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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017


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    com Manoel Afonso


07/12/2017 15:30

O dedo do PT na Previdência de MS

Manoel Afonso

1-REPAROS Sindicalistas e políticos do PT criticam a postura do Governo Estadual, mas ‘esquecem’ dos fatos ocorridos durante o Governo de Zeca do PT. Veja bem: em 2000 foi extinto o Previsul, transferindo o ativo, passivo patrimonial e pessoal à Secretaria de Administração, com o Governo arcando com o pagamento dos benefícios
naquele ano.

2-REPAROS Em 2001 a Lei Estadual 2.346 autorizou o governo a alienar todos os bens do extinto Previsul e a assistência à saúde foi para a Cassems. Ainda em 2001 foi implantada a reforma da previdência junto com a contribuição para aposentadoria de civis e militares, elevando a alíquota de contribuição do servidor de 6% para 9%.

3-REPAROS A Lei 3.150 em vigor data de 2005, retificou, ratificou e consolidou a Lei 2.207 ( de 2001), ajustou o MSPREV às regras da EC nº 41 e 47, dando condições de compensação pelos poderes e órgãos independentes de necessidades financeiras do MSPREV. Tudo isso no Governo do PT. Se o déficit em 2014 foi de R$800 milhões, a
culpa não é da atual gestão que gastou R$160 milhões com assistência médica só em
2016.

O DISCURSO do PMDB nos tempos do regime militar era ancorado na volta da democracia. Aqui, a sigla também atuou neste sentido. Mas isso é passado, passou. Com o fim do período de exceção colheu dividendos, elegeu governador Wilson B. Martins, parlamentares , prefeitos,disputando o espaço com outros partidos.

PODER Com a derrota do ex-governador Pedro Pedrossian e a vitória de Zeca do PT para o Governo, a polarização passou a ser entre peemedebistas e petistas. Anote-se: a semente foi plantada em 1996 nas eleições da capital com a vitória de André Puccinelli (PMDB) contra Zeca por 411 votos de diferença.

ELEITO e reeleito prefeito de Campo Grande, André firmou-se como a maior liderança anti petista e com esse discurso associado a sua boa gestão chegou ao governo em 2006 derrotando o petista Delcídio do Amaral (senador) com mais de 61% dos votos. Em 2010 André se reelegeu também contra outro petista – Zeca do PT.

NOVA FASE Após tantos anos de poder o PMDB ficou sem a prefeitura de Campo Grande e o Governo Estadual. Os dois poderes mais influentes ficaram em mãos de um ex-deputado ( Marquinhos) que deixou o PMDB por discordar da imposição de André e de ex-aliado tucano ( Reinaldo) dissidente por não ter o apoio na disputa da prefeitura
em 2012. Restou ao PMDB presidir a Assembleia Legislativa e ficar na base do
Governo.

QUE FASE! Como diria o locutor Galvão Bueno: “Pode isso, Arnaldo?” Além das denúncias contra a qualidade das obras (aquário & rodovias) e seus critérios de gastos pelo governador Reinaldo, André foi também atingido pela Lava Jato e acabou preso como alguns cardeais do partido: ex-deputado Eduardo Cunha, ex-ministro Geddel
Vieira e o ex-governador Sergio Cabral (RJ).

QUANTO ao discurso do PMDB, com a paternidade democrática e moralista de Ulysses Guimarães, foi depredado em níveis nacional e estadual. Como defender a boa ética com as práticas duvidosas? O progresso, com obras e benefícios sociais pouco vale sem a lisura. A implosão do Estádio do Maracanã tinha a prioridade igual do aquário da
nossa capital. Suspeitíssimas ‘prioridades’ peemedebistas.

QUESTÕES André seduzirá o prefeito Marquinhos (PSD) afinado com o governador Reinaldo? O ex-prefeito Nelsinho (PTB) tem motivos para ficar distante de André. Quais os reflexos da gestão de Michel Temer à época das eleições? Há riscos de desdobramentos do caso que levou André à prisão? Sem o poder de fogo da prefeitura da capital, do governo estadual e das principais cidades a situação é difícil para o PMDB.

ARREMATE Qual o discurso de André? Como derrotar a bandeira adversária da anticorrupção na campanha? Italiano, aos 70 anos de idade em 2018, André conhece o episódio do Gal. Júlio Cesar que ousou a travessia proibida do rio Rubicão com suas tropas. “Alea jacta est?” Acho que não. O PMDB fadigou junto com André e antes
da derrota tentará compor.

HONESTO Precisam ser levadas a sério as declarações do deputado Tiririca (PR), eleito e reeleito com mais de 1 milhão de votos. Acertou ao dizer que o Congresso trabalha muito e produz muito pouco. Também denunciou o jogo de bastidores e as propostas de tentadoras de dinheiro fácil em algumas votações. Enfim somos ( eleitores)
todos palhaços.

‘BELEZA’ “Precisamos dos profissionais da política”. Essa frase do ministro Gilmar Mendes justifica a postura do seu STF - que até agora não brindou o país com uma condenação sequer do pessoal encurralado na Lava Jato. Anel de brilhante e malas de dinheiro não sensibilizaram aquela corte. 2018 vem aí!

ALELUIA! Torço para que o sonhado acordo de cooperação entre Brasil e Bolívia produza os frutos desejados, reduzindo a criminalidade na fronteira. Senti no Secretário José Carlos Barboza, da Justiça, otimismo em relação ao evento ocorrido em Brasília, com o governador Reinaldo presente. Mas pergunto aos meus botões: até onde o
Governo Boliviano é confiável? Mas tentar é preciso.

ENTENDI... Você já notou? Os petistas pararam com o papo de ‘golpistas’ quando se referem ao pessoal do PMDB? Pois é! É que o PT tende a compor com o PMDB em alguns Estados, entre eles Alagoas, Ceará, Minas Gerais, Pará e Paraná. E pergunta-se: o que o eleitor brasileiro está achando de tudo isso?

‘BICUDOS’ A vice governadora Rose Modesto e o deputado Beto Pereira são os tucanos mais bem cotados para a Câmara Federal em 2018. A primeira, com base eleitoral consistente na capital tem alçado voos ao interior. Já o segundo também não perde tempo e a chance de abraços e sorrisos por onde passa. Ambos são exemplos para
outros pretendentes ao clima seco de Brasília.

BOBAGEM O PDT não deve expulsar o deputado George Takimoto pela sua posição na reforma da previdência. É o parlamentar que todo partido quer ter, pois passa credibilidade. Tem luz própria e faz sua própria campanha no campo minado de Dourados onde é reconhecidamente um médico notável. Seria intriga da oposição.

CAPITAL Um ano desafiador para a administração. Dívidas, obras abandonadas, falta de credito junto aos fornecedores, contas a receber e com nome sujo junto aos órgãos federais, o que travou convênios. Mas ao seu estilo articulado, o prefeito Marquinhos conseguiu superar a pior fase e 2019 promete ser bem melhor. Passa credibilidade.

“Eu não sou Adhemar de Barros, “rouba mas faz. Eu realizei” ( Sergio Cabral)

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