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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

25/05/2017 07:19

Quando filho nasceu, tio teve certeza de que amor por sobrinho é igual ao de pai

Em 2017, fará 12 anos que os papeis trocaram e, de tio, Marcelo Victor virou pai de João Pedro

Paula Maciulevicius
Com camisa do tio, João Pedro e Marcelo Victor.
(Foto: Arquivo Pessoal)Com camisa do tio, João Pedro e Marcelo Victor. (Foto: Arquivo Pessoal)

Marcelo é o pai de João Pedro desde que fez pela primeira vez a barba do sobrinho, ainda aos 2 anos de idade. Um acidente de carro levou o pai biológico do menino quando bebê. O apelo da mãe, irmã de Marcelo, para que ficasse em Campo Grande, deu a ele a responsabilidade de ser a figura paterna em que João iria se espelhar.

Em 2017, fará 12 anos que os papeis trocaram e, de tio, Marcelo Victor virou pai. O fotógrafo tinha trocado Mato Grosso do Sul por São Paulo para estudar e se dedicar ao trabalho, devido ao mercado de oportunidades de lá. Depois do acidente que matou o cunhado, ele veio passar férias durante o recesso da empresa em que já trabalhava na área da fotografia. Para onde nunca mais teve coragem de voltar.

"Eu ia voltar no começo do ano para São Paulo quando a minha irmã pediu para eu ficar mais um pouco, porque na época tinha só ela e minha mãe. Meu pai perdeu a visão. Ainda brincava com ele, mas não conseguia fazer outras coisas", lembra Marcelo, de 35 anos.

João quando menino. (Foto: Arquivo Pessoal)João quando menino. (Foto: Arquivo Pessoal)

O pedido da irmã foi para que o tio ensinasse o que pudesse ao sobrinho. "Eu fiquei, a gente até brincava. Eu fazia a barba minha e a dele também. Passava espuma, tirava a minha e a dele. Para isso, virava a gilete", recorda.

Ao descrever as primeiras histórias de pai e filho, Marcelo parece que volta à cena de um espelho com um garotinho ao lado, em pé num banquinho. "A gente começou a brincar. Minha ideia era sempre de voltar, mas o tempo foi passando e eu não consegui mais", explica.

João Pedro foi o primeiro neto a chegar trazendo felicidade para toda família. "Teve aquele amor, eu já amava ele num relacionamento de sobrinho. Quando eu vim de São Paulo, ficava junto o dia inteiro, então foi crescendo o sentimento", justifica.

Ao longo dos anos, quem conviveu com o fotógrafo sabia dos compromissos inadiáveis dele. Não tinha pauta que segurasse Marcelo quando depois de certo horário João Pedro tivesse uma partida de futebol.

O carinho entre os dois era tão grande que, se ninguém se atentasse ao vocativo "tio", Marcelo e João eram pai e filho. "Ele vai ver meu treino e minhas competições sempre, só quando não dá", diz João Pedro Diogo, às vésperas de completar 13 anos.

O tio concorda. "Desde o primeiro treino eu vou. Ele entrou no futsal tinha 4 anos, era bem pequenininho, não sabia nada", conta.

Os costumes e gostos de um foram passados para outro como quem herda preferências do pai. "O João Pedro assistia vídeo de rodeio e sabia quem ia cair do boi ou não, que era coisa do pai dele. Com o tempo, ele começou a pegar coisa minha, a querer jogar bola e torcer para o Corinthians", exemplifica o fotógrafo.

Tio e sobrinho na final de futsal. (Foto: Arquivo Pessoal)Tio e sobrinho na final de futsal. (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando viu, João Pedro já estava até usando os mesmos palavrões do tio na hora do videogame. "E eu não podia nem ficar bravo, porque a culpa era minha", brinca Marcelo. "Eu também comecei a andar de skate e jogar futebol por causa dele. Fotografia? Só faço às vezes, quando está todo mundo em família, num domingo", conta.

Ser visto como referência fez com que Marcelo enxergasse a relação com mais seriedade. Até o quinto ano de João, quando a escola fazia festinha de Dia dos Pais, era o tio quem ia. "Então ele é um pai pra mim", resume. "Isso dele fazer o que eu faço sempre me deu uma responsabilidade maior, de que eu tenho que passar algo para ele", descreve o tio.

Marcelo sempre ouviu que, apesar de todo amor que ele sentia pelo sobrinho, o sentimento de pai e filho seria diferente. Coisa que ele só ia saber quando se tornasse pai. Murilo veio há dois anos para provar.

"Isso que eu sinto pelo João Pedro é amor de pai e filho. As pessoas diziam 'ah, o dia que seu filho nascer, você vai saber...' Não, cara, quando o Murilo nasceu eu tive a certeza de que aquele foi o mesmo sentimento. Quando eu vi o Murilo não foi um amor maior, foi o mesmo que sinto pelo João Pedro".

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Nos últimos dois anos, o amor deles ganhou a companhia de Murilo. (Foto: Arquivo Pessoal)Nos últimos dois anos, o amor deles ganhou a companhia de Murilo. (Foto: Arquivo Pessoal)


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