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Comportamento

Postagem resgata cozinheiro lendário do Operário dos anos 70

Vitorino morreu pobre e doente, mas antes fez história dentro do Operário com seu dom na cozinha e carisma

Por Lucas Mamédio | 20/06/2021 08:51
Foto postada por Irineu que mostra Vitorino ao lado de algum atleta na década de 70 (Foto: Arquivo pessoal)
Foto postada por Irineu que mostra Vitorino ao lado de algum atleta na década de 70 (Foto: Arquivo pessoal)

Uma publicação no grupo “Anos Dourados Campo Grande” fez renascer um personagem muito conhecido e querido nos tempos áureos do Operário Futebol Clube, na década de 70.

“Uma pessoa especial que conheci em vida já não está entre nós. Este mundo ficou sem sua alegria e dedicação ao Operário Futebol Clube - MS. Faleceu há tempos, mas seu legado nos bastidores  do clube é   eterno. Bermuda  branca nosso grande..... Quem lembra?”

Perguntou Irineu Júnior, filho de um dos diretores do clube na época. Na foto aparece Vitorino Admerci Costa, ou “Gordo”, como era conhecido o lendário cozinheiro do clube.

Não demorou para que vários integrantes do grupo reconhecessem Vitorino. “Grande Vitorino ! Cuidava da alimentação dos jogadores como se fossem seus filhos ! Era a alegria da concentração na Bandeirantes ! A Esquerda acho que é o Marião”, lembra Pedro Mariusso.

Irineu, apesar de criança quando conviveu com Vitorino, lembra muito como era respeitado dentro do clube. “Era excelente cozinheiro, amou o Operário, falo com autoridade na década de 70 poucos clubes no Brasil tinham um cozinheiro como o Vitorino. Ele era muito querido pelos jogadores, os jogadores respeitavam muito ele, pelo jeito dele”.

Segundo Irineu, ele ficava até o ultimo jogador comer, acabava a comida, fazia mais. “Era uma criança adulta, passou a não ser mais um simples cozinheiro, era um membro do clube”.

 Irineu ainda trabalhou como cozinheiro na Santa Casa, além de ter sido chef no Hotel Central, na Rua 15 de Novembro com a 13 de Maio. “Certa vez ele mesmo viu um cabelo na panela de arroz, nem sabíamos se era dele, ele tirou a travessa e trouxe uma nova”.

Vitorino, segundo quem o conheceu, era um personagem de filme, cheio de trejeitos e muito grande. “Apesar da aparência dele, era muito respeitado pelos atletas, inclusive alguns famosos que vinham jogar no Operário”.

Segundo Irineu, não é possível ter certeza do ano, mas Vitorino morreu por volta dos anos 2000 em meio a problemas sérios de saúde e financeiros. “Muitos dirigentes de clubes ajudavam ele como podiam, com algumas doações e tudo mais”.

José Luiz MIkimba conheceu Vitorino quando era treinador das divisões de base do Operário.  "Além de cozinheiro se meteu a ser cartola e começou a organizar as papeladas das equipes  menores, cuidava dos uniformes, ia aos treinos e jogos, até montou um infantil, 12 anos, que cuidava com muito carinho e era a equipe mais bem vestida de todo o Operário. Para organizar acho que ele ate desviava dinheiro com as economias que fazia na cozinha, inclusive alimentava aqueles com menos recursos".

José lembra que já muito obeso, Vitorino era internado por problemas pulmonares e ficava muitos dias afastado. Seu espirito inquieto não deixava ele permanecer circunscrito a um leito, e curioso ia aprendendo os segredos da enfermagem.

 "Daí à noite ele ajudava distribuindo  medicação. Depois foi contratado como para ser auxiliar de enfermagem, logico apos fazer um curso. Com a ida do Doutor Nobuco para administração da Santa Casa, que ja o conhecia, foi transferido para chefiar a cozinha. La ele fez uma excelente administração, porque sabia aproveitar e reaproveitar tudo. E foi aumentando seu  peso ate chegar a mais de 300 kg".

Depois Vitorino foi para spa em Sorocaba onde emagreceu mais de 200 kg. Tinha tanta gordura que os médicos tiveram que opera-lo retirando um bloco de gordura maciça de 14 kg que fica localizado ali abaixo do umbigo .

"Voltou para Santa Casa. Seus problemas pulmonares foram piorando. Faleceu lá mesmo. Sinto saudades dos jantares que fazia na minha casa sempre homenageando os técnicos que passavam pelo Operário.  Era amado não só por todos na Santa Casa mas também pela cidade".

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