Após duas ações policiais no mesmo dia, UEMS proíbe manifestações políticas
Universidade reforça regras sobre uso de espaços e recursos públicos durante o segundo turno
A Polícia Militar foi acionada na noite desta quarta-feira (7) para verificar uma denúncia de tumulto durante uma assembleia da comunidade acadêmica da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), no campus de Campo Grande. Segundo representantes do DCE-UEMS (Diretório Central dos e das Estudantes da UEMS), a denúncia apontava gritaria, movimentação e uma possível manifestação dentro da universidade.
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A Polícia Militar foi acionada na noite de quarta-feira (7) após denúncia de tumulto em assembleia na UEMS, em Campo Grande. Estudantes relataram que os policiais foram recebidos, encontraram os participantes conversando e não houve truculência. Na véspera, a PM também foi ao campus de Paranaíba por suposta propaganda eleitoral, mas a imagem era falsa, feita com inteligência artificial. A UEMS proibiu o uso de seus recursos em campanhas, e a deputada Gleice Jane (PT) pedirá explicações ao reitor.
A assembleia reuniu estudantes, professores e técnicos da instituição. Conforme os representantes estudantis, os policiais chegaram ao campus e informaram que haviam sido acionados após uma denúncia. A equipe permaneceu nas proximidades e, após ser convidada pelos estudantes, entrou no prédio para verificar a situação.
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Segundo os relatos, os policiais foram até a sala onde ocorria a reunião e encontraram os participantes sentados e conversando. “Não houve nenhum tipo de truculência, nem nada disso. Eles foram tranquilos, se apresentaram, falaram que houve denúncia, e é isso. Depois ficaram andando pela Universidade”, relatou um dos acadêmicos.
Imagem feita por IA - O episódio aconteceu no mesmo contexto de outra ocorrência envolvendo a UEMS na noite de ontem. Policiais militares acompanharam o vereador Sindoley Morais (PL) até o campus de Paranaíba para verificar uma suposta propaganda eleitoral de apoio ao candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A imagem que motivou a denúncia nunca existiu fisicamente no campus. Ela havia sido criada com IA (Inteligência Artificial). Também circularam no grupo de estudantes imagens semelhantes, igualmente produzidas por IA, que simulavam uma propaganda de Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a UEMS, não havia material de campanha no local. A PM informou que não encontrou faixas, cartazes ou outros materiais de propaganda eleitoral.
UEMS proíbe propaganda político-partidária - Após os episódios, a UEMS reforçou as regras para o segundo turno das eleições e proibiu o uso de espaços, bens e recursos da instituição para campanha política.
A determinação inclui salas, auditórios, veículos, equipamentos, e-mails, telefones, redes sociais e outros recursos institucionais.
A universidade também orientou que não sejam utilizados, no ambiente de trabalho, camisetas, adesivos, broches, bonés ou outros itens que identifiquem candidatos ou partidos.
Sobre a participação individual, a UEMS afirmou que a participação em campanha só é permitida fora do local de trabalho e fora do horário de expediente, sem uso de uniforme, crachá ou itens que identifiquem a UEMS, além de ser proibido pressionar ou induzir servidores, estagiários ou estudantes a apoiar candidaturas.
A situação também chegou à Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). A deputada estadual Gleice Jane (PT) anunciou um requerimento de informações ao reitor da UEMS para questionar a entrada da PM no campus.
"Quero questionar o reitor se foi ele quem solicitou a presença da polícia no campus, porque a PM não pode, sem autorização ou sem o convite da reitoria, e também não pode ter o tipo de ação da polícia sobre manifestações de estudantes [...] Nós estamos vivendo dentro da democracia e esse tipo de censura de polícia dentro da universidade questionando manifestações, isso era coisa do período da ditadura", afirmou a deputada em suas redes sociais.

