O Don Quixote do pão e o Cavaleiro Andante da picanha
Na época de Cervantes, o autor do “O Engenhoso Fidalgo Don Quixote de La Mancha”, a imagem cômica desse cavaleiro lançando-se contra os moinhos de vento, tinha também um fundo politico. Nas classes populares, três quartas partes da dieta eram do trigo que tinha de ser moído nesses moinhos. Como eram monopolizados pelos senhores feudais, estes cobravam um caro tributo pelo uso dessas máquinas de moer. Os donos dos moinhos foram odiados até o pão ser industrializado.
Pão industrializado e carbofobia.
Com o mundo novo da revolução industrial, o pão deixou de patrocinar revoltas e revoluções. Perdeu ainda mais importância no século XXI, com a “carbofobia”, o medo de engordar devido ao consumo de carboidratos. Não não perspectiva de que, algum dia, o pão recupere seu trono perdido. Diversificamos. O pão tornou-se um dos muitos alimentos que ingerimos. O Don Quixote, defensor do pão para todos, perdeu relevância.
A picanha do húngaro.
A picanha não tinha importância até 1.950. Era vendida misturada com a alcatra. Foi nessa época que um húngaro, chamado Lazlo Wessel, começou a vender esse corte, hoje idolatrado, no Bixiga, o famoso bairro italiano de São Paulo. O húngaro descobriu que os alemães que trabalhavam na Volkswagen desejavam um corte diferente da alcatra: o que chamamos picanha. Os alemães traziam em seu cardápio um prato denominado “tafelpitz”, a picanha cozida com maçã, raiz-forte (também conhecida como rábano) e batata.
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