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Campo Grande, Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

24/11/2011 19:09

Cadeirante aponta série de falhas para acessibilidade perto do aeroporto

Fabiano Arruda

Faixa de pedestre no local não possui rampas; Crea admite problema

Ao concluir travessia na faixa de pedestre na avenida Duque de Caxias, cadeirante se depara com o meio fio. (Foto: Fabiano Arruda)Ao concluir travessia na faixa de pedestre na avenida Duque de Caxias, cadeirante se depara com o meio fio. (Foto: Fabiano Arruda)

Atravessar a avenida Duque de Caxias, em frente ao Aeroporto Internacional de Campo Grande, é uma tarefa bastante complicada para cadeirantes.

O Campo Grande News foi ao local, que acaba de ser contemplado por obras estratégicas da prefeitura, para acompanhar o servidor público Nelson Correa Tosta. Ele apontou uma série de deficiências para locomoção. Em ambos os lados da pista, a travessia revela inúmeros empecilhos.

As calçadas, tanto no lado do sentido bairro-centro, quanto no fluxo contrário, mostram dificuldades. Um deles é que alguns pontos de acesso para o portador de necessidade especial não possuem rampas.

Outro problema, aponta Tosta, é que na travessia sobre a faixa de pedestre, que fica no meio da quadra, bem como os pontos no canteiro central e do outro lado da avenida, que dá acesso ao aeroporto, também não possuem rampas.

“Para ir ao aeroporto, por exemplo, neste trecho, não tenho outra opção a não ser trafegar na contramão por pelo menos 100 metros até chegar a uma rampa, que não é padrão, é de uma garagem de uma empresa privada no aeroporto”, conta Nelson.

Acostumado a enfrentar certas dificuldades no dia a dia, o servidor considera que a estrutura de acessibilidade em Campo Grande possui muitas irregularidades. “Fora o preconceito”, conta.

“De uma estaca de 0 a 100 digamos que a acessibilidade tenha atingido 30% no máximo, mas existe muita coisa a ser feita e diversos paradigmas a serem quebrados”, opina.

A esposa de Nelson também é portadora de necessidades especiais. A casa deles possui todas as ferramentas para proporcionar a locomoção perfeita.

“A caixa de correio e a lixeira têm nossa altura. O portão é eletrônico porque imagina eu ter que chegar a minha casa, ter que descer para abrir o portão com a cadeira de rodas, subir novamente no carro, entrar, descer com a cadeira novamente e depois fechar?”, questiona Nelson, que se locomove pela cidade com seu carro adaptado.

Acesso à calçada fica ao lado esquerdo da faixa de pedestre.Acesso à calçada fica ao lado esquerdo da faixa de pedestre.
Nelson mostra outra ausência de rampa no local.Nelson mostra outra ausência de rampa no local.

O funcionário público estadual diz que gostaria que a cidade se preocupasse com todos os detalhes para sua rotina da mesma forma em que ele se atentou na elaboração da sua residência.

Militante, ele diz que participa de fóruns, audiências e simpósios sobre o tema acessibilidade. Segundo ele a maior questão é a garantia dos direitos.

“Só quem é cadeirante que nota que os problemas de acessibilidade vão muito além”, conclui.

Fiscalização - A prefeitura de Campo Grande, por meio de sua assessoria, afirmou que a legislação não prevê que toda faixa de pedestre tem que ter ligação com rampas de acessibilidade e que esta exigência vale apenas para esquinas.

Além disso, destaca que as novas obras da prefeitura estão se adaptando a esta demanda.

“Toda faixa de pedestre tem de possuir rampas de acesso nas calçadas. Isto tem previsão legal”, contrariou o assessor técnico da presidência do Crea/MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul), José Carlos Ribas, que esteve no local nesta tarde e admitiu o problema.

Segundo ele, o órgão vai encaminhar a solicitação à prefeitura de Campo Grande para que os problemas possam ser corrigidos.

Legislação - O decreto número 5.296, que regulamenta as leis 10.048 e 10.098, e "estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida", entrou em vigor há sete anos.

Pela ABNT sobre a acessibilidade, o rebaixamento de calçada é composto de

"acesso principal", que consiste no rebaixamento junto à travessia de pedestres que pode ser em rampa ou plataforma; e "área intermediária de acomodação", que são áreas que suportam o acesso principal ao nível da calçada que pode ser em abas laterais, rampas ou plataformas.

