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Economia

MSGás mantém expansão e garante abastecimento apesar da queda nas importações

Companhia amplia rede em Inocência e Dourados e assegura fornecimento de gás no Estado

Por Anderson Viegas | 14/10/2026 13:57
MSGás mantém expansão e garante abastecimento apesar da queda nas importações
Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, diretora-presidente da MSGás, afirma que a queda nas importações de gás natural não ameaça o abastecimento nem compromete os projetos de expansão da companhia em Mato Grosso do Sul (Foto: Osmar Veiga)

A redução do volume de gás natural importado da Bolívia pelo Gasbol (Gasoduto Bolívia-Brasil) não ameaça o abastecimento de Mato Grosso do Sul nem compromete os projetos estratégicos de expansão da MSGás. Entre os principais investimentos da companhia estão a construção de um gasoduto de 125 quilômetros até a fábrica da Arauco, em Inocência, e a ampliação do fornecimento para Dourados, que terá a Seara como cliente âncora.

RESUMO

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A redução do gás boliviano importado pelo Gasbol não ameaça o abastecimento de Mato Grosso do Sul nem os projetos de expansão da MSGás, afirma a diretora-presidente, Cristiane Schmidt. O gasoduto transporta cerca de 13 milhões de metros cúbicos por dia, e o consumo estadual é de 600 mil. A companhia constrói gasoduto de 125 quilômetros até a Arauco, em Inocência, e levará gás a Dourados, com a Seara como cliente. A queda das importações deve reduzir o ICMS de R$ 2,115 bilhões, em 2022, para R$ 933 milhões, em 2026.

A avaliação sobre a segurança do abastecimento é da diretora-presidente da MSGás, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt. Ela explicou ao Campo Grande News que a queda nas importações, responsável pela redução da arrecadação estadual de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o gás natural, não significa falta do combustível para atender aos consumidores sul-mato-grossenses.

A diferença está nos volumes. Enquanto o Gasbol transporta atualmente cerca de 13 milhões de metros cúbicos por dia, o consumo de Mato Grosso do Sul gira em torno de 600 mil metros cúbicos diários, menos de 5% do total transportado pelo gasoduto.

Segundo Cristiane, mesmo com a entrada de novos consumidores industriais, a demanda estadual deverá permanecer abaixo de um milhão de metros cúbicos por dia. "Os clientes da MSGás vão sofrer com isso? Não vão sofrer", afirmou.

Outro fator apontado pela presidente para explicar a segurança do abastecimento é a abertura do mercado de gás natural em Mato Grosso do Sul. No chamado mercado livre, as empresas podem negociar diretamente com fornecedores e contratar a MSGás para distribuir o combustível até suas instalações.

Segundo Cristiane, mais de 90% do consumo dos grandes clientes da companhia já está no mercado livre. A presidente destaca Mato Grosso do Sul entre os estados com maior abertura desse mercado, que permite aos consumidores negociar diretamente a compra do combustível.

Entre as indústrias que já utilizam o modelo estão Suzano e Eldorado Brasil. A expectativa é que Citrel e ADM também migrem para o mercado livre em 2027. A futura operação da Arauco poderá adotar o mesmo sistema.

Para consumidores residenciais, pequenos comércios e indústrias de menor porte, a MSGás continua responsável pela compra e distribuição do combustível no chamado mercado cativo.

Em Mato Grosso do Sul, a regulamentação permite que consumidores industriais com média diária de consumo a partir de mil metros cúbicos migrem para o mercado livre, desde que atendam aos demais requisitos. A regra está prevista na Portaria AGEMS nº 103/2013, atualizada em novembro de 2025. Para o biometano, não há exigência desse consumo mínimo.

Cristiane explica que, para empresas menores, a migração nem sempre é vantajosa, devido à necessidade de administrar contratos de compra, transporte e distribuição.

Para atender ao mercado cativo, a MSGás mantém contrato de fornecimento com a Petrobras até 2034. O volume contratado pode ser ajustado conforme grandes consumidores passam a comprar diretamente de outros fornecedores. A companhia também realiza compras no mercado de curto prazo para atender a aumentos pontuais de demanda.

Projetos estratégicos

Entre os principais investimentos da MSGás está a construção do gasoduto que vai abastecer a fábrica de celulose da Arauco, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. Uma das maiores obras da história da companhia, o empreendimento prevê a implantação de 125 quilômetros de tubulação, conectando o Gasbol, na região de Três Lagoas, à unidade industrial da multinacional chilena.

O projeto amplia a infraestrutura de distribuição de gás natural no Estado e permitirá atender à demanda de um dos maiores empreendimentos industriais em implantação em Mato Grosso do Sul.

Outra frente de expansão é Dourados, segundo maior município do Estado, onde a MSGás prevê iniciar o fornecimento de gás natural no segundo semestre de 2026, com a Seara como cliente âncora. A indústria será responsável pela demanda inicial, criando condições para ampliar o atendimento a outros consumidores da cidade.

Diferentemente de Inocência, onde está sendo construído um gasoduto, o abastecimento inicial de Dourados será realizado por meio de GNC (Gás Natural Comprimido), transportado em caminhões.

O fornecimento deverá começar com aproximadamente 2 mil metros cúbicos por dia, com potencial para alcançar 10 mil metros cúbicos diários em uma etapa posterior.

A chegada a Dourados faz parte da estratégia da MSGás de expandir sua atuação a partir de grandes consumidores industriais, criando condições para atender posteriormente a outras empresas.

Queda nas importações e impacto no ICMS

A redução do volume de gás natural importado da Bolívia tem impacto direto na arrecadação de Mato Grosso do Sul. Como o combustível entra no Brasil por Corumbá, o Estado recolhe ICMS sobre essas operações, mesmo quando o gás é destinado a consumidores de outras regiões do país.

Segundo projeções do Governo do Estado, a receita do imposto deve cair de R$ 2,115 bilhões, registrados em 2022, para R$ 933 milhões em 2026, uma redução de 55,9%. Para 2027, a previsão é de R$ 746 milhões e, em 2028, de R$ 597 milhões. Se confirmada, a queda acumulada em seis anos será de 71,8%.

Cristiane explica que essa arrecadação é destinada ao Tesouro Estadual e não corresponde à receita da MSGás, responsável pela distribuição do combustível aos consumidores locais, em uma atividade regulada pela Agems (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul).

A presidente atribui a redução das importações principalmente à queda da produção boliviana, que, segundo ela, não recebeu investimentos suficientes nos últimos anos para manter os volumes anteriormente exportados ao Brasil.

 Para recuperar o fluxo pelo Gasbol, Cristiane aponta duas alternativas: ampliar os investimentos na produção da Bolívia ou aumentar a importação de gás argentino, especialmente da região de Vaca Muerta. No segundo caso, seriam necessárias obras de infraestrutura para permitir o transporte de volumes maiores em direção ao Brasil.