“Já morei em outras árvores”, diz homem que vive de ninho em ninho pela cidade
Desde 2021, Mauro, de 53 anos, dorme em uma estrutura improvisada no topo de árvore na Avenida Ernesto Geisel
RESUMO
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Mauro Dreger da Silva, de 53 anos, vive há três anos em uma árvore às margens do Córrego Segredo, na Avenida Presidente Ernesto Geisel, em Campo Grande. Natural de São Paulo, chegou à capital sul-mato-grossense há 40 anos e ficou sem moradia após a morte dos pais. Ele sobrevive da reciclagem e de bicos, usa o abrigo de paletes apenas para dormir e, em dias de tempestade, recorre à casa de um amigo. Mauro afirma que não deseja mudar de local.
Com paletes de madeira e estrutura improvisada entre os troncos, Mauro Dreger da Silva, de 53 anos, fez de uma árvore sua casa. Há três anos, ele vive às margens do Córrego Segredo, na Avenida Presidente Ernesto Geisel, a poucos metros da Avenida Mascarenhas de Moraes, em Campo Grande.
Lúcido, receptivo e educado, Mauro recebe a reportagem com tranquilidade. De camiseta, short e tênis, conta que não é a primeira vez que mora em uma árvore. “Já morei em outras árvores”, diz. Na casa improvisada entre os troncos, cobertores e pedaços de tecido servem de telhado.
Aliás, essa não é a primeira vez que ele aparece no Campo Grande News. Em 2015, Mauro foi personagem de reportagem sobre o “ninho” que havia construído em outra árvore na região central da cidade. Na época, a equipe encontrou o abrigo pouco antes das 5h de uma sexta-feira chuvosa, em meio a construções abandonadas.
Natural de São Paulo (SP), Mauro chegou à capital sul-mato-grossense com os pais há cerca de 40 anos. Desse período, aproximadamente 30 foram vividos na mesma região. Após a morte dos pais, ficou sem ter onde morar e encontrou nas árvores uma alternativa de abrigo. “Passei por alguns problemas na minha vida. Aí perdi meus pais. Como eu não tinha onde morar, vim morar aqui na árvore”, relata.
Antes de se instalar no endereço atual, viveu durante bastante tempo em outra árvore, nas proximidades da Orla Morena. Segundo ele, deixou o local há cerca de quatro anos e, depois, encontrou o espaço onde permanece atualmente.
Confira a galeria de imagens:
A rotina, no entanto, não se resume ao pequeno abrigo de madeira. Mauro passa boa parte do dia nas ruas, recolhendo materiais recicláveis e fazendo serviços temporários para garantir a própria renda. A árvore serve principalmente como lugar para dormir. “Eu quase não fico aqui, é só para dormir mesmo”, explica. “Trabalho com reciclagem, faço uns bicos. Mas ganho meu dinheiro”.
Ele também conta que é conhecido pelos moradores da região e afirma manter uma boa relação com a vizinhança. “Todo mundo me conhece aqui, todo mundo fala bem de mim. Eu sou uma pessoa de quem todo mundo gosta”, afirma.
Mesmo com o córrego a poucos metros e a exposição à chuva e ao vento, Mauro diz nunca ter enfrentado problemas graves no local. Quando o tempo fecha e há risco de tempestade, procura abrigo na casa de um conhecido que mora nas proximidades. “Às vezes você até se assusta de ver um córrego assim. Mas, quando cai a tempestade, eu fico na casa de um amigo meu que mora aqui pertinho”, conta.
Indagado sobre a possibilidade de receber ajuda para morar em outro lugar, afirma que, por enquanto, prefere permanecer onde está. “Não, não. Eu estou bem aqui”. Mauro conta que não tem familiares em Campo Grande desde a morte dos pais. Os demais parentes vivem na capital paulista.
Apesar das dificuldades, diz estar acostumado com a vida que leva e não demonstra vontade de mudar. Quando perguntado se gosta de morar dessa maneira, responde sem hesitar: “Gosto. Para mim é bom, até que é gostoso morar aqui”.
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