ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, QUINTA  08    CAMPO GRANDE 25º

Lado Rural

Importação de fertilizantes cai 24,1% em MS e acende alerta para safra de soja

Enquanto o volume nacional recuou 13,5%, queda no Estado foi mais acentuada e preocupa pelo impacto nos custos

Por Jhefferson Gamarra | 08/10/2026 18:36
Importação de fertilizantes cai 24,1% em MS e acende alerta para safra de soja
Dispensador usado para contagem e distribuição de sementes e fertilizantes em testes de campo (Foto: Divulgação/Aprosoja)

Mato Grosso do Sul registrou queda de 24,1% no volume de fertilizantes importados, segundo o Boletim de Fertilizantes de agosto de 2026, da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul). O recuo ocorre durante o período de implantação da safra de soja 2026/2027 e coloca em evidência a preocupação com o abastecimento e os custos dos insumos agrícolas, que influenciam diretamente a margem de lucro dos produtores.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Mato Grosso do Sul registrou queda de 24,1% nas importações de fertilizantes, segundo boletim da Aprosoja/MS, em plena implantação da safra de soja 2026/2027. O recuo supera a média nacional de 13,5%. Entre janeiro e julho, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas, 7,4% a menos, mas gastou US$ 8,8 bilhões, alta de 8%. A dependência externa, conflitos internacionais e a concentração de fornecedores de potássio pressionam os custos dos produtores.

A redução no Estado foi mais acentuada que a média brasileira. No mesmo levantamento, o volume acumulado de fertilizantes importados pelo país ficou 13,5% abaixo do registrado no período correspondente do ano anterior. A diferença chama a atenção para o cenário de abastecimento em Mato Grosso do Sul, onde os fertilizantes são componentes importantes do custo de produção da soja.

No Brasil, os números também indicam pressão sobre o mercado. Entre janeiro e julho de 2026, o país importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, queda de 7,4% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da redução no volume, o desembolso chegou a US$ 8,8 bilhões, aumento de 8%. Na prática, o país comprou menos e gastou mais para adquirir o insumo.

“O ponto central não é apenas a redução do volume importado, mas o aumento do desembolso para adquirir o fertilizante. Quando o Brasil importa menos e paga mais, temos um sinal de deterioração das condições de oferta que pode ser incorporado ao custo de produção da soja e pressionar a margem do produtor”, afirma Linneu Borges Filho, analista de Economia da Aprosoja/MS.

Dependência externa amplia preocupação - O cenário é especialmente relevante para Mato Grosso do Sul porque o Brasil depende das importações para atender à demanda interna por fertilizantes. Entre 2021 e 2025, o volume importado permaneceu próximo de 40 milhões de toneladas por ano. Em 2025, as compras chegaram a 45,48 milhões de toneladas, alta de 2,8% em relação ao ano anterior.

Em 2026, porém, o mercado internacional passou a enfrentar novos fatores de pressão. Segundo a análise da Aprosoja/MS, o início de um novo conflito no Oriente Médio afetou regiões produtoras e rotas comerciais, enquanto a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia mantém impactos sobre o mercado internacional de fertilizantes.

Essa dependência deixa os produtores expostos a fatores que fogem ao controle da atividade rural, como conflitos geopolíticos, disponibilidade de produtos nos países fornecedores, restrições comerciais e custos do transporte internacional. Em um período de plantio, essas variáveis dificultam a previsão das despesas e podem comprometer a rentabilidade quando o aumento dos custos não é compensado pelo preço da soja.

“A dependência externa faz com que o custo do fertilizante esteja sujeito a variáveis que não são controladas pelo produtor, como conflitos geopolíticos, disponibilidade nos países fornecedores, restrições comerciais e frete internacional. Essa exposição aumenta a volatilidade do custo e dificulta a formação de uma expectativa mais precisa de margem”, destaca Linneu.

Nitrogênio e potássio exigem atenção - A vulnerabilidade brasileira aparece nos três principais grupos de nutrientes utilizados na agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio. Entre eles, o nitrogênio apresentou a maior variação negativa nas importações brasileiras na comparação entre 2025 e 2026, com déficit de 17,2% no acumulado analisado.

No mercado de potássio, a concentração de fornecedores também representa um ponto de atenção. Rússia e Canadá responderam juntos por cerca de 82% das importações brasileiras de fertilizantes potássicos em 2025. Ao mesmo tempo, o Brasil participa com menos de 1% da produção mundial do nutriente, evidenciando a dependência do mercado externo para atender ao consumo nacional.

Diante desse cenário, a Aprosoja/MS aponta a diversificação de fornecedores como uma alternativa para reduzir a exposição às oscilações internacionais. China, Índia e Estados Unidos estão entre os grandes produtores mundiais de fertilizantes nitrogenados, mas têm participação reduzida nas importações brasileiras.

A ampliação das compras desses países, contudo, depende de fatores como excedente disponível para exportação, demanda interna, capacidade de fornecimento, preços e custos logísticos. A existência de produção não significa necessariamente que o produto estará disponível em condições competitivas para o mercado brasileiro.

Com o plantio da safra 2026/2027 em andamento, a queda nas importações destinadas a Mato Grosso do Sul reforça a importância de acompanhar o mercado de fertilizantes. Embora a redução dos volumes não determine, isoladamente, falta de produto ou aumento de preços no Estado, a combinação entre recuo nas compras, maior desembolso nacional e instabilidade internacional mantém os custos dos insumos no radar dos produtores sul-mato-grossenses.