Aldeia inaugura casa de reza durante festival de música indígena em MS
Evento em Dourados reúne cantos, danças, oficinas e apresentações culturais até sábado (17)
Uma nova casa de reza será inaugurada nesta sexta-feira (16), na aldeia Panambizinho, em Dourados, durante o Festival de Música Indígena. O espaço, construído pelo povo Guarani Kaiowá, será usado para manter vivas as tradições, os cantos, as danças e os ensinamentos passados de geração em geração.
A inauguração faz parte da quinta edição do festival, que começou nesta quinta-feira (15) e segue até sábado (17), com oficinas, rodas de conversa e apresentações culturais.
Chamada de Ongusu, a nova casa de reza é um lugar sagrado para os Guarani Kaiowá. É onde os mais velhos compartilham seus conhecimentos com os jovens, realizam cerimônias religiosas e mantêm vivas as tradições da comunidade.
A construção também tem um significado especial diante dos ataques sofridos por espaços religiosos indígenas em Mato Grosso do Sul. Em 2024, casas de reza foram destruídas por incêndios em Caarapó e Japorã. Em agosto de 2025, outro incêndio atingiu uma casa de reza na Reserva Indígena de Dourados. O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal, sob suspeita de ação criminosa.
Além da inauguração, o festival abre espaço para artistas indígenas mostrarem seus trabalhos e compartilharem conhecimentos com o público.
“Como mulher indígena Guarani Kaiowá, digo que o Festival de Música Indígena é muito importante, porque fortalece os artistas indígenas, que muitas vezes não são valorizados lá fora. Nossa programação veio exatamente para que os artistas indígenas se sintam acolhidos e valorizados pela comunidade”, afirma Cris Lossate Kaiowá, que também coordena as oficinas.
A programação começou nesta quinta-feira com atividades de artesanato, pinturas corporais, vestimentas tradicionais, construção com taquara e produção audiovisual. Às 16h, está prevista a apresentação da peça infantil Luma e a Estrela Mágica, do Itan Grupo de Teatro.
Na sexta-feira (16), as atividades começam às 8h, com um plantio coletivo. Às 13h30, será inaugurada a Casa de Reza Ongusu, com a participação das lideranças espirituais Ñanderu Nivaldo e Nhandesi Feneida.
O evento é realizado em parceria com o Espaço de Cultura e Arte Casulo. Segundo a coordenadora Julia Aissa, o festival também recebe indígenas de outras comunidades.
“A parceria é essencial para construir pontes entre diferentes realidades e ampliar o reconhecimento das culturas originárias. Além disso, as ações contam com a participação de mais de 300 indígenas de outras comunidades que vieram de ônibus [caravanas] para participar”, destaca.
No sábado (17), a programação continua com rodas de conversa, das 13h30 às 17h30. Entre os assuntos estão os direitos das comunidades indígenas de serem consultadas sobre decisões que afetam seus territórios e o trabalho de registro e preservação das línguas e tradições.
As conversas terão a participação de representantes do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), pesquisadores indígenas, integrantes do Casulo e do professor Sebastian, da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).
Para Aline Di Salvo, chefe da Divisão Técnica do Iphan em MS, iniciativas como essa ajudam a preservar a história e a cultura dos povos indígenas.
“Vamos participar do festival como convidados para este momento de celebração. E o festival conta com o trabalho do Casulo, que possui um papel fundamental na proteção e difusão do patrimônio cultural no Estado de Mato Grosso do Sul”, afirma.
O encerramento será no Espaço Cultural Tembólo, a partir das 19h, com uma noite dedicada à música. A cantora Rozelaine Souza Guarani sobe ao palco às 21h, seguida pelo DJ Jhones, às 23h.
“O Festival de Música Indígena é muito importante porque fortalece nossa cultura, valoriza nossos artistas e mantém vivos nossos cantos, nossa língua e nossos conhecimentos ancestrais. É um espaço para mostrar ao mundo que nossa música é identidade e a voz dos nossos povos indígenas”, afirma Rozelaine.
O festival conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. A iniciativa também recebe apoio da UFGD, UEMS, ADUEMS, Funai e Escola Municipal Indígena Pai Chiquito.
Programação
- Quinta-feira (15): Oficinas de saberes tradicionais, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30. Teatro Luma e a Estrela Mágica, às 16h.
- Sexta-feira (16): Plantio coletivo, às 8h, e inauguração da Casa de Reza Ongusu, às 13h30.
- Sábado (17): Rodas de conversa, das 13h30 às 17h30. Noite Cultural, a partir das 19h, com show de Rozelaine Souza Guarani, às 21h, e DJ Jhones, às 23h.
Mais informações no Instagram @casulodourados.
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