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Lado Rural

Chuvas interrompem semeadura da soja em MS e aumentam preocupação com erosão

Plantio chega a 1,56 milhão de hectares, mas excesso de umidade e pragas exigem atenção dos produtores

Por Jhefferson Gamarra | 21/10/2026 14:36
Chuvas interrompem semeadura da soja em MS e aumentam preocupação com erosão
Terra úmida em lavoura de soja no inicio da semeadura em MS (Foto: Divulgação/Aprosoja)

O plantio da soja para a safra 2026/2027 alcançou 32% da área acompanhada em Mato Grosso do Sul, o equivalente a aproximadamente 1,56 milhão de hectares. Apesar do avanço estar 1,1 ponto percentual acima do registrado no mesmo período da safra anterior, as operações de semeadura foram interrompidas durante grande parte da última semana devido à alta umidade do solo. O cenário também exige atenção dos produtores por causa do risco de novas instabilidades climáticas, da ocorrência de erosões e do surgimento de pragas nas lavouras.

RESUMO

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O plantio da soja da safra 2026/2027 atingiu 32% da área acompanhada em Mato Grosso do Sul, cerca de 1,56 milhão de hectares, segundo a Aprosoja/MS. A chuva interrompeu a semeadura, causou erosões e favoreceu pragas. O El Niño amplia o risco climático. A área deve crescer 5,5%, para 4,874 milhões de hectares, mas a produção estimada de 15,33 milhões de toneladas é 8,4% menor.

Os dados são do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), com recursos do Fundems (Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja) e da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). O levantamento considera informações coletadas com produtores rurais, sindicatos, empresas de assistência técnica e outros agentes do setor.

A região Sul apresenta o plantio mais avançado, com 39,7% da área estimada já semeada. Na sequência aparece a região Centro, com 21%. Já a região Norte registra o menor avanço, com 18,7% da área plantada.

A diferença entre as regiões evidencia o ritmo desigual dos trabalhos no Estado. Enquanto o Sul concentra o maior percentual de semeadura, o Norte ainda tem menos de um quinto da área prevista plantada.

Excesso de chuva interrompeu operações - A elevada umidade do solo impediu a continuidade do plantio durante boa parte da última semana. As operações foram retomadas perto do fim do período, com a melhora do tempo.

Também houve registros pontuais de chuva acompanhada de ventos e granizo de leve intensidade em municípios como Ivinhema, Angélica e Caarapó, além de localidades da região Nordeste do Estado.

Nas áreas monitoradas, os fenômenos provocaram pequenos danos nas folhas das plântulas que já haviam emergido, mas não houve necessidade de replantio, conforme o levantamento.

Além dos efeitos sobre as plantas, o excesso de água provocou rompimentos de curvas de nível, enxurradas e o início de processos erosivos nas lavouras. Os problemas foram observados principalmente em áreas com solos arenosos e mistos, que exigem atenção para evitar o agravamento dos danos.

O analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, alerta que a influência do El Niño aumenta a possibilidade de instabilidades climáticas em Mato Grosso do Sul.

“A presença do fenômeno El Niño aumenta a possibilidade de instabilidades climáticas em Mato Grosso do Sul. Dessa forma, deve-se ter cautela no planejamento das operações e tomada de decisão”, afirma.

Previsão indica mais chuva até o fim do mês - A previsão para o período de 19 a 31 de outubro aponta acumulados de chuva entre 30 milímetros e 140 milímetros em Mato Grosso do Sul. Os maiores volumes são esperados nas regiões Sul e Sudoeste, onde podem variar de 100 milímetros a 140 milímetros, segundo o boletim semanal da Casa Rural.

O documento também destaca que o Estado está sob influência do El Niño, fenômeno associado à maior possibilidade de instabilidades atmosféricas. Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, a previsão climática indica intensidade muito forte do fenômeno, com possibilidade de temperaturas acima da média, ondas de calor e tempestades mais intensas, acompanhadas de ventos fortes e eventual queda de granizo.

As condições exigem cautela no planejamento das atividades agrícolas, especialmente diante da necessidade de conciliar o avanço da semeadura com as condições de umidade do solo e os riscos de novos eventos climáticos.

Pragas também preocupam produtores - Além das condições climáticas, o levantamento identificou maior ocorrência de pragas iniciais nas regiões Oeste, Sudoeste e Sul-Fronteira. Entre os organismos observados estão caramujo, vaquinha e cascudinho-da-soja, cuja presença tem exigido intervenções nas lavouras.

Na região Sudoeste, também foi registrada a ocorrência de mancha olho-de-rã, doença que afeta a cultura da soja.

O acompanhamento dessas ocorrências é importante durante o estabelecimento das lavouras, período em que as plantas ainda estão em desenvolvimento. A combinação entre condições climáticas instáveis e a presença de pragas e doenças amplia os pontos de atenção para os produtores no início do ciclo.

Safra deve ter área maior, mas produção menor - A estimativa do Projeto SIGA-MS indica que a área destinada à soja em Mato Grosso do Sul deve chegar a 4,874 milhões de hectares na safra 2026/2027, crescimento de 5,5% em relação ao ciclo anterior.

Apesar da expansão da área cultivada, a produtividade média estimada é de 52,4 sacas por hectare, redução de 13,2% na comparação com a safra passada. Com isso, a produção estadual está projetada em aproximadamente 15,33 milhões de toneladas, volume 8,4% menor que o do ciclo anterior.

As projeções são baseadas na média dos últimos cinco anos do Projeto SIGA-MS e ainda dependem do desenvolvimento das lavouras e das condições observadas ao longo da safra.

Com o plantio em andamento e a previsão de novas chuvas, os próximos dias serão importantes para a continuidade da semeadura e para o acompanhamento das condições das áreas já plantadas.