Campo Grande tem menor índice regional de bares com atrações
Pesquisa da Abrasel traz 246 locais com entretenimento e 364 sem; Capital fica na 21ª posição nacional

Em Campo Grande, bares têm perfis diferentes: há os tradicionais, de balcão e mesas, e os que atraem público com música ao vivo, shows e pista de dança. A convivência desses espaços também aparece nas discussões sobre atividade econômica, fiscalização e sossego da vizinhança e evidencia o perfil da cidade com relação a espaços adultos de lazer.
RESUMO
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Campo Grande tem 246 bares com entretenimento, o menor índice por habitante entre as capitais do Centro-Oeste: 27,4 a cada 100 mil moradores, o que coloca a cidade na 21ª posição entre as 27 capitais, segundo a Abrasel. A Capital soma ainda 364 bares sem entretenimento. Brasília lidera na região, com 42,7, seguida por Goiânia e Cuiabá. Florianópolis lidera o país, com 77,1. O tema também gera debates locais sobre fiscalização e sossego.
Não é para menos. A Capital tem 246 bares com entretenimento, ou 27,4 estabelecimentos a cada 100 mil moradores - a menor proporção entre as capitais do Centro-Oeste. O índice também coloca Campo Grande na 21ª posição entre as 27 capitais brasileiras, atrás apenas de Porto Velho (26,9), Fortaleza (23,5), Manaus (18,1), Recife (18,1), Aracaju (17,6) e Maceió (15,3).
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Outros 364 bares campo-grandenses não têm entretenimento; somadas, as duas categorias chegam a 610 estabelecimentos, segundo levantamento da Abrasel.
Dados encaminhados pela entidade ao Campo Grande News mostram que a Capital também possui 364 bares sem entretenimento. Somadas as duas categorias, são 610 estabelecimentos. Os locais registrados com atrações representam cerca de 40,3% desse total.
No Centro-Oeste, Brasília lidera a proporção de bares com entretenimento, com 42,7 por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Goiânia, com 39,8, e Cuiabá, com 30,9. A pesquisa considera estabelecimentos ativos na base do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), atualizada até julho de 2026, e utiliza a população do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para calcular os índices.
A separação entre os dois tipos de bares segue a atividade principal registrada na CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). A categoria com entretenimento inclui casas com música ao vivo, shows e pista de dança. A outra reúne os bares sem essas atrações, associados ao perfil tradicional de balcão e mesas.
O levantamento, portanto, não representa toda a oferta de lazer noturno da cidade. Restaurantes que funcionam como bares ou oferecem música à noite ficam fora da contagem quando possuem outra atividade principal registrada.
Comparação entre capitais – No ranking nacional, Campo Grande aparece logo abaixo de João Pessoa, que registra 27,8 bares com entretenimento por 100 mil habitantes, e acima de Porto Velho, com 26,9. A Capital também supera Fortaleza, Manaus, Recife, Aracaju e Maceió.
Florianópolis lidera o levantamento, com 77,1 estabelecimentos desse tipo por 100 mil moradores. Belo Horizonte aparece em segundo lugar, com 58,4, seguida por Boa Vista, com 58,0, Vitória, com 55,1, e Palmas, com 54,8.
Quando o recorte considera os bares sem entretenimento, Belo Horizonte mantém a liderança, com 111,9 por 100 mil habitantes. A capital mineira também fica em primeiro lugar na soma das duas categorias, com 3.944 bares e aproximadamente 170 estabelecimentos por 100 mil moradores.
Debate local – Em Campo Grande, o funcionamento de estabelecimentos com música é tema recorrente de discussões sobre fiscalização, atividade econômica e sossego da vizinhança.
Em abril deste ano, Abrasel e Sindha (Sindicato Empresarial de Hospedagem e Alimentação) cobraram orientação da Prefeitura após o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) suspender uma resolução municipal que dispensava licença ambiental para atividades com emissão de som em determinadas situações. Na ocasião, as entidades pediram esclarecimentos sobre a comunicação aos estabelecimentos e os procedimentos para obter a licença.
Os conflitos também envolvem o movimento nas ruas. Em março de 2025, moradores da Rua 13 de Junho relataram dificuldades para dormir devido ao ruído e à aglomeração. Empresários ouvidos pelo Campo Grande News afirmaram cumprir as regras e apontaram a concentração de pessoas fora dos bares como parte do problema.
Já em dezembro de 2024, o Má Donna, na Rua 14 de Julho, suspendeu temporariamente apresentações ao vivo após uma operação policial motivada por denúncias de perturbação do sossego. A fiscalização informou ter identificado ruído acima do permitido, enquanto o empresário contestou as circunstâncias da abordagem e afirmou possuir autorização para música ao vivo.
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