ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, TERÇA  06    CAMPO GRANDE 19º

Editorial

Eduardo Riedel ganhou nas urnas. Agora precisa enfrentar a conta

Reeleição dá força política para rever despesas, cortar privilégios e preparar os ajustes necessários

Por José Cândido | 06/10/2026 05:02
Eduardo Riedel ganhou nas urnas. Agora precisa enfrentar a conta
Eduardo Riedel durante a campanha: reeleição amplia responsabilidade de enfrentar ajustes e rever gastos da máquina pública. (Foto arquivo)

Reeleito no primeiro turno com mais de 67% dos votos válidos, Eduardo Riedel recebeu uma expressiva demonstração de confiança dos eleitores de Mato Grosso do Sul. Encerrada a disputa, essa força política precisa se transformar em capacidade de enfrentar decisões difíceis. A comemoração tem seu tempo. O planejamento do próximo mandato deve começar agora.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Reeleito no primeiro turno com mais de 67% dos votos válidos, Eduardo Riedel deve usar a força política obtida para enfrentar decisões difíceis em Mato Grosso do Sul. O texto defende revisão da folha de pagamento, dos penduricalhos, dos cargos comissionados e dos contratos, começando pelo comando do governo. Propõe avaliar incentivos fiscais, reduzir entraves e garantir transparência na Assembleia, preservando saúde, educação e segurança.

O governo tem pela frente uma tarefa que exige disposição para contrariar interesses: revisar o custo da máquina pública, ajustar despesas e recuperar espaço no orçamento para atender à população. Folha de pagamento, benefícios adicionais, cargos comissionados, contratos e estruturas administrativas precisam passar por uma avaliação rigorosa. Cada gasto deve ser justificado pela necessidade, pelo resultado e pela capacidade de o Estado sustentá-lo.

Medidas dessa natureza costumam ser empurradas para depois. Perto da eleição, governantes evitam desagradar categorias organizadas, aliados e grupos com influência. O problema é que o adiamento também tem custo. A despesa continua crescendo, compromete receitas futuras e estreita as possibilidades de investimento. Quem paga essa conta é o cidadão, inclusive aquele que depende exclusivamente dos serviços públicos.

O início de um novo ciclo político oferece a oportunidade de enfrentar essas questões. Riedel já está no governo, conhece a estrutura que administra e pode usar os meses restantes do atual mandato para preparar diagnósticos, definir prioridades e organizar os projetos que precisarão passar pela Assembleia Legislativa. Não há razão para chegar ao próximo mandato ainda discutindo por onde começar.

A revisão da folha deve fazer parte desse trabalho. É preciso examinar gratificações, adicionais e os chamados penduricalhos, identificar distorções e propor mudanças com critérios claros e respeito aos direitos assegurados. Valorizar o servidor que trabalha e entrega resultados também exige impedir que vantagens sem justificativa consumam recursos que poderiam melhorar as condições de atendimento à população.

O ajuste precisa começar pelo próprio comando do governo. Secretarias, cargos de confiança, assessorias e despesas de gabinete devem entrar na mesma análise. Cobrar contenção de quem está na ponta enquanto se preservam acomodações políticas no alto da estrutura enfraquece qualquer proposta de reforma.

Também é necessário revisar contratos, compras e programas. Há despesas que se repetem por hábito, estruturas que perderam a função e iniciativas cuja continuidade nunca é confrontada com seus resultados. Cortar gastos exige saber onde há desperdício. Uma redução feita às cegas pode comprometer serviços e manter intactos os privilégios.

Na economia, o governo deve preparar uma agenda que combine equilíbrio das contas com condições para produzir, investir e gerar empregos. Isso inclui avaliar os resultados dos incentivos concedidos, reduzir entraves administrativos e estabelecer prioridades para os investimentos públicos. Benefícios fiscais precisam ser acompanhados de contrapartidas verificáveis. O Estado deve conseguir demonstrar o que a população recebe em troca da receita de que abre mão.

A Assembleia Legislativa terá responsabilidade nesse processo. Projetos relevantes precisam chegar acompanhados de números, estimativas de economia e explicações sobre seus efeitos. Cabe aos deputados discutir, fiscalizar e aperfeiçoar as propostas. A pressa necessária para enfrentar problemas não dispensa transparência nem debate.

Medidas duras precisam ter propósito. Preservar saúde, educação, segurança e infraestrutura deve orientar o ajuste. A população precisa compreender quanto será economizado, quais despesas serão revistas e como essa economia poderá melhorar os serviços. Sem essa explicação, o governo apenas pede sacrifícios e deixa dúvidas sobre quem será beneficiado.

A votação expressiva aumenta a responsabilidade de Riedel. Ele recebeu força política para governar e terá de decidir como usá-la. O momento de enfrentar excessos, rever privilégios e preparar mudanças é agora, enquanto a eleição terminou e a próxima ainda está distante. Quando o calendário eleitoral voltar a pesar, as justificativas para adiar também voltarão. Mato Grosso do Sul não deve esperar mais quatro anos por decisões que já podem começar a ser tomadas.