A cidade que queremos não começa na Prefeitura. Começa na porta de casa
Cidadania não termina nas urnas: ela se manifesta diariamente nas ruas, nas calçadas e nos espaços públicos

A prefeita de Campo Grande foi eleita para administrar a cidade. É dela a responsabilidade de planejar, fiscalizar, investir, manter ruas, praças, escolas, unidades de saúde e garantir que os serviços públicos funcionem com eficiência. A população tem o direito de cobrar resultados e exigir uma gestão competente.
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Mas há uma verdade que frequentemente fica em segundo plano: nenhuma administração, por mais eficiente que seja, consegue manter uma cidade limpa, organizada e agradável se os próprios moradores não fizerem a sua parte.
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É uma relação de corresponsabilidade.
Da mesma forma que uma dona de casa dedica tempo para limpar, organizar, cozinhar, cuidar da manutenção e preservar o patrimônio da família, o poder público precisa cuidar diariamente da cidade. Só que existe uma diferença importante. Enquanto a casa pertence a uma família, Campo Grande pertence a mais de 900 mil pessoas. E cada uma delas influencia diretamente na qualidade de vida coletiva.
Não adianta desentupir bueiros se alguém continua jogando garrafas, sacolas e entulho nas ruas. Não basta investir em praças se o vandalismo destrói bancos, brinquedos e luminárias poucos dias depois da inauguração. Não resolve ampliar a coleta de lixo quando parte da população insiste em descartar resíduos em terrenos baldios e córregos.
Também não existe mobilidade eficiente quando motoristas estacionam em fila dupla, ocupam vagas destinadas a pessoas com deficiência, desrespeitam a sinalização ou transformam a pressa individual em risco coletivo.
O cidadão que joga lixo pela janela do carro, depreda patrimônio público, picha muros, desperdiça água, faz queimadas urbanas ou ignora as regras de convivência também contribui para aumentar os gastos públicos. Cada banco quebrado, cada placa destruída e cada bueiro entupido representa dinheiro que deixa de ser aplicado em saúde, educação, habitação ou segurança.
É um prejuízo que todos pagam.
Existe uma cultura equivocada de atribuir exclusivamente ao prefeito a responsabilidade por tudo o que acontece na cidade. Evidentemente, cabe ao gestor liderar, fiscalizar e oferecer serviços públicos de qualidade. Mas existe uma parcela da realidade urbana que depende exclusivamente do comportamento da população.
A cidade é um espaço compartilhado. Não há administração capaz de vencer a falta de educação coletiva.
Campo Grande será melhor quando cada morador entender que cidadania não termina na cabine de votação. Ela continua na calçada limpa, no respeito ao trânsito, no lixo colocado no horário correto, na preservação das áreas públicas, no cuidado com as árvores, na denúncia de atos de vandalismo e na compreensão de que o patrimônio público pertence a todos.
A boa gestão pública começa na Prefeitura. Mas a boa cidade começa dentro de cada cidadão.
Porque, no fim das contas, o verdadeiro zelador de Campo Grande não é apenas quem ocupa o gabinete da chefia do Executivo. É cada morador que decide, diariamente, cuidar — ou abandonar — o lugar onde vive.

