A pesquisa mostra vantagem. A urna ainda exige respostas

A quatro dias da eleição, a pesquisa Novo Ibrape/Campo Grande News mostra Eduardo Riedel em posição confortável para permanecer no governo de Mato Grosso do Sul. Ele tem 54,5% das intenções de voto na pesquisa estimulada e 65,3% dos votos válidos. Se esse quadro se repetir nas urnas, vencerá no primeiro turno. É uma vantagem expressiva, mas não dispensa o debate sobre o que fará nos próximos quatro anos.
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Riedel cresceu de 50,2% para 54,5% desde a rodada de 13 de setembro. Fábio Trad aparece em segundo, com 14,9%, seguido por Delcídio Amaral, com 6,6%. A oposição chega à reta final distante do governador. Sua tarefa, agora, vai além de pedir uma virada: precisa mostrar ao eleitor o que faria de diferente, quanto custariam suas propostas e como pretende executá-las.
O favoritismo também aumenta a responsabilidade de quem lidera. Governar não pode se resumir a apresentar números de crescimento. É preciso dizer como esse crescimento chegará aos hospitais, às escolas, à segurança e aos municípios que ainda esperam obras e serviços. Uma vitória provável não é um cheque em branco.
A disputa pelo Senado merece atenção especial. Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL, lideram a pesquisa estimulada consolidada, com 26,1% e 24,8% das respostas. Nos votos válidos calculados pelo levantamento, têm 32,7% e 31%, respectivamente. Se o resultado fosse esse, ocupariam as duas vagas. Soraya Thronicke aparece com 9,5%, e Vander Loubet, com 9,2%.
Há, porém, uma diferença entre liderar a pesquisa e ter a eleição resolvida. O segundo voto para senador ainda registra 20,3% de indecisos. E escolher dois representantes para um mandato de oito anos exige mais do que reconhecer nomes ou seguir alianças. O eleitor deve cobrar posições sobre temas que afetam Mato Grosso do Sul: ferrovias, fronteira, orçamento federal, saúde e fiscalização do governo.
O levantamento revela ainda um estado em que as preferências variam conforme o cargo. Na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro tem 48,1% das intenções de voto em Mato Grosso do Sul, contra 31,2% de Lula. Para o governo estadual, Riedel lidera com folga. O eleitor não cabe numa conta simples de transferência de votos entre candidatos. Cada disputa precisa ser examinada pelos seus próprios compromissos.
Pesquisa é uma fotografia tirada entre 23 e 28 de setembro, não o resultado da eleição de domingo. Foram ouvidos mil eleitores em 18 municípios, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os números mostram quem chega à frente. Até a abertura das urnas, cabe aos candidatos fazer o que a campanha tantas vezes evita: responder com clareza o que prometem, quanto custa e quem vai pagar. Cabe ao eleitor decidir se as respostas bastam.

