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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

04/08/2015 13:09

Cocaína escondida em banco e painéis de carros garantia “sucesso” de quadrilha

Promotores de Justiça afirmam que Wilton Leite da Costa comandava dois grupos de traficantes e movimentou R$ 15 milhões em um ano; ele foi preso numa chácara em Itaporã

Helio de Freitas, de Dourados
Promotores João Linhares Jr., da 4ª Promotoria de Dourados, e Cláudia Almirão, do Gaeco, durante entrevista coletiva (Foto: Eliel Oliveira)Promotores João Linhares Jr., da 4ª Promotoria de Dourados, e Cláudia Almirão, do Gaeco, durante entrevista coletiva (Foto: Eliel Oliveira)

Para ter sucesso no esquema de tráfico de drogas de Mato Grosso do Sul para São Paulo e Paraná, os dois grupos criminosos comandados por Wilton Leite da Costa, o “Vila Vargas”, usavam esconderijos quase perfeitos sob os bancos traseiros e dentro do painel de carros. Ao contrário de outras quadrilhas, essa não se arriscava em grandes carregamentos e priorizava as pequenas cargas de cocaína, mas igualmente milionárias. Fazia duas por mês, cada uma em média com 30 kg de cocaína pura. Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o bando de “Vila Vargas” movimentou pelo menos R$ 15 milhões em um ano.

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Wilton Leite da Costa, que até recentemente morava no distrito de Vila Vargas, um povoado cortado pela BR-163, se mudou recentemente para Dourados e tinha também uma chácara no município vizinho de Itaporã, onde foi preso nesta terça-feira (4) durante a Operação Rédea Curta, que além do Gaeco envolve o Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar e o DOF (Departamento de Operações de Fronteira).

“Durante um ano e meio acompanhamos essas pessoas indicadas por outro órgão policial e nesse período ocorreram prisões por tráfico de drogas. Mas por muitas vezes os veículos com as drogas passavam mesmo sendo abordados porque existia uma engrenagem no painel dos carros”, afirmou a promotora do Gaeco, Cláudia Loureiro Ocariz Almirão, durante entrevista coletiva, na sede do MPE (Ministério Público Estadual) em Dourados.

Outros presos – Além de Wilton Leite da Costa, que tinha outras quatro identidades falsas, foram presos hoje o “braço direito” dele no esquema, Gustavo Belmonte da Silveira, Marcos Oliveira dos Santos, Ailton de Castro Oliveira dos Santos, Allan Yuri Arakaki de Morais, Alisson Spessotto de Souza, Bruno Henrique Duