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Saúde e Bem-Estar

Nem toda falta de atenção é TDAH, alerta psiquiatra de Campo Grande

Especialista do Hospital Universitário da UFMS explica os riscos dos testes nas redes sociais

Por Guilherme Cavalcante | 21/10/2026 11:24
Nem toda falta de atenção é TDAH, alerta psiquiatra de Campo Grande
Especialista alerta que nem todo sintoma confirma o quadro de TDAH (Foto: Reprodução)

Esquecer compromissos, perder objetos, deixar tarefas para depois ou não conseguir manter a concentração são situações que muita gente reconhece na própria rotina. Nas redes sociais, esses comportamentos aparecem cada vez mais em vídeos e testes que prometem identificar o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

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Dificuldades de concentração, esquecimento e desorganização não indicam necessariamente TDAH, alerta o psiquiatra Kleber Vargas, do Humap, em Campo Grande. Ansiedade, depressão, estresse, falta de sono e excesso de telas também podem causar sintomas semelhantes. Testes nas redes sociais não substituem avaliação médica: o diagnóstico clínico considera o histórico desde a infância e os prejuízos em diferentes áreas da vida. O tratamento pode incluir psicoterapia, mudanças na rotina e medicamentos, quando indicados.

No entanto, nem toda dificuldade de atenção significa que a pessoa tem o transtorno, alerta um psiquiatra do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), em Campo Grande.

O médico Kleber Vargas explica que sintomas associados ao TDAH também podem aparecer em pessoas com ansiedade, depressão, problemas de sono ou estresse. Por isso, a identificação com conteúdos publicados na internet não substitui uma avaliação profissional.

“Nem todo sintoma significa necessariamente que o indivíduo tem uma doença”, afirma o psiquiatra, em orientação divulgada pelo hospital nesta quarta-feira (21), durante o Outubro Laranja, mês de conscientização sobre o TDAH.

Segundo ele, os testes disponíveis nas redes sociais podem levar a conclusões equivocadas. “Temos que tomar muito cuidado com esse tipo de teste, porque eles não têm sensibilidade suficiente para que você consiga realmente fazer um autodiagnóstico.”

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que pode provocar dificuldades de atenção, hiperatividade e impulsividade. Entre os sinais estão problemas para organizar tarefas, acompanhar instruções, controlar impulsos e manter o foco. As manifestações variam de pessoa para pessoa.

O psiquiatra ressalta, porém, que apresentar uma ou mais dessas características não basta para confirmar o diagnóstico. A sobrecarga de atividades, a privação de sono e o uso excessivo de telas também podem comprometer a concentração e a memória.

Diagnóstico - Uma das principais diferenças entre o TDAH e dificuldades passageiras de atenção está no histórico dos sintomas. Conforme Kleber, o transtorno começa na infância, mesmo quando só é identificado na vida adulta.

“Os sintomas têm que aparecer já na infância. Isso não significa que a pessoa não possa receber o diagnóstico na fase adulta, mas o histórico precisa mostrar que as dificuldades já existiam anteriormente”, explica.

A investigação considera o comportamento do paciente ao longo da vida, a presença dos sintomas em diferentes ambientes, como casa, escola e trabalho, e os prejuízos provocados na rotina.

O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por médico habilitado, preferencialmente psiquiatra ou neurologista com experiência no transtorno. Avaliações neuropsicológicas podem ajudar na investigação, mas não são suficientes, isoladamente, para confirmar o TDAH.

Tratamento - Quando o diagnóstico é confirmado, o acompanhamento depende das necessidades de cada paciente. Psicoterapia, orientações para organizar a rotina e medicamentos, quando indicados, estão entre as possibilidades.

O médico também alerta para os riscos da automedicação e do uso de remédios prescritos para outras pessoas.

Quem enfrenta dificuldades persistentes de concentração, organização ou controle dos impulsos, com prejuízos nos estudos, no trabalho ou nas relações pessoais, pode procurar inicialmente uma UBS (Unidade Básica de Saúde), que fará os encaminhamentos necessários.

Para o especialista do hospital universitário de Campo Grande, o principal cuidado é não transformar comportamentos comuns em diagnósticos sem investigação. Reconhecer os sintomas pode ser o primeiro passo para buscar ajuda, mas descobrir suas causas exige avaliação profissional.

(Com informações da assessoria)

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