E agora, professor? A educação se rendeu à IA
Se este texto fosse escrito por um jovem, o título seria “E agora, profe”. Há tempos o professor perdeu a última sílaba de sua profissão. Deixou de ser professor, virou um diminuto “profe”. Sinal dos tempos, sinal da preguiça. Foi sincopado, perdeu sílaba. Na medicina, “síncope”, é um desmaio. Também é uma perda. Perda dos sentidos. Mais difícil ainda, será a vida do professor em tempos de IA? Ou não? Procuro pesquisas cientificas, opiniões tem pequena importância, para elucidar esse dilema.
A Inteligência Artificial substitui o esforço.
A primeira pesquisa que encontro foi realizada por “Bastani e coautores” com quase mil estudantes de matemática. Os estudantes que tiveram acesso a uma IA renderam 48% melhor durante os exercícios. Todavia, ao retirarem a IA, obtiveram resultados 17% piores que o grupo de controle sem IA. Conforme essa pesquisa, não há duvida, a IA facilita a tarefa imediata, mas pode também substituir o esforço necessário para aprender, levando o estudante ao insucesso. O problema é evidente. Por que passar 50 minutos fazendo deveres se pode jogar 30 minutos no computador com teus amigos, e estudar tão somente 20 minutos?
A Universidade de Hong Kong conhece a resposta?
A Universidade de Hong Kong seguiu 27.000 estudantes entre 12 e 18 anos na China. Após seis meses os estudantes que usaram IA melhoraram suas notas em 18%. Quando chegaram os exames finais veio a surpresa: os estudantes que usaram IA tiveram resultados 20% abaixo de seus companheiros que não usaram IA.
Os extremamente motivados de Harvard.
Em outro experimento com 194 estudantes de Física de Harvard, os alunos alternaram aprendizagem ativa, feita com professores em sala de aula, com lições em casa, realizadas por um tutor de IA. A aprendizagem foi mais do dobro comparando com os estudantes que não usaram IA. Mas, claro… eram alunos de Harvard. Em um entorno de extremada competição, o efeito da IA se assemelha à época em que surgiu o Google. Para alunos extremamente motivados, uma boa ferramenta expande a fronteira da aprendizagem.
Como testar alunos?
A outra cara da moeda é que a IA também torna mais difícil para os professores extraírem os sinais corretos do esforço dos alunos. Com muito pouco esforço, um mal estudante pode produzir conteúdos, ensaios ou apresentações como se fossem notáveis. A IA, sem dúvida alguma, complica muito a tarefa de avaliar honestamente a aprendizagem real do estudantes.
Aristóteles nos ensina a pensar, mas não pode fazer as tarefas.
O macedônio - e não grego, como pensam, Aristóteles é um dos mais famosos professores da história. Foi ele que ensinou outro macedônio, que recebeu a alcunha de Alexandre o Grande, todos os conhecimentos possíveis nos anos 300 antes de Cristo. A IA é muito mais perfeita para ensinar nossos Alexandres. Tem um trilhão de vezes mais conhecimentos que Aristóteles. Nos ajuda a pensar. Mas não pode fazer nossos deveres! É criminosa a rendição do ensino à IA.
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