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Campo Grande, Segunda-feira, 22 de Julho de 2019

16/06/2019 08:47

No palco, Eduardo Sterblitch não quer mais fazer sucesso, quer “fazer sentido”

Ao lado da atriz Renata Gaspar, ator mostrou um outro lado, longe do humor escrachado que trouxe a fama

Thailla Torres
Eduardo Sterblitch e Renata Gaspar vão criando em cena, sozinhos, a relação que as pessoas tem com a vida na infância, fase adulta e até a morte.Eduardo Sterblitch e Renata Gaspar vão criando em cena, sozinhos, a relação que as pessoas tem com a vida na infância, fase adulta e até a morte.

No palco, dois seres de outro planeta tentam explicar o ser humano. Assim, os atores Eduardo Sterblitch e Renata Gaspar vão falando sobre relações e comportamentos que as pessoas têm na vida, da infância, à fase adulta, até a morte. O mais famoso da dupla é Eduardo, ex-pânico, ex-Amor e Sexo, que fez fama com o escracho na TV e no teatro mostra outro talento, menos cômico, mais intenso. "Não quero mais fazer sucesso, quero fazer sentido", explica.

Nesse caminho, o novo espetáculo dele tem como cenografia apenas um tapete e muita iluminação usada para dividir momentos, marcar diálogos e as aparições de cerca de 60 personagens. O público até tenta contar para ver se é real a capacidade de tantas interpretações dentro de uma hora e vinte minutos de espetáculo, mas se perde logo nos primeiros 10 ao perceber que está do outro lado da história.

Nas centenas de poltronas do Palácio Popular da Cultura estão sentados outros seres extraterrestres que têm a oportunidade de observar o outro e refletir sobre si. A dupla de atores vai conduzindo a peça e o público a várias mentalidades com exemplos reais, alguns, bastante rotineiros como forma de preparar os seres para viver da porta para fora.

O desenrolar tem aqueles clichês de sempre, de quem quer se conectar com os "nativos" usando capivaras, Bonito e colocando até empresa de saneamento no contexto. 

Apesar do conteúdo que se torna extenso pelo número gigantesco de personagens, o show serve para rir menos e fazer o outro enxergar que a gente reproduz comportamentos que nem sabe de onde veio e que levam ao medo, raiva, felicidade, ódio e amor. Há críticas sutis à forma de se relacionar com o outro, à obsessão, a necessidade de confete num relacionamento a dois, o drama e dificuldade em se sentir bem sozinho.

Renata Gaspar fala sobre fazer um teatro mais acessível.Renata Gaspar fala sobre fazer um teatro mais acessível.
Eduardo diz que sempre foi um homem desconstruído. Eduardo diz que sempre foi um homem desconstruído.

O espetáculo “Tio” é também o desenrolar de uma nova fase dos atores. Quem não conhecia de perto o trabalho de Renata, saiu extasiado pelo show de corpo e voz. Já Eduardo mostrou como é capaz de conversar com qualquer pessoa. “Eu sempre fui muito livre, tenho pensamento livre. Aprendi que aprendo muito rápido as coisas, que consigo conversar com todo tipo de público.”

O encontro dos dois diante da plateia de um teatro ocorre pela primeira vez. Eles se conheceram na TV e já na terceira apresentação de Tio parecem ser feitos um para o outro no palco. "Trabalhamos juntos no Tá no Ar (programa da Globo). A gente sempre se admirou", diz Eduardo.

Para Renata, experiente no universo teatral, mas de uma linguagem menos popular, a nova peça é um desejo realizado para quem quer levar um texto inteligente a todos os públicos e não somente aos intelectuais. “Essa é a primeira peça mais comercial que eu faço, está sendo muito interessante, porque eu tenho interesse em levar uma informação para todo mundo. Que ela seja uma peça legal, mas que seja mais teatral no corpo e na voz”.

Sobre os comentários de que a peça é fortíssima candidata para ganhar como a melhor peça de humor do ano, os atores acham que é cedo para a expectativa. “Ainda não dá pra saber, mas a peça não tem nada de elementos, apenas um tapete, corpo e voz. Fazemos muitos personagens, e talvez, por isso, seja um forte um concorrente”, conclui Renata.

Independente de ganhar prêmio, um desafio da nova empreeitada dos dois é mostrar que comédia não é só para fazer rir. "Eu não ria com Chaplin, eu ficava encantado. Isso é uma comédia, mas não tem de só fazer rir. As pessoas assistem a peça, dão risadas, mas saem pensando. Porque não importa a piada, o que importa o espetáculo todo", avalia Eduardo.

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