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Política

Com “jeitinho”, Thelma convence Antônio a votar: “prova de vida”

Aos 68 anos, ela defende a cidadania, mas o marido admite que não estava empolgado com a votação

Por Anahi Zurutuza e Fernanda Palheta | 04/10/2026 10:27
Com “jeitinho”, Thelma convence Antônio a votar: “prova de vida”
Thelma e Antônio Cardoso na Escola Estadual Maestro Frederico Liebehman, no Monte Castelo (Foto: Juliano Almeida)

Em 50 anos de casamento, Thelma e Antônio Cardoso não precisam concordar sobre tudo. Neste domingo (4), a diferença estava na vontade de votar. Ela defendia o exercício da cidadania e lembrava que o comparecimento pode servir como prova de vida do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Ele, aos 79 anos, foi direto: “Nem queria vir votar. Me obrigaram”.

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Em 50 anos de casamento, Thelma e Antônio Cardoso divergiram sobre votar neste domingo (4). Ela, de 68 anos, defendeu a cidadania e a prova de vida do INSS; ele, de 79, disse que foi obrigado a ir. A aposentada Olicéia de Matos, de 74, também votou por causa disso. O TSE esclarece que votar não é condição para receber o benefício, e quem faltar não terá o pagamento bloqueado.

Antônio Falcão Cardoso contou que foi a insistência da família que o levou às urnas. Questionado sobre a importância de participar da eleição, manteve a sinceridade: “Para mim não tem nenhuma”.

A aposentada Thelma Cardoso, de 68 anos, tinha outra resposta. “Nós precisamos exercer a cidadania”, afirmou. Para ela, havia ainda um motivo prático para o casal sair de casa: aproveitar a votação para comprovar vida ao INSS.

Entre a resistência dele e os argumentos dela, os dois compareceram à votação. Na hora da foto, o assunto mudou da eleição para a história que compartilham: o casal completou 50 anos de casamento em maio.

Com “jeitinho”, Thelma convence Antônio a votar: “prova de vida”
Idoso registra biometria antes de votar (Foto: Juliano Almeida)

A possibilidade de usar o registro eleitoral como prova de vida também motivou Oliceia Ferreira de Matos, de 74 anos. A aposentada contou que sempre votou, mas, desta vez, uma informação ouvida na televisão reforçou a decisão de participar.

“Na televisão estava falando que quem é aposentado tem que votar para poder fazer a prova de vida”, relatou. Olicéia também disse ter orientado o filho, que recebe auxílio-doença, a comparecer às urnas.

Apesar da labirintite, que provoca tontura, ela foi votar com os números dos candidatos anotados em uma colinha. Já sabia que precisava escolher dois senadores, mas contou que demorou um pouco para concluir a votação. “Eu estava meio confusa”, explicou.

A informação sobre a prova de vida, porém, exige uma distinção: o comparecimento pode ser aproveitado pelo INSS, mas votar não é condição para continuar recebendo o benefício. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quem faltar à eleição não terá o pagamento bloqueado por esse motivo. O instituto consulta outras bases públicas e só convoca o segurado para regularizar a situação quando não encontra registros que comprovem que ele está vivo.