No Dia do Cabelo Maluco, Sofia leva Nossa Senhora Aparecida na cabeça
Mãe acordou às 4h45 para montar penteado inspirado em um andor da santa para a filha
Gel, elásticos, flores e uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida transformaram o cabelo de Sofia Freitas em um pequeno andor. A produção foi feita para o tradicional Dia do Cabelo Maluco na escola, mas, na casa da família, a brincadeira ganhou um significado que vai além de inventar o penteado mais diferente da turma.
RESUMO
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A ideia partiu de Dienne Freitas, mãe de Sofia, que recebeu de uma comadre uma referência de cabelo maluco inspirado em um andor de Nossa Senhora. Devota da santa e artesã de terços, ela gostou da proposta e mostrou para a filha, que também aprovou.
“Minha comadre me mandou a ideia do cabelo maluco, que é um andor de Nossa Senhora. Eu amei a ideia, mostrei para minha filha, ela adorou também. E aí nós resolvemos fazer”, conta.

A preparação começou cedo. Muito cedo. Sofia e o irmão, Théo Freitas, levantaram às 4h45 para conseguir se arrumar antes da entrada na escola, às 7h. Segundo Dienne, o entusiasmo com o Dia do Cabelo Maluco ajudou a tirar as crianças da cama sem muita negociação.
“Eles pularam da cama porque estavam superentusiasmados. Já foram tomar banho, já se arrumaram e eu comecei o processo”, lembra.
Apesar de parecer trabalhoso, o penteado de Sofia levou cerca de 30 a 40 minutos. Dienne conta que já trabalhou como cabeleireira e costuma arrumar os cabelos da filha desde que ela era pequena, experiência que facilitou a missão antes mesmo do sol nascer.
Para montar o pequeno andor, ela usou gel, elásticos, uma tiara com flores e a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ela enrolou o cabelo ao redor da estrutura para formar o penteado. Sofia completou a produção com uma camiseta de Nossa Senhora Aparecida e um terço no pescoço.
Enquanto a irmã levou uma homenagem religiosa para a escola, Théo escolheu outro caminho. Aluno do segundo ano, ele queria um visual “rock'n'roll”, com cabelo azul e glitter. Sofia está no quinto ano.
Na escola, segundo Dienne, o penteado de Sofia chamou a atenção de colegas e professores. Algumas professoras chegaram a fotografar a produção. A pergunta que mais ouviu foi sobre o horário em que a família precisou acordar para conseguir deixar tudo pronto.

Já é rotina - O Dia do Cabelo Maluco já virou tradição para os irmãos. Nos anos anteriores, Sofia teve penteados inspirados em sorvete e em uma paleta de pintura. Théo também já entrou na brincadeira com temas como astronauta e foguete.
Embora as crianças encarem cada edição quase como uma disputa para superar a criatividade do ano anterior, desta vez não houve competição oficial na escola. Os alunos participaram de um desfile para mostrar os cabelos.
“Eles querem surpreender, querem mostrar para o coleguinha que neste ano o meu está melhor que no ano passado. Eu já não sei mais o que vou fazer no ano que vem”, brinca Dienne.
Para Dienne, porém, escolher Nossa Senhora Aparecida não foi apenas uma solução criativa para o penteado. A devoção está diretamente ligada à história da família e também ao trabalho que ela exerce atualmente.
Artesã, ela produz terços e mantém uma página dedicada ao trabalho. A proximidade do dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro, também ajudou a tornar a escolha ainda mais significativa.

A relação com a santa, conta Dienne, ganhou força durante um período de dificuldade financeira, quando os filhos ainda eram pequenos. Ela lembra de uma ida ao mercado em que percebeu que o dinheiro não seria suficiente para comprar a quantidade de leite de que as crianças precisavam.
Naquele dia, conseguiu levar apenas metade do que normalmente comprava. “Quando finalizei a compra, não consegui comprar uma caixa de leite. Só consegui comprar meia caixa. Aquele dia eu fiquei muito triste”, recorda.
Em casa, depois de colocar os filhos para dormir, Dienne diz que chorou por não saber como conseguiria comprar o restante. Foi naquele momento, segundo ela, que recorreu à fé.
Para a artesã, o período marcou sua relação com Nossa Senhora Aparecida. Ela conta que, depois daquela fase, não voltou a enfrentar uma situação em que precisasse pedir ajuda para garantir a alimentação dos filhos. Hoje, associa também a produção de terços à devoção que desenvolveu ao longo dos anos.
“Os terços são para mim como um presente de Deus e de Nossa Senhora. Todos os dias eu recebo bênçãos através do meu trabalho”, afirma.
Por isso, em meio a cabelos coloridos, glitter e penteados feitos para arrancar risadas na escola, Sofia apareceu com uma imagem que carrega uma história conhecida principalmente dentro de casa.
E, pelo menos neste ano, Dienne conseguiu cumprir a missão que parece ficar mais difícil a cada edição do Dia do Cabelo Maluco: surpreender os filhos antes mesmo das 7h.
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