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Lado Rural

Poluição da água ligada à agropecuária preocupa em 19 municípios de MS

Levantamento avalia indicadores da produção rural e a vulnerabilidade ambiental das cidades

Por Duda Schindler | 22/10/2026 17:54
Poluição da água ligada à agropecuária preocupa em 19 municípios de MS
Erosão laminar do solo devido às práticas de manejo e conservação do solo inadequadas. (Foto: Reprodução/Embrapa)

Mato Grosso do Sul tem 19 municípios entre as áreas prioritárias para o monitoramento da qualidade da água, segundo estudo realizado pela Embrapa Meio Ambiente e pela Embrapa Solos. A pesquisa identificou cidades onde fatores ligados à produção agropecuária e às condições ambientais indicam a necessidade de maior atenção aos riscos de poluição de rios, córregos e reservatórios.

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Estudo da Embrapa apontou 19 municípios de Mato Grosso do Sul como prioritários para monitorar a qualidade da água. Dourados teve as maiores pontuações, com 11 pontos para fontes agropecuárias de poluição e 13 quando fatores ambientais também foram considerados. Fertilizantes, pesticidas, erosão, chuvas intensas e seca podem ameaçar rios e reservatórios. A Embrapa recomenda conservar o solo e a vegetação nativa. As importações de fertilizantes caíram 22% em 2026, mas isso não indica necessariamente menor uso nas lavouras.

Dourados teve a maior pontuação entre os municípios do Estado nas duas avaliações apresentadas pela pesquisadora Rachel Bardy Prado, da Embrapa Meio Ambiente. A cidade recebeu 11 pontos na análise das fontes de poluição ligadas à agropecuária e 13 pontos na avaliação que também considera fatores ambientais.

A lista inclui ainda Rio Brilhante, Sidrolândia, Ivinhema, Itaquiraí, Ponta Porã, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Chapadão do Sul, Sonora, Angélica, Caarapó, Costa Rica, São Gabriel do Oeste, Terenos, Paraíso das Águas, Corumbá, Camapuã e Miranda.

Segundo o estudo, a poluição difusa ocorre quando resíduos das atividades rurais chegam aos rios, córregos ou reservatórios por meio da água da chuva. Rachel afirma que entre esses materiais estão fertilizantes, pesticidas, sedimentos e nutrientes.

O estudo avaliou fatores como a quantidade de fertilizantes utilizada nas lavouras, o número de animais nos rebanhos e as áreas de cana-de-açúcar que recebem fertirrigação. Também foram consideradas as condições de disponibilidade de água e a vulnerabilidade do solo à erosão.

Poluição da água ligada à agropecuária preocupa em 19 municípios de MS

Chuvas fortes e seca aumentam a preocupação - Além das atividades agropecuárias, o estudo considera como as condições ambientais podem agravar os riscos para a água.

“Os eventos extremos como as chuvas intensas, inundações, podem agravar o transporte dos poluentes difusos até os corpos hídricos”, explica. A pesquisadora ainda afirma que a falta de chuva pode agravar a escassez de água em locais com disponibilidade hídrica desfavorável.

Poluição da água ligada à agropecuária preocupa em 19 municípios de MS
Mapa utiliza indicadores de vulnerabilidade às mudanças climáricas, além de presença de fontes difusas de poluição relacionadas à agropecuária. (Imagem: Reprodução/Embrapa)

Embrapa recomenda conservação do solo - Entre as medidas recomendadas para reduzir o risco de poluição estão o uso adequado de fertilizantes, a conservação do solo e a manutenção da cobertura vegetal. A Embrapa também destaca a importância de preservar a vegetação nativa nas margens dos rios, que ajuda a proteger os cursos d'água.

A pesquisadora recomenda que governos e órgãos ambientais utilizem os resultados para orientar o monitoramento da qualidade da água nas áreas rurais. A proposta é ampliar a atenção para além dos centros urbanos, onde o acompanhamento costuma priorizar a poluição provocada por esgotos.

Enquanto isso, importações de fertilizantes caem - Os dados sobre a importação de fertilizantes ajudam a contextualizar a atividade agropecuária em Mato Grosso do Sul. Segundo o boletim de setembro da Aprosoja-MS, o Estado importou 116 mil toneladas de fertilizantes entre janeiro e setembro de 2026, volume 22% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando as compras somaram 148,6 mil toneladas.

A maior queda ocorreu entre os fertilizantes fosfatados, com redução de 42%, de 15 mil para 8,7 mil toneladas. Já as importações de nitrogenados caíram 34%, de 87,2 mil para 57,6 mil toneladas.

Os dois grupos de nutrientes estão entre os fatores considerados no estudo da Embrapa para identificar áreas prioritárias para o monitoramento da qualidade da água.

A redução nas importações, no entanto, não significa necessariamente menor uso de fertilizantes nas lavouras. O volume efetivamente aplicado depende de outros fatores, como os estoques disponíveis e as decisões de manejo dos produtores.