Com noite de karaokê, Pizza Pub se despede da 14 de Julho após 4 anos
Mais um bar fecha as portas na rua que virou ponto boêmio de Campo Grande
A noite do adeus teve música, tristeza e vontade de aproveitar até o último minuto. Nesta sexta-feira (23), o Bar Pizza Pub se despediu da Rua 14 de Julho, com uma última rodada de karaokê. Com casa cheia, o clima foi de despedida do lugar que se tornou ponto boêmio da cidade e onde muita gente construiu memórias.
Para Jean Paulo Costa, um dos proprietários, encerrar as atividades depois de quatro anos é deixar para trás um projeto que ajudou a movimentar a região. Antes de chegar à 14 de Julho, o bar funcionava na Rua Barão do Rio Branco até ir para a 14 de Julho no dia 8 de fevereiro de 2024, durante o Carnaval.
“A gente foi o segundo bar que abriu aqui e, com isso, conseguiu atrair mais gente, atrair mais bar. Então, acho que a gente fez o nosso papel social, cultural com Campo Grande”, avalia.
Jean, que não nasceu em Campo Grande, diz que encontrou na cidade um lugar para construir sua história e retribuiu esse acolhimento por meio da cultura e da vida noturna.
A decisão de fechar as portas, segundo ele, passa por questões pessoais. “Eu tenho outro emprego e estou começando um mestrado, e minha esposa também tem uma rotina profissional que exige bastante tempo. Além disso, a falta de segurança e de apoio do poder público contribuiu para o encerramento. Isso faltou para a gente desde o começo que a gente abriu aqui”, afirma.
A despedida também foi difícil para quem encontrou no bar um lugar para vencer a timidez. Aos 22 anos, Kaíque Sampaio frequentava o espaço havia quatro ou cinco meses, mas o tempo foi suficiente para criar uma relação especial com o ambiente.
Ele conta que procurava um lugar onde pudesse cantar e se sentisse confortável diante de outras pessoas. No Bar Pizza Pub, encontrou essa oportunidade e criou coragem para subir ao palco.
“Quando eu vim para cá, senti uma energia diferente. As pessoas são bem recebidas e aí eu me senti à vontade para cantar”, lembra.
Ele afirma que o anúncio do fechamento foi uma tristeza. “Eu tinha muitas músicas para cantar ainda aqui, porque aqui é um lugar de aconchego. Eu me sinto em paz e as pessoas são maravilhosas. Vai deixar saudade”, comenta.
Marcelo Henrique acompanhou a história do estabelecimento desde a abertura. Contratado inicialmente para trabalhar no salão, acabou indo para a cozinha e construiu ali uma caminhada profissional que guarda com carinho. “Nesses quatro anos foram os melhores quatro anos da minha vida trabalhando com eles”, afirma.

Ele diz que leva as amizades e as experiências vividas no local. “Foram noites de karaokê, festas, samba e apresentações de bandas de rock, que ajudaram a movimentar a cidade”, destaca.
Para ele, ver mais um comércio encerrar as atividades na 14 de Julho é motivo de tristeza. “Vai deixar saudades, mas não é um adeus. Vamos ver o que o futuro espera pela gente”, diz.
Carlos Eduardo, o Cadu, de 24 anos, também esteve no bar na última noite. Segundo ele, a despedida reforça uma preocupação com a quantidade de estabelecimentos que fecham na cidade. “Tudo aqui em Campo Grande está fechando, né? A 14, nada rende, tudo acaba à meia-noite. A gente fica até se perguntando: ‘Que capital é essa, né?’”, questiona.
Para Cadu, os bares têm um papel que vai além do entretenimento. São espaços onde as pessoas se encontram, aliviam o peso da rotina e constroem lembranças. “Todo bar tem uma história. Todo mundo que vem aqui é para fugir da sua realidade, para se divertir, para criar momentos e memórias”, afirma.
Ele explica que, quando um estabelecimento fecha, as lembranças continuam vivas, mas já não é possível voltar ao mesmo lugar para revivê-las. “Quando o lugar fecha, parte dessas memórias morre. Não que elas vão morrer, mas a gente não vai poder voltar e retocar essa memória afetiva que a gente tem”, lamenta.




