ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, QUINTA  22    CAMPO GRANDE 27º

Comportamento

Bandolim deixado pelo irmão é tesouro entre 200 instrumentos de Nei

Instrumentos de todas as cores estão à venda na Avenida Euler de Azevedo

Por Sofia Lupaes | 22/10/2026 08:35
Bandolim deixado pelo irmão é tesouro entre 200 instrumentos de Nei
Nei é proprietário da Casa do Violão. (Foto: Sofia Lupaes)

Nei da Silva Costa, de 69 anos, aprendeu a tocar violão observando o irmão mais velho, que fazia aulas particulares em casa. Foi com ele que nasceu a paixão pela música e também uma das lembranças mais importantes de sua vida. Antes de morrer, há 15 anos, o irmão deixou um bandolim que Nei reformou, pintou e hoje mantém exposto em sua loja. Entre tantos instrumentos à venda, aquele é o único do qual não abre mão.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Nei da Silva Costa, de 69 anos, é dono da Casa do Violão, em Campo Grande, onde mantém cerca de 200 instrumentos, oficina de conserto e aulas. Natural de Corumbá, aprendeu a tocar aos 12 anos, observando o irmão, e abriu a primeira loja em Cuiabá, onde viveu por 44 anos. Ele guarda um bandolim herdado do irmão e faz amizades pela música. As aulas custam R$ 250 ao mês e os violões variam de R$ 100 a R$ 1.000. A loja fica na Rua Euler de Azevedo, 3519.

“Meu irmão faleceu tem 15 anos e eu sinto falta dele até hoje, pra você imaginar o tanto de amor que a gente tinha um pelo outro, o bandolim tá ali de enfeite pra matar a saudade, ele tocava muito, através dele aprendi muita coisa”, explica.

Bandolim deixado pelo irmão é tesouro entre 200 instrumentos de Nei
Violões pintados estão disponíveis. (Foto: Sofia Lupaes)
Bandolim deixado pelo irmão é tesouro entre 200 instrumentos de Nei
Ukulele e Bandolim foram presentes dos irmãos de Nei. (Foto: Sofia Lupaes)

O bandolim divide espaço com quase 200 instrumentos na Casa do Violão, em Campo Grande. Há violões de diferentes tamanhos e cores, como rosa, azul e preto, além de modelos com desenhos. Nos fundos funciona a oficina, onde Nei faz consertos, reformas e pinturas. Ao lado da loja fica o brechó da esposa.

Entre os problemas mais comuns que chegam à oficina estão braços quebrados, cavaletes soltos e rachaduras. Mas também há instrumentos que carregam histórias, como um violão de duas cordas, um banjo e um ukulele que Nei ganhou de outro irmão.

Natural de Corumbá, Nei cresceu em uma família de músicos. O gosto começou com o pai e passou para ele e seus três irmãos. Aos 12 anos, aprendeu a tocar e, aos 14, ganhou da família seu primeiro violão, da cor azul. Dois anos depois, já dava aulas.

“Eu tinha uns amigos que tocavam também, aí fui aprimorando aos poucos”, conta.

Bandolim deixado pelo irmão é tesouro entre 200 instrumentos de Nei
A casa conta com cerca de 200 violões. (Foto: Sofia Lupaes)

As primeiras aulas surgiram de uma maneira curiosa. Na adolescência, Nei queria ganhar dinheiro para comprar cerveja. Pediu uma sala emprestada ao padre da igreja que frequentava e começou a ensinar violão às crianças da região. O que era uma forma de conseguir algum dinheiro se tornou uma atividade que mantém até hoje.

Aos 23 anos, mudou-se para Cuiabá, onde abriu uma loja de conserto e venda de violões seminovos. Viveu na capital mato-grossense por 44 anos e, em 2024, se mudou para Campo Grande, trazendo a experiência com os instrumentos e as aulas.

Ao longo da vida, também trabalhou com bares e restaurantes, mas nunca abandonou a música. “Eu já tive restaurantes, bares, um monte de coisa, estudei muito, mas nunca deixei de tocar”.

A paixão pelos instrumentos também virou motivo de brincadeira. Nei conta que já teve 12 violões para uso próprio e admite que gosta de comprar mais do que precisa.

“Eu sempre tive paixão e quis ter bastante violões, na verdade eu sou um consumista, nunca fui de comprar de um, eu vou comprar uma calça e compro 4 ou 5, graças a Deus a única coisa que eu tenho um só é minha esposa”.

Hoje, aos 69 anos, diz que não pensa em parar. Pelo contrário, gosta tanto da rotina que espera ansiosamente pelo começo da semana.

“Hoje eu sou realizado aqui, chega domingo à noite eu fico louco pra chegar segunda pra vir pra cá”, conta. “Eu faço o que eu gosto, gosto de música, de violão, de instrumento”.

Bandolim deixado pelo irmão é tesouro entre 200 instrumentos de Nei
Materiais são utilizados para a reforma dos intrumentos. (Foto: Sofia Lupaes)

O repertório é variado, passando por pagode, gospel, sertanejo e MPB. Antes da chegada da reportagem, ele ouvia Chico Buarque e Maria Bethânia. Nei também já tocou em bares e atualmente participa das atividades musicais de sua igreja católica.

Amizade pela música – Entre os amigos que a música trouxe está Sebastião de Oliveira, de 75 anos. Aposentado, ele vende bolos e doces pelas ruas de Campo Grande e conheceu Nei há alguns meses, quando passava em frente à loja e resolveu entrar.

Os dois descobriram o gosto em comum pelo violão e, desde então, Sebastião aparece quase todos os dias para conversar, cantar e tocar alguns dos instrumentos expostos.

Evangélico, Sebastião gosta principalmente de músicas gospel e também compõe suas próprias letras e melodias, que chama de hinos. Além de cantar na igreja, publica as canções no canal Sebastião de Oliveira Gospel, no YouTube.

Bandolim deixado pelo irmão é tesouro entre 200 instrumentos de Nei
Nei e Sebastião gostam de tocar e cantar juntos. (Foto: Sofia Lupaes)

Serviço – Nei continua dando aulas de violão para alunos dos níveis básico e intermediário, duas vezes por semana, com mensalidade de R$ 250. Na loja, os instrumentos custam de R$ 100 a R$ 1 mil, dependendo da marca e do estado de conservação.

A Casa do Violão fica na Rua Euler de Azevedo, 3519, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 12h.

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.