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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

03/01/2017 06:10

Admita que a "culpa" é sua e em 2017 pare de se fazer de vítima

Paula Maciulevicius
Cena do filme 10 Coisas que Odeio em Você.Cena do filme "10 Coisas que Odeio em Você".

Da série "como ser uma pessoa melhor em 2017", o Lado B escolheu começar a primeira semana do ano falando sobre alguns problemas que acabam com as relações. De saída, a gente decidiu conversar sobre "vitimização", atitude enraizada em nós mesmos, que pode ser confundida com mania de perseguição.

Mas como identificar o fato de que já atingimos este estágio e trabalhar para mudar isso? Para nos ajudar a entender como sermos menos vítimas e mais responsáveis pelos nossos atos, entrevistamos a psicóloga Abigail Lago Saling.

É importante pontuar o que é vitimização. Segundo o dicionário, é o ato ou efeito de se transformar em vítima. "A auto vitimização ocorre quando o indivíduo não tem mais argumentos para justificar suas atitudes e assim acaba por se utilizar desse recurso na tentativa de não ter de se responsabilizar pelo próprio sofrimento emocional", explica Abigail. E isso vale tanto para o contexto empresarial como no social. Na prática é colocar a “culpa” dos seus problemas no outro ou na sociedade.

E o que leva a gente a se fazer de vítima?

O efeito pode passageiro, causado por um acontecimento traumático que desencadeia a vitimização até a pessoa conseguir superar o ocorrido. "No entanto, permanecer nessa condição é uma escolha do indivíduo", afirma Abigail.

O óbvio muitas vezes é difícil de enxergar e a psicoterapia pode ser um dos caminhos, defende Abigail. O óbvio muitas vezes é difícil de enxergar e a psicoterapia pode ser um dos caminhos, defende Abigail.

Cada pessoa apresenta o seu jeito de se vitimizar, não existe, segundo a psicóloga um padrão.

No geral, o indivíduo sempre acha que os outros são responsáveis pelo que lhe acontece de ruim. "O que mais se evidencia é: não me responsabilizo com o que acontece comigo, os outros que provocam a minha tragédia", descreve Abigail. 

A especialista discorre que as pessoas que se vitimizam têm baixa autoestima, pensamento negativo e um comportamento de co-dependência. "Não percebem que elas próprias, de maneira inconsciente estabelecem padrões e condições para que acabe acontecendo o que não querem", explica.

O óbvio, muitas vezes, é a verdade mais difícil de se enxergar, por isso que a gente consegue ver a vitimização do outro, mas não a nossa e Abigail explica o porque. "Dar-se conta e assumir suas dificuldades nem sempre é um processo fácil, exige determinação e vontade de mudar hábitos e atitudes", diz.

E mesmo se percebendo, ainda é difícil quebrar esse círculo e reagir diante da constatação. Em muitos momentos, a terapeuta explica que precisamos dispor de recursos para enfrentar situações difíceis.

"Em Gestalt terapia chamamos esses recursos de ajustamento criativo, que é uma solução para satisfazer aquela necessidade, naquele momento. No entanto quando o indivíduo se aliena da realidade e não consegue identificar suas reais necessidades, se mantém nessa postura por acreditar que é a melhor forma. Acaba sendo uma maneira de ser no mundo, com ganhos e perdas", observa.

Fazer psicoterapia é um caminho para o autoconhecimento e pode ser a chave para quebrar a prática. "Um dos objetivos da psicoterapia é levar o paciente a perceber esse comportamento de negatividade de si mesmo, atribuindo suas dificuldades e fracassos a condições externas e não uma consequência infligida por si", aconselha a psicóloga. 

Ninguém deixa de se vitimizar da noite para o dia, mas aceitar e se responsabilizar pela própria vida é a base para a mudança desse comportamento. "Pessoas que se utilizam da vitimização, necessitam de atenção, o que acaba reforçando esse comportamento. Buscar ajuda profissional é a melhor maneira para modificar esse processo", fala.

No divã - No processo de psicoterapia, o indivíduo aprende a se perceber, ou seja, perceber suas atitudes, se dar conta de seu comportamento, do “para que” age assim.

"Então, a pessoa vai, no tempo dela, assumindo a responsabilidade por sua vida. Criando e buscando respostas e novas possibilidades para seus problemas  e ao fazer esse movimento, o indivíduo retira de si a vitimização ilógica e fantasiosa de que não tem nenhuma responsabilidade por seu sofrimento, e passa a agir em sua própria defesa e crescimento emocional". 

Se vitimizar só termina quando assumimos a responsabilidade das escolhas na vida, e deixamos de culpar os outros por nossos erros e fracassos. Ainda que a vítima não seja você e sim alguém próximo, vale o mesmo: "não dar atenção a esse comportamento ajuda e não reforça a atitude", sustenta Abigail. Sugerir ajuda profissional, é o melhor caminho.

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