Bazar transforma apreensões em oportunidade e tenta salvar caminhão de projeto
Produtos da Receita Federal viram recurso para manter ações voluntárias em escolas e comunidades indígenas
O Instituto Isaac conta com cerca de 10 mil itens com preço abaixo de mercado para arrecadar recursos e colocar novamente na rua o caminhão usado em ações sociais, hoje parado por problemas mecânicos. Os produtos foram doados pela Receita Federal, em Campo Grande, e o bazar segue disponível enquanto houver mercadoria.
RESUMO
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O Instituto Isaac realiza bazar beneficente com aproximadamente 10 mil itens apreendidos pela Receita Federal em Campo Grande. Os produtos, que incluem roupas, eletrônicos, perfumes e utensílios domésticos, são vendidos a preços reduzidos, com valores que variam de R$ 5 a R$ 1.750. A iniciativa tem como objetivo arrecadar entre R$ 13 mil e R$ 14 mil para consertar um caminhão utilizado em ações sociais do instituto. O veículo é fundamental para transportar equipamentos e brinquedos usados em eventos gratuitos realizados em escolas públicas e comunidades indígenas. O bazar funciona na Rua Santa Lina, 533, no Bairro Vilas Boas, das 9h às 20h.
Os preços chamam atenção. Há relógios digitais entre R$ 5 e R$ 450, celulares de R$ 450 a R$ 1.650, perfumes de R$ 50 a R$ 980, roupas a partir de R$ 10, sapatos por preço único de R$ 50, com exceção das botas de couro, que variam de R$ 100 a R$ 150. Mantas custam R$ 20, enquanto um aspirador robô pode sair por R$ 1.500 a R$ 1.750. Também há produtos para cabelo, malas, brinquedos, utensílios de cozinha, tapetes, mochilas infantis, barracas e até doces industrializados.
Os itens são repassados pela Receita Federal ao instituto, com uma condição: não pode haver venda para atacadistas. O termo é assinado no ato do recebimento dos produtos.
Segundo Juliana Buzzcaro, 40 anos, captadora de recursos do instituto, o foco da arrecadação atual é objetivo e urgente. “A expectativa é que liquide todos os produtos até o último dia de bazar. São cerca de 10 mil itens”. O dinheiro será usado para consertar o caminhão, cujo reparo gira entre R$ 13 mil e R$ 14 mil, além de arrumar brinquedos antigos e adquirir novos.
O veículo é peça-chave para transportar pula-pula, futebol de sabão, brinquedos infláveis e estruturas usadas em eventos gratuitos realizados em escolas públicas e comunidades indígenas. O Instituto Isaac atua há cerca de 20 anos, sempre com recursos vindos de doações. Juliana está na equipe há seis anos e destaca que o bazar não tem data fixa. Ele acontece quando a Receita Federal libera novos lotes de produtos.
Bazares passados tiveram boa saída e já renderam resultados práticos, como a compra de um tobogã e a recuperação de brinquedos. O último foi em dezembro de 2024, no Armazém Cultural. Em 2025, o endereço mudou. O formato segue enxuto. São nove voluntários, funcionamento direto, sem fechar para o almoço.
Do lado de quem compra, o atrativo vai além do preço. Amanda Cássia Pereira, 37 anos, professora, foi atrás de perfume, mas acabou olhando o bazar inteiro. “Meu filho está precisando de alguns shorts porque as aulas estão quase voltando, então vim aproveitar as oportunidades”. Para ela, o conjunto de preços é “tentador”. É a primeira vez que visita um bazar e a proximidade da casa pesou na decisão.

Já Clarice Beck, 60 anos, economista, chegou por indicação de um vizinho. “Eu estava voltando da academia e um vizinho me chamou para conhecer o bazar, agora estou olhando o que vale a pena adquirir”. Moradora do bairro, ela diz que costuma frequentar bazares, mas não conhecia o instituto.
O bazar ocorre na Rua Santa Lina, 533, no Bairro Vilas Boas, das 9h às 20h.





