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Interior

Sindicato denuncia coação a enfermeiros na linha de frente contra a covid

Profissionais afirmam que precisam assinar termo para continuar trabalhando mesmo com comorbidades

Por Gabriel Neris | 28/07/2020 17:50
Documento apresentado para assinatura de trabalhadores (Foto: Direto das Ruas)
Documento apresentado para assinatura de trabalhadores (Foto: Direto das Ruas)

Enfermeiros da linha de frente no combate a covid-19 da Santa Casa de Corumbá, distantes 419 km de Campo Grande, estão sofrendo coação e os que sofrem de comorbidades precisam assinar declaração para continuar no trabalho. É o que denuncia o Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul).

De acordo com o sindicato, um documento é entregue aos profissionais para assinatura, declarando que toma “integral ciência” e expressa “por vontade própria o interesse de permanecer no exercício da minha atividade laborativa, assumindo todos os riscos existentes”. Pelo oito profissionais teriam assinado o documento.

Segundo o sindicato, profissionais com doenças de risco, gestantes e acima de 60 anos assinaram o documento. “Com esta medida os gestores tentam retirar a responsabilidade do hospital em caso de falecimentos ocasionados pela covid-19”, afirma o sindicato.

O sindicato lembra que no dia 23 de junho houve a morte de uma técnica de enfermagem, que sofria de hipertensão e diabética.

“Reiteramos as orientações do Ministério Público e solicitamos afastamento imediato dos profissionais com comorbidades. Mas, para indignação da enfermagem nenhuma medida de proteção foi tomada, ao contrário, os profissionais receberam o termo impresso para assinarem a declaração, na tentativa dos gestores se isentarem da responsabilidade da Santa Casa por colocar tantas vidas em risco”, afirma a presidente do sindicato, Helena Delgado.

O sindicato afirma que pelo menos 25 enfermeiros foram afastados de suas funções por coronavírus e que procurou a junta interventora, que administra o hospital, mas não houve respostas, e que o Ministério Público Estadual também foi acionado.

O Campo Grande News procurou o presidente da junta interventora, Eduardo Iunes, irmão do prefeito Marcelo Iunes, mas as chamadas e mensagens não foram respondidas até a publicação da reportagem.