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Meio Ambiente

Antas, lobos e onças encontram refúgio em reserva no leste de MS

Levantamento ainda em andamento identificou 113 espécies na RPPN Cisalpina, em Brasilândia; 91 delas são aves

Por José Cândido | 29/09/2026 13:50
Antas, lobos e onças encontram refúgio em reserva no leste de MS
Onça-parda registrada na RPPN Cisalpina, em Brasilândia, durante monitoramento da fauna por armadilhas fotográficas.

Uma anta precisa de espaço para viver. A onça-parda também. Na região leste de Mato Grosso do Sul, as duas estão entre os animais registrados na RPPN Cisalpina, em Brasilândia, onde um levantamento iniciado no segundo semestre de 2025 já identificou 113 espécies silvestres.

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Um levantamento iniciado no segundo semestre de 2025 na RPPN Cisalpina, em Brasilândia (MS), já identificou 113 espécies silvestres, segundo o Programa de Monitoramento de Fauna da Cesp. Foram catalogadas 91 aves, 12 mamíferos, oito anfíbios e duas espécies de répteis, entre elas anta, onça-parda e lobo-guará, ameaçados de extinção. A reserva tem 3.857 hectares de Cerrado, Mata Atlântica e áreas úmidas. Três das oito campanhas foram concluídas, e o estudo segue até 2027.

Segundo o Programa de Monitoramento de Fauna da Cesp, responsável pelo estudo, três das oito campanhas previstas foram concluídas. Até agora, os pesquisadores catalogaram 91 espécies de aves, 12 de mamíferos, oito de anfíbios e duas de répteis. Também apareceram nos registros o lobo-guará, a jaguatirica, a arara-canindé e o chora-chuva-preto.

A presença desses animais ajuda a mostrar o valor da área para a conservação. A anta é classificada como vulnerável à extinção nas avaliações nacional e internacional. O lobo-guará também consta como vulnerável nas listas estadual e nacional. Já a onça-parda, considerada quase ameaçada, depende de grandes áreas para sobreviver.

Com 3.857 hectares preservados, a reserva reúne ambientes de Cerrado, Mata Atlântica do Interior e áreas úmidas da planície do rio Paraná. Essa variedade de paisagens oferece condições para espécies com necessidades diferentes ocuparem o mesmo território.

Os registros foram obtidos por meio de pontos de escuta, percursos de observação, busca ativa e armadilhas fotográficas. O esforço de monitoramento soma cerca de 1.483 horas, incluindo o funcionamento contínuo das câmeras, que permitem observar mamíferos sem interferir em seu comportamento.

Para Odemberg Veronez, gerente de Sustentabilidade da Cesp, os dados ajudam a orientar a proteção e o manejo da reserva. O levantamento continuará até 2027. Como ainda faltam cinco campanhas, o retrato da fauna da Cisalpina é parcial — e poderá revelar outras espécies que dependem dessa área preservada.