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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

10/03/2017 06:15

Casa cheia de verde é recanto em bairro que cada vez mais se enche de prédios

Thailla Torres
Fachada verde que ''abraça''casa se destaca do lado de fora. (Foto: Marcos Ermínio)Fachada verde que ''abraça''casa se destaca do lado de fora. (Foto: Marcos Ermínio)

A casa é ampla e confortável, criada para uma uma família que gosta de viver cercada pela natureza, mesmo dentro da cidade. Na Rua Pedro Celestino, em endereço onde tudo em volta são prédios comerciais, a casa de seu João Hélio chama atenção pelo verde da fachada. 

Quem mora ali é João Hélio Notarangelli, de 85 anos, junto da família. Todos os dias, ele senta em frente de casa para aproveitar o verde que abraça a residência, na companhia da cadela Mel, uma São Bernardo que arranca suspiros de quem passa pela rua.

A casa foi construída por ele em 1980, depois de ganhar o terreno de presente do sogro, de família árabe que era dona de quase três quarteirões do bairro São Francisco.

João é morador do bairro São Francisco desde a infância. João é morador do bairro São Francisco desde a infância.

Ele conta que hoje não tem mais vizinhos e com a transformação do bairro, a casa acabou virando o recanto, com a integração do verde à fachada. "Eu gosto de ficar aqui, depois que me aposentei então, sentar ali na frente é o nosso descanso", conta.

A família plantou a trepadeira Falsa Vinha que foi subindo pelos muros até chegar na frente da casa. Em pouco menos de um ano, além da planta, as samambaias deram outra vida ao ambiente. 

"Aqui, no fim de tarde enche de borboletas. Vemos araras e é como se a gente conseguisse trazer um pouquinho da natureza aqui para dentro".

A casa tem um ar antigo, escolha da esposa, quando ainda era viva. "No projeto, eu queria janelas quadradas, mas ela mandou mudar tudo, porque queria redonda. A casa tem só 37 anos, mas somos a única família a morar aqui", diz.

Apaixonado por Mato Grosso do Sul, João conta que chegou de São Paulo com a família quando era criança. "Meu pai era responsável pela pedreira aqui no São Francisco. Nesse bairro só tinha fazendas e eu comecei a trabalhar na região quando tinha 13 anos", recorda.

Verde nas janelas. Verde nas janelas.
Detalhe das samambaias. Detalhe das samambaias.

De família italiana, João conta que se casou com Badina Abrão. "A gente se conheceu quando eramos pequenos, eu ainda era amigo do irmão dela e quando casamos, ganhamos esse terreno do meu sogro onde decidimos morar para sempre".

Sem nunca ter mudado do São Francisco, aos poucos João lembra de como foi ficando sem vizinhos. "Nessa quadra em que moramos, não há nenhuma residência e só tem clinicas. A gente acabou ficando e por isso quem passa aqui sempre observa a casa", diz. 

Todo dia é a mesma cena, quem passa na rua, vê João sentado na cadeira de fios, observando o movimento ao lado da companheira Mel. "Me aposentei com 60 anos depois de trabalhar muito tempo sem nenhum dia de folga, nem me ausentava para tratamento médico", lembra.

Se João pudesse, diz que moraria no meio do mato, beleza que sempre o atraiu dentro do estado. "Eu passei a vida trabalhando e viajando por esse País, mas eu só me sentia bem quando chegava perto do Mato Grosso do Sul". 

Na casa que começa a ser abraçada pelo verde, João e a família espera ver toda a residência tomada pelas folhas. "Começamos com o muro verde e depois ela foi subindo para a fachada, agora ela começa ir para os cantos. Daqui uns dias tem verde pela casa toda".

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João na companhia da cadela Mel da raça São Bernardo. João na companhia da cadela Mel da raça São Bernardo.


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