram arrecadadas imagens das câmeras de segurança do Posto Paulista BR, anexadas ao procedimento. Também foi colhido em vídeo o depoimento do gerente do estabelecimento.
Ele declarou que estava no escritório quando ouviu o estampido de um disparo de arma de fogo. Ao sair para verificar, viu policiais correndo e se protegendo. Ainda segundo o depoimento, recebeu ordem dos agentes para voltar ao escritório e se proteger, o que fez imediatamente.
Outras duas testemunhas, funcionárias do estabelecimento, foram qualificadas. Elas estavam no local no momento dos fatos, mas já haviam encerrado o expediente e deixado o posto antes da chegada da equipe da Polícia Civil.
Até o encerramento do registro, os autores não haviam sido localizados.
Morte do soldado - Rubens estava preso desde quarta-feira, após ser capturado por suspeita de envolvimento na morte do soldado Marcelo. O militar foi baleado na noite de terça (30), durante uma perseguição em Corumbá, e morreu após receber atendimento médico.
A investigação aponta que a sequência de crimes começou em Ladário. Por volta das 20h, três homens armados desceram de um Fiat Argo e atiraram contra Renato Conceição do Carmo, conhecido como “Coelho”, quando ele entrava em casa. A vítima conseguiu se proteger dentro de um veículo blindado.
Após o ataque, os ocupantes do Argo fugiram em direção a Corumbá. Uma equipe da Polícia Militar localizou um carro com as mesmas características e tentou fazer a abordagem.
Durante a fuga pela Rua Totico de Medeiros, na região do Bairro Maria Leite, um dos ocupantes disparou contra os policiais. Marcelo foi atingido no tórax, braço e cabeça, perdeu o controle da motocicleta e caiu.
O soldado recebeu socorro, passou por atendimento de emergência e foi levado ao centro cirúrgico, mas morreu em razão dos ferimentos, conforme a reconstrução registrada no processo.
Segundo os autos do processo obtidos pelo Campo Grande News, policiais bolivianos localizaram Rubens e Everton da Silva Viana depois que equipes brasileiras receberam informações de que suspeitos tentavam atravessar a fronteira. A dupla foi entregue às forças de segurança do Brasil.

Depois da captura, Everton teria admitido participação no ataque que matou o policial e apontado Rubens como um dos envolvidos, segundo os autos. O documento também registra a suspeita de vínculo dos dois com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Everton morreu ainda durante as buscas por armas, após uma intervenção policial na Rodovia Ramon Gomes. Na sequência da investigação, equipes apreenderam dois fuzis ou carabinas, um revólver, duas pistolas, munições de vários calibres, rádios comunicadores, distintivos, uma balaclava, celulares e quase um quilo de maconha.
A Polícia Civil também apreendeu o Fiat Argo prata apontado como veículo usado nos ataques.
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