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Artes

Elaine aprendeu crochê aos 7 anos e hoje espalha o Pantanal pelo mundo

Encontro em Bataguassu busca ampliar oportunidades para quem vive do artesanato

Por Thailla Torres | 19/10/2026 08:30
Elaine aprendeu crochê aos 7 anos e hoje espalha o Pantanal pelo mundo
Jacarés e arraias feitos de crochê mostram como a fauna do Pantanal inspira o trabalho dos artesãos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi aos 7 anos que Elaine Cristina Guarnieri Martins ganhou uma agulha de crochê da tia Neusa. Na época, ela nem imaginava que, quase 40 anos depois, aquele aprendizado se transformaria em fonte de renda. Hoje, aos 46 anos, suas mãos dão vida a capivaras, araras, tucanos e onças-pintadas feitas de crochê, que já chegaram a outros estados e até fora do Brasil.

Moradora de Nova Porto XV, distrito de Bataguassu, Elaine é uma das cerca de 100 pessoas esperadas no Encontro Regional de Artesanato, marcado para quinta-feira (22), das 9h às 16h, no Centro de Eventos João Leme. A proposta é reunir artesãos de 11 municípios de Mato Grosso do Sul para trocar experiências, divulgar seus trabalhos e, principalmente, encontrar novas oportunidades de venda.

Presidente da Associação dos Artesãos da Nova Porto XV, Elaine conta que sua relação com o artesanato começou na infância. Além do crochê, aprendeu bordado, pintura e fuxico na escola. Por um tempo, deixou as agulhas de lado, mas retomou o trabalho há cerca de dez anos, produzindo tapetes, bolsas e roupas.

Foi quando descobriu o amigurumi, técnica japonesa de criar bonecos de crochê. A paixão ganhou ainda mais força depois de um desafio feito pelo designer Renato Imbroisi, que incentivou a produção de animais do Pantanal.

"O artesanato hoje representa uma conquista na minha vida. É algo que eu sempre gostei de fazer, mas antes fazia só por fazer. Hoje virou uma renda. Ainda é um complemento, mas eu creio que vai virar a principal e que vou poder viver só do meu artesanato", conta.

Na associação presidida por Elaine, que reúne cerca de 25 artesãos, a atividade já é a principal fonte de renda da maioria dos integrantes. Entre os materiais utilizados estão a argila retirada na própria região de Nova Porto XV, a madeira e as linhas de crochê.

"Quem encontra as nossas peças consegue enxergar nos detalhes a história de cada uma, o trabalho, o capricho", diz Elaine.

Mas, se produzir é algo que os artesãos dominam, vender ainda é um desafio. Segundo Elaine, as maiores dificuldades estão em divulgar os produtos, encontrar compradores e estabelecer preços que valorizem o trabalho.

"A minha maior dificuldade hoje é a divulgação", afirma.

Para ajudar a mudar essa realidade, os artesãos vêm participando de capacitações com apoio da MS Florestal e do Sebrae. O encontro regional será mais uma oportunidade de colocar em prática o que aprenderam.

Elaine aprendeu crochê aos 7 anos e hoje espalha o Pantanal pelo mundo
Bolsas coloridas, flores de tecido e peças bordadas mostram a diversidade do artesanato produzido na região.

Encontro para abrir portas para artesãos 

Com o tema "Mãos que conectam, arte que gera oportunidades", o evento terá um talk show às 9h, uma palestra às 11h e uma sessão de negócios a partir das 14h. A ideia é aproximar quem produz de possíveis compradores e incentivar o artesanato como atividade econômica.

Um dos convidados é o artesão Marco Aurélio Pulcherio, conhecido como Marco 500, que atua há 30 anos com iniciativas voltadas ao design e ao artesanato brasileiro.

Para Elaine, a sessão de negócios é um dos momentos mais aguardados.

"Espero que a gente tenha bons negócios, boas vendas, bons contatos e muito aprendizado. Já tive contato com feiras e com compradores de fora, mas não uma experiência grande como essa", diz.

A artesã também espera que a participação ajude a dar mais visibilidade ao trabalho realizado no distrito.

"É um apoio muito importante para todos os artesãos de Nova Porto XV poder mostrar o seu trabalho para uma parte do mundo."

Segundo Edvaldo Araujo, analista de Responsabilidade Social da MS Florestal, a proposta é fazer com que o reconhecimento do artesanato também se transforme em renda.

"O artesanato é uma profissão nobre, que carrega a cultura e a identidade de um território. Queremos que as peças feitas aqui sejam reconhecidas pelo valor que têm e que esse reconhecimento se transforme em renda para as famílias da região", afirma.

Ele destaca que o impacto vai além de quem produz as peças.

"Quando uma artesã consegue vender melhor o que produz, ela fortalece a própria casa, inspira outras pessoas e movimenta a economia local. É esse ciclo que queremos estimular."

Além de Bataguassu, o encontro terá representantes de Água Clara, Aparecida do Taboado, Brasilândia, Cassilândia, Inocência, Paranaíba, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Três Lagoas.

Entre os grupos confirmados estão a Associação de Artesãos de Paranaíba, a Associação de Artesãos de Aparecida do Taboado, a Associação Ipê Rosa Costura Sustentável, a ACLAMS – Casa do Artesão de Três Lagoas e a Aartebras (Associação dos Artesãos de Brasilândia).

O Encontro Regional de Artesanato é uma iniciativa da MS Florestal, com apoio da Bracell Social, Sebrae/MS, Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Associação Integra Costa Leste e Prefeitura de Bataguassu.

Para quem também sonha em viver do próprio trabalho, Elaine deixa um conselho:

"Nunca desista dos seus sonhos. Mesmo em meio às dificuldades, devagar a gente chega lá. O segredo é não desistir nunca".

Serviço – O Encontro Regional de Artesanato acontece na quinta-feira (22), das 9h às 16h (horário de Brasília), no Centro de Eventos João Leme, na Rua Ponta Porã, 173, em Bataguassu. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo formulário online.

Elaine aprendeu crochê aos 7 anos e hoje espalha o Pantanal pelo mundo
Esculturas de argila retratam personagens, tradições e cenas do cotidiano regional.


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