ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
ABRIL, QUINTA  02    CAMPO GRANDE 30º

Direto das Ruas

Pai denuncia vai-e-vem atrás de exame e descaso com mãe e bebê em corredor

Recém-nascido acabou contraindo bronquiolite; família mora em Terenos e foi atendida na Capital

Por Cassia Modena | 02/04/2026 10:51


RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Um recém-nascido de Terenos enfrentou uma peregrinação por exame cardíaco nos primeiros dias de vida em Campo Grande. O bebê, filho do caminhoneiro Washington Breno de Aguiar, nasceu com pés roxos na Santa Casa e precisou de um ecocardiograma não disponível no local. Após idas e vindas ao HRMS, a mãe e o filho ficaram horas sem alimentação num corredor. O bebê contraiu bronquiolite e o pai pretende formalizar denúncia. Os hospitais não se manifestaram.

Os primeiros dias da vida do filho do caminhoneiro Washington Breno de Aguiar, de Terenos, foram marcados pela busca por um exame no coração conseguido só depois de muito vai-e-vem, horas de espera num corredor e uma decisão arriscada. Ele foi atendido em duas instituições da rede pública de Campo Grande: a Santa Casa e o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul). O caso foi relatado ao canal Direto das Ruas.

O menino, hoje (2) completando 17 dias de vida, nasceu no primeiro hospital apresentando pés roxos. A condição precisou ser investigada por um ecocardiograma que não estava disponível na instituição, por isso, foi preciso transferir o bebê junto à mãe para outro hospital.

Rafaela Franco, de 28 anos, teve o parto na Capital porque sua gestação era de risco devido à trombofilia, uma doença grave que leva ao desenvolvimento de coágulos. Enquanto começava a peregrinação pelo exame que o filho precisava, ela se recuperava do sangramento excessivo que teve ao dar luz a ele.

No dia 19 de março, foi informada que precisaria ir com o menino para o HRMS, onde havia vaga para fazer ecocardiograma. Mas precisou retornar à Santa Casa por algum erro no encaminhamento. “Ela já estava ali na ambulância seguindo pela Avenida Ernesto Geisel, quando avisaram que o médico não estava lá para fazer o exame e teriam que voltar”, conta Washington.

Em 20 de março, voltou ao Hospital Regional e lá ficou a manhã toda esperando o exame. Depois que o procedimento foi feito, foi colocada em uma maca no corredor com o recém-nascido.

“Eles ficaram das 10h até às 20h sem comer, com o menino chorando de fome porque o leite materno ainda não tinha descido. Ele estava tomando fórmula e não deram nada”, conta o pai.

A mãe de Rafaela decidiu pedir um carro de aplicativo para levar a filha e o neto de volta para a Santa Casa. Acabaram dando carona para outra mulher e outro recém-nascido que estavam na mesma condição. “Disseram para elas que não era recomendado sair do hospital por conta própria, mas que não poderiam fazer nada”, continua o caminhoneiro.

Na Santa Casa, ficaram sabendo do resultado do ecocardiograma e permaneceram no local até receber alta. “Meu menino está com uma válvula aberta no coração que pode fechar em seis meses, mas teremos que voltar mês que vem para repetir o exame e ir acompanhando até esse período”, detalha pai.

Exposição - A família passou poucos dias com o bebê em casa. Precisou procurar a Santa Casa novamente após ele receber o diagnóstico de bronquiolite.

O pai acredita que o vírus que causa a doença respiratória foi contraído em meio à exposição e desgaste desnecessários que o recém-nascido enfrentou. “Foi o descaso. Ele não deveria ter passado por isso, nem minha esposa. Estamos preocupados, sei que não era o momento de ficar expondo bebês com tantos vírus circulando”, desabafa.

Denúncia - O caminhoneiro diz que pretende formalizar uma denúncia e buscar alguma forma de reparação legal.

Embora não tenha nascido prematuro, o filho ficou mais tempo em hospitais do que em casa. “Era para ter feito esse exame logo e ter voltado para casa em segurança, mas não foi o que aconteceu”, diz o pai.

Posição dos hospitais - A reportagem questionou as assessorias de imprensa da Santa Casa e do HRMS sobre a situação e a dificuldade em oferecer o ecocardiograma com mais agilidade. As instituições não se manifestaram até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.