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Artes

De Dourados ao Japão, Mariana Matsui leva música brasileira ao mundo

Mariana Matsui lança primeiro álbum com participações de grandes nomes da cena artística nacional e japonesa

Por Clayton Neves | 22/10/2026 07:53

Aos 4 anos, Mariana Matsui já demonstrava interesse pela música em Dourados. Foi em Mato Grosso do Sul que a cantora começou a dar os primeiros passos na carreira que, anos depois, também seria conhecida do outro lado do mundo. Neste mês, a artista sul-mato-grossense lança seu primeiro álbum, pela gravadora japonesa Rambling Records, com nove faixas que unem a música brasileira às suas raízes asiáticas.

Neta de japoneses, Mariana cresceu em uma família que preservava as tradições do país asiático. A avó materna, Tetsuko, chegou ao Brasil aos 17 anos e se tornou uma presença importante na comunidade japonesa de Dourados. Vizinha da cantora durante a infância, ela também foi responsável por aproximá-la da cultura e da música do Japão.

“Eu lembro muito com muita clareza da minha infância, até a minha pré-adolescência”, conta Mariana, que viveu em Dourados até os 13 ou 14 anos. As reuniões de domingo com a família, as idas à fazenda e a convivência no Clube Nipônico estão entre as lembranças que guarda da cidade.

De Dourados ao Japão, Mariana Matsui leva música brasileira ao mundo
Nascida em Dourados, Mariana Matsui viveu em Mato Grosso do Sul até a adolescência. (Foto: Divulgação)

O interesse pelo canto surgiu ainda na primeira infância, quando sua mãe percebeu que ela gostava de cantar. Aos 8 anos, Mariana começou a fazer aulas de canto em Dourados, onde também teve contato com o balé. Mais tarde, mudou-se para São Paulo (SP) para concluir os estudos e dar continuidade à formação artística.

Embora tenha deixado Mato Grosso do Sul para seguir a carreira, ela mantém os vínculos com o Estado, onde ainda vive boa parte da família.

Duas culturas - Em 2021, Mariana se mudou para o Japão, onde viveu por alguns anos. A experiência fortaleceu sua relação com a cultura japonesa e abriu novas possibilidades para a carreira. Desde que retornou ao Brasil, a cantora mantém uma rotina de viagens ao país para apresentações e projetos musicais. “Eu adoro poder fazer essa ponte entre Brasil e Japão”, afirma.

Essa conexão também passou pela compreensão da própria identidade. Durante muito tempo, Mariana sentiu dificuldade para encontrar seu lugar entre as duas culturas. A experiência de morar no Japão ajudou a transformar essa percepção e a reconhecer a riqueza de sua formação multicultural.

“Eu demorei muito tempo para entender, para me achar. Aí eu falava: ‘Não, mas eu não me encaixo em nenhum lugar’. Eu sou eu”, diz. Essa mistura de referências se reflete no primeiro álbum da artista, que combina composições autorais e releituras em um repertório que transita pela MPB, bossa nova, jazz e soul.

De Dourados ao Japão, Mariana Matsui leva música brasileira ao mundo
Em 2021, a artista foi morar no Japão, experiência que fortaleceu sua relação com as próprias raízes. (Foto: Divulgação)

Álbum reúne grandes nomes da música brasileira e japonesa - Batizado com o próprio nome, Mariana Matsui chega às plataformas digitais em 28 de outubro de 2026. O disco reúne nove faixas e participações de Marcos Valle, Lisa Ono, Jaques Morelenbaum e Takuya Kuroda. A produção é assinada por Big Rabello, com colaboração do pianista e arranjador Salomão Soares.

Entre as músicas autorais estão “Olhos Morenos”, “Abençoa”, “Somewhere” e “Lullaby”. Mariana também assina “Oxum (Tua Filha)” em parceria com Saulo Fernandes e Renato Iwai. O repertório inclui ainda releituras de “Fotografia”, de Antonio Carlos Jobim, e duas canções japonesas: “Kawa no nagare no yō ni” e “Manatsu no kajitsu”.

Um dos destaques é “Mentira”, composição de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle lançada em 1973, que ganha novos arranjos com a participação do próprio Marcos Valle. Outra faixa especial é “Kawa no nagare no yō ni”, clássico japonês eternizado na voz de Hibari Misora, que recebe uma versão com influências de bossa nova e jazz e participação de Lisa Ono. A música foi escolhida como primeiro single do álbum.

“É uma música que todo filho e neto de japonês conhece. Ela me remete à infância, à família, às colônias, à convivência entre avós, filhos e netos”, afirma Mariana.

De Dourados ao Japão, Mariana Matsui leva música brasileira ao mundo
Álbum da artista chega às lojas japonesas em 18 de novembro. (Foto: Divulgação)

O disco também guarda uma história pessoal em “Lullaby”, composta após a cantora descobrir que estava grávida do primeiro filho. Para a gravação, Jaques Morelenbaum participou de uma sessão ao vivo com Salomão Soares, registrada em um único take.

Lançamento físico e shows no Japão

Além da estreia nas plataformas digitais, o álbum terá edições em CD e vinil. O CD chega às lojas físicas japonesas em 18 de novembro, com distribuição em estabelecimentos de Tóquio. Para Mariana, o formato tem importância especial no país, onde os discos físicos continuam valorizados como parte da experiência musical.

A agenda de lançamento inclui apresentações no Japão. Em 3 de novembro, a cantora participa do Bossa Aoyama, em Tóquio, evento com apoio da Embaixada do Brasil. No dia 6, apresenta-se ao lado do artista de ikebana Ryota Hagiwara. Em 8 de novembro, integra a programação do Local Green Festival, em Yokohama. Já no dia 16, fará um show de lançamento para convidados na Soho House Tokyo.

De Dourados ao Japão, Mariana Matsui leva música brasileira ao mundo
Antes de ganhar os palcos internacionais, Mariana iniciou sua formação artística em Dourados, com aulas de canto. (Foto: Divulgação)

O trabalho internacional de Mariana inclui apresentações em Lisboa, Osaka e Tóquio, além de passagens pelo Blue Note São Paulo, Billboard Live Tokyo e Blue Note Tokyo. Em setembro de 2025, ela se apresentou na Expo 2025 Osaka, no Pavilhão da França. Em 2023, lançou “REZA”, que alcançou o primeiro lugar na parada de R&B/Soul do iTunes na Holanda, e “Signs”, com participação de Shing02.

Após o lançamento no Japão, a cantora pretende apresentar o novo trabalho também no Brasil, com planos de shows em São Paulo, no interior paulista e no Rio de Janeiro. Voltar a Mato Grosso do Sul para mostrar essa nova fase ao público de sua terra natal também está entre seus desejos.

A cantora diz que não imaginava que a música a levaria tão longe. Hoje, vê na carreira a oportunidade de aproximar culturas, reencontrar suas origens e compartilhar a música brasileira com novos públicos. “Eu me sinto muito feliz de poder trazer a nossa música para cá, trazer a música para o público do Brasil e mostrar”, afirma.

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