Inseticida ligado a risco para abelhas tem cadastro suspenso em MS
Produto tem tiametoxam na composição, substância proibida na União Europeia por riscos aos polinizadores
A Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) suspendeu o cadastro estadual do Engeo Pleno S, inseticida fabricado pela Syngenta e utilizado em lavouras de Mato Grosso do Sul. A medida passou a valer em 18 de setembro de 2026, após determinação publicada no DOU (Diário Oficial da União).
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A Iagro suspendeu o cadastro estadual do inseticida Engeo Pleno S, fabricado pela Syngenta, com vigência a partir de 18 de setembro de 2026. O produto contém tiametoxam, substância do grupo dos neonicotinoides, banida na União Europeia desde 2018 por riscos a abelhas. No Brasil, o inseticida segue autorizado e é amplamente usado em lavouras de soja. Unidades já vendidas ao usuário final poderão ser utilizadas até o vencimento.
O produto tem em sua composição o tiametoxam, ingrediente ativo do grupo dos neonicotinoides, uma classe de inseticidas que há anos está no centro de discussões ambientais por seus possíveis impactos sobre abelhas e outros insetos polinizadores.
Em 2018, a União Europeia proibiu o uso de três neonicotinoides ao ar livre: tiametoxam, imidacloprido e clotianidina. A decisão europeia foi baseada em avaliações de risco que apontaram possibilidade de danos às abelhas, especialmente em situações de exposição por néctar, pólen e deriva de pulverização.
Apesar da restrição europeia, esses ingredientes continuaram autorizados em outros países, incluindo o Brasil, onde são utilizados em diferentes culturas agrícolas.
O Engeo Pleno S ganhou destaque nesse debate em 2021, quando uma investigação da Public Eye e da Unearthed apontou que produtos contendo neonicotinoides proibidos na Europa continuavam sendo exportados para países como o Brasil.
Na época, o levantamento indicou que a Syngenta havia registrado a exportação de mais de 2,2 milhões de litros do Engeo Pleno S para o mercado brasileiro. O produto era apontado como um dos inseticidas mais vendidos pela empresa no país, com uso principalmente associado a lavouras de soja.
A Syngenta afirmou, na ocasião, que seus produtos são seguros quando utilizados conforme as recomendações técnicas e que seguem as normas dos países onde são comercializados. A empresa também defendeu a importância dos defensivos agrícolas para evitar perdas na produção.
Em Mato Grosso do Sul, a suspensão determinada pela Iagro não significa retirada imediata de todos os produtos existentes no campo. Conforme a portaria estadual, unidades já comercializadas ao usuário final antes de 18 de setembro poderão continuar sendo utilizadas até o fim do prazo de validade.


