Há 11 anos, cavalgada é promessa de peão após acidente grave
Tradição em Bela Vista começou entre familiares e hoje reúne centenas de fiéis de diferentes cidades
O medo de perder os movimentos da perna após um acidente de trabalho foi o início de uma tradição que já dura 11 anos em Bela Vista. Enquanto se recuperava de uma fratura grave, o peão Odilson Fleitas fez uma promessa a Nossa Senhora Aparecida. Se ficasse bem, organizaria uma cavalgada em homenagem à santa.
A primeira edição foi pequena, basicamente um passeio entre familiares e poucos amigos. No entanto, o projeto cresceu e, neste ano, reuniu cerca de 100 cavaleiros, além de pessoas que acompanharam o percurso de 3 horas em carro e caminhonete.
A história começou há aproximadamente 12 anos, quando Odilson sofreu um acidente enquanto trabalhava com manejo de gado na fazenda. Acostumado à rotina no campo, ele ficou apreensivo quando estava no hospital e soube da possibilidade de não voltar a movimentar a perna normalmente, o que comprometeria seu trabalho.

“Daí ele fez a promessa que se ficasse bem, ia fazer um passeio a cavalo com a imagem de Nossa Senhora Aparecida pelo Bairro Nunca Te Vi, que é onde nossa família mora, aqui em Bela Vista”, conta a irmã, Sônia Fleitas, que hoje é uma das organizadoras da cavalgada.
Depois da recuperação, Odilson compartilhou a ideia com a família, que abraçou a iniciativa. Na primeira edição, a cavalgada reuniu praticamente apenas parentes e alguns amigos. “Mas com o tempo o pessoal foi aderindo e o pessoal da região começou a participar junto com a gente”, explica Sônia.
A cada ano, mais pessoas passaram a participar, e a promessa ganhou proporções que a família não imaginava no início. Neste feriado, a cavalgada chegou à 11ª edição e teve participantes de diferentes cidades. Além dos moradores de Bela Vista, vieram cavaleiros de Bonito, Dourados, Caracol e Antônio João.
“Foi crescendo a cada ano. A cada ano mais pessoas, mais adeptos, mais gente querendo participar. Virou tradição”, conta a irmã.
Mesmo com o crescimento do evento, a família continua à frente da organização. Odilson, que atualmente mora em Coxim por causa do trabalho, nem sempre consegue participar. Neste ano, ele não esteve presente, mas os familiares mantiveram a promessa viva.
Para Sônia, a continuidade deixou de ser apenas uma escolha e se tornou também uma responsabilidade. Com o passar do tempo, a cavalgada ganhou importância para a comunidade e passou a fazer parte do calendário religioso da família. “Hoje já não tem como parar mais. Porque a cada ano isso vem crescendo, então se tornou uma responsabilidade a mais”, relata.
Confira a galeria de imagens:
A programação começa com uma missa campal, realizada às 10h. Depois, é servido um carreteiro para alimentar os cavaleiros, muitos dos quais chegam de outras cidades e saem de casa ainda cedo. A organização também oferece água e suporte aos participantes durante a atividade.
O percurso passa por um trecho da rodovia que liga Bela Vista a Caracol e segue por estradas de chão na região do Bairro Nunca Te Vi, com acompanhamento da Polícia Militar para auxiliar na segurança do trânsito. Ao todo, são cerca de três horas a três horas e meia de cavalgada.
Na edição deste ano, o retorno à chácara da família ocorreu por volta das 17h. No local, os participantes ainda tiveram sorteios de brindes doados por apoiadores.

A programação continua com uma festa social, churrasco e baile. A celebração é uma forma de reunir os participantes também em um momento de confraternização, depois da homenagem religiosa.
“Nossa família é toda católicos e compartilham a devoção a Nossa Senhora Aparecida. Ver a promessa do meu irmão se transformar em um evento com tanta gente é uma alegria e fortalece nossa fé”, finaliza.
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