Ainda conforme a norma, o rebaixamento da calçada deve ser executado com piso de superfície regular, firme, estável e antiderrapante, sob, qualquer condição climática; ser executado com pavimento de resistência, conter piso tátil de alerta e ser executado de forma a garantir o escoamento de águas pluviais.

Além disso, determina a ABNT, o acesso em rampa ou em plataforma deve ser construído: na direção do fluxo de pedestres; paralelo ao alinhamento da faixa de travessia de pedestres.

Imagem mostra que, caso cadeirante pretenda ir deste ponto até o aeroporto, são mais de 100 metros até encontrar a primeira rampa. O caminho tem que ser feito na rua.Imagem mostra que, caso cadeirante pretenda ir deste ponto até o aeroporto, são mais de 100 metros até encontrar a primeira rampa. O caminho tem que ser feito na rua.
No local, assessor do Crea admite falhas.No local, assessor do Crea admite falhas.
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Estive várias vezes nesse local, e parece-me - entre tantos outros na mesma avenida - um típico caso de erro de execução da obra, pois um trecho da calçada ter ficado numa margem da ciclovia e a faixa de pedestre, na margem oposta e dando de cara com a grama. Não adianta ter verba e "desenhar bonito" na prancha de projeto se as autoridades deixam a empreiteira executar "de qualquer jeito"...
 
Marcel Ozuna em 25/11/2011 12:01:40
A prefeitura fala tando em acessibilidade esses dias, inclusive com leis e regras para construção de calçadas com piso tátil e rampas, mas em mesmo as obras mais recentes não respeitam essas regras.

Por exemplo, até hoje não entendo porque a rampa não tem a largura da faixa, como acontece no calçadão da Barão do Rio Branco. Quem não tem problemas pra descer um meio fio não vai ser prejudicado.
 
Murilo Ferreira Borges Delmondes em 25/11/2011 10:52:13
Além das falhas de acessibilidade, quem transita por essa via, tem verificado a dificuldade para acessar as ruas que ligam aos bairros.Por ter faixa seletiva do lado direito, os Taxistas abusam da velocidade e colam na traseira dos carros,(BUZINAM E PISCAM OS FAROIS)que para ter acesso aos bairros precisam invadir a faixa, as vezes 200Mts antes.
 
José Rogerio em 25/11/2011 01:05:12
"A prefeitura (...) afirmou que a legislação não prevê que toda faixa de pedestre tem que ter ligação com rampas de acessibilidade (...)." Só podem estar se referindo a alguma lei municipal que nada tem a ver com a NBR 9050, a qual tem força de lei federal e - se bem entendi o fiscal do CREA - exige, sim, rampa de acesso para todas as faixas de pedestre.
 
Marcel Ozuna em 24/11/2011 11:55:09
O CREA e os engenheiros tem muito a aprender sobre acessibilidade. É uma vergonha uma obra nova não atender os requisitos para portadores de necessidades especiais. Quem "fiscaliza" essas obras?
Se fosse um restaurante ou um outro comércio sério, eles teria pensado em tudo.
 
Cleberson Silva em 24/11/2011 10:46:22
Eu tb ja tinha percebido estes problemas de acessibilidade ali na via do aerporto.Na verdade, ficou linda a via, um lugar muito agradeval, porem repleta de equivocos, na minha opinião por uma pessima assessoria de infra-estrutura. O transito outra coisa nada funcional...o que é akela via de onibus? qts onibus existem passando e com q frequencia? Onibus é coisa rara pra estes lados.
 
Denise Jovê em 24/11/2011 09:57:00
todas as obras da prefeitura nao tem acessibilidade, quando tem estao erradas! o pior de tudo eh que se gasta o dinheiro publico 2 vezes, para fazer e depois refazer.
por que as calçadas que a prefeitura faz em vias novas nao tem piso tatil? nao eh lei?
por que as calçadas na ernesto geisel proximo a ucdb nao tem acessibilidade? por que?
 
valdomiro pereira em 24/11/2011 09:31:45
Fora ainda o piso tátil que a prefeitura tanto cobra para novos imoveis, transferência de imoveis e ainda nas esquinas a rampa de asseso para cadeirantes, o que pode notar, e que a prefeitura faz descaso com os mesmo por que para uma obra do porte da Via Morena, isso deveria ser seguido conforme as leis em vigência, vá em frente da prefeitura se esses elementos compõe no mesmo.
 
José Luis em 24/11/2011 09:23:03
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