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Lado Rural

Sorgo dispara 79% em MS, enquanto soja avança e milho recua

Por Guilherme Cavalcante | 15/10/2026 11:30
Sorgo dispara 79% em MS, enquanto soja avança e milho recua
O sorgo ganhou espaço nas lavouras de MS, segundo o IBGE (Foto: Divulgação/Semadesc)

O sorgo foi uma das culturas que mais cresceram em Mato Grosso do Sul em 2026, com aumento previsto de 78,9% na produção. Enquanto o grão ganhou espaço nas lavouras, impulsionado pela expansão da indústria de biocombustíveis, a soja apresentou recuperação expressiva e o milho de segunda safra registrou queda. Os resultados fazem parte do levantamento de setembro do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado nesta quinta-feira (15).

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Estimativa de setembro do IBGE aponta crescimento desigual da agricultura de Mato Grosso do Sul em 2026. O sorgo deve avançar 78,9%, para 956,7 mil toneladas, e levar o Estado à terceira posição nacional, impulsionado pela expansão da área e da indústria de biocombustíveis. A soja deve crescer 19,7%, para 15,7 milhões de toneladas, sobretudo pelo ganho de produtividade. Já o milho de segunda safra recuará 7,2% e o trigo, 17,7%.

A produção estadual de sorgo deve alcançar 956,7 mil toneladas, ante aproximadamente 534,7 mil toneladas em 2025. O crescimento foi acompanhado pela expansão de 82,2% na área cultivada, que passou de cerca de 131 mil para 239 mil hectares.

Com esse avanço, Mato Grosso do Sul assumiu a terceira posição entre os maiores produtores de sorgo do Brasil, ultrapassando São Paulo. A participação estadual na produção nacional chegou a aproximadamente 16%, contra 9,9% no ano passado.

Segundo o IBGE, o aumento das lavouras está relacionado aos maiores investimentos na produção de biocombustíveis. O movimento também foi observado em outros estados do Centro-Oeste, embora com intensidades diferentes.

Soja em recuperação - Outra cultura com desempenho positivo foi a soja. A produção sul-mato-grossense deve alcançar 15,7 milhões de toneladas, crescimento de 19,7% em relação às 13,1 milhões registradas em 2025.

Diferentemente do sorgo, o avanço da soja ocorreu principalmente pelo ganho de produtividade. A área cultivada aumentou 2,8%, passando de 4,26 milhões para 4,38 milhões de hectares, enquanto o rendimento médio cresceu 16,4%.

Sorgo dispara 79% em MS, enquanto soja avança e milho recua

A produtividade estimada passou de 3.077 para 3.582 quilos por hectare. Com isso, a participação de Mato Grosso do Sul na produção brasileira de soja subiu de 7,9% para 9%.

O resultado mostra que a expansão da produção não dependeu apenas da abertura de novas áreas, mas também do maior volume colhido por hectare.

Milho perde produtividade - O desempenho foi diferente no milho de segunda safra, uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul. A produção deve cair de 13,8 milhões para 12,8 milhões de toneladas, redução de 7,2%.

A área colhida apresentou pequena retração de 0,3%, enquanto o rendimento médio diminuiu 6,9%, passando de 6.125 para 5.700 quilos por hectare. Os números indicam que a perda de produtividade teve peso maior no recuo da produção do que a redução da área.

O trigo também aparece entre as culturas com resultado negativo. A previsão é de 46,5 mil toneladas, queda de 17,7% em relação às 56,5 mil toneladas de 2025.

Nesse caso, a área colhida diminuiu 29,4%, embora o rendimento médio tenha aumentado 16,6%. Assim, a redução da produção ocorreu apesar do ganho de produtividade das lavouras.

Os diferentes resultados mostram que a agricultura estadual não avançou de maneira uniforme em 2026. Enquanto o sorgo cresceu principalmente pela expansão da área e a soja ganhou produtividade, o milho sofreu com menor rendimento e o trigo teve redução da superfície cultivada.

Os dados são estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, realizado mensalmente pelo IBGE, e podem sofrer revisões até a consolidação da safra.