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Artes

Meio século em compasso: banda transforma história em música viva

De projeto no Amambaí à formação sinfônica, trajetória ecoa cultura e resistência em Campo Grande

Por José Cândido | 24/04/2026 16:20
Meio século em compasso: banda transforma história em música viva
Trajetória mistura formação, cultura e emoção em apresentações que atravessam gerações.

Ao erguer a batuta, o maestro não conduz apenas músicos, conduz tempo. Cada gesto desenha no ar uma história feita de persistência, encontros e transformação. Em 2026, esse movimento completa 50 anos e ecoa como um concerto contínuo que nunca saiu de cena.

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A Banda Sinfônica Municipal de Campo Grande celebrará 50 anos em 2026, com uma trajetória iniciada em 1962 no Bairro Amambaí e oficializada em 1976 como Banda Marcial. Sob regência do maestro Edilson Aspet de Azambuja, o grupo formou músicos e realizou milhares de concertos. A prefeita Adriane Lopes destaca a banda como patrimônio imaterial da cidade, representando história e identidade cultural de Campo Grande.

“A música emociona, a música alcança”, resume o maestro Edilson Aspet de Azambuja, como quem traduz em poucas palavras aquilo que levou décadas para ser construído.

Mas essa melodia começou antes mesmo da estreia oficial. Em 1962, no Bairro Amambaí, um projeto de educação musical já afinava sonhos e formava jovens. Foi ali que surgiram os primeiros acordes de uma história que, em 1976, ganharia corpo com a criação da Banda Marcial de Campo Grande, o primeiro compasso de uma trajetória que não conheceria silêncio.

De lá para cá, a banda mudou de forma, mas nunca perdeu o ritmo. Cresceu, incorporou novos instrumentos, atravessou estilos e se transformou em banda sinfônica, ampliando repertórios e horizontes. A música ganhou densidade, mas também novos desafios. “A arte ainda precisa de apoio”, reconhece o maestro. Ainda assim, como toda boa composição, resistiu.

Para a prefeita Adriane Lopes, a importância vai além do palco. “É um patrimônio imaterial da nossa cidade, que carrega nossa história, nossas raízes e a identidade cultural do nosso povo”, afirma. Em outras palavras, é a trilha sonora de Campo Grande.

E não se trata apenas de apresentações. Ao longo de quase cinco décadas, a banda formou músicos, abriu caminhos e moldou trajetórias. Muitos dos que passaram por ali levaram essa música para outros palcos do país. “O maior legado é o fazer musical”, diz Edilson — como quem entende que ensinar a tocar é, na verdade, ensinar a permanecer.

Foram milhares de concertos em escolas, praças e grandes eventos. Cenários distintos, mas um mesmo propósito: aproximar pessoas. “A gente faz música para as pessoas ouvirem”, resume o maestro, devolvendo à arte sua essência mais simples — e mais poderosa.

A própria história dele se mistura à da banda. Começou como aluno, percorreu cada etapa até chegar à regência. Hoje, rege também as próprias memórias. “É uma experiência única estar aqui nesse momento”, diz, como quem reconhece o privilégio de viver a música por dentro.

Aos 50 anos, a Banda Sinfônica Municipal não fecha cortinas, abre novos atos. Com reestruturações e projetos recentes, renova o repertório e reafirma seu papel na cidade. Continua viva, pulsando, em diálogo com o presente.

Porque, no fim, a música é isso: encontro, memória e continuidade. E enquanto houver quem escute, haverá quem toque. Em Campo Grande, essa história segue afinada — entre o que já foi e tudo o que ainda está por vir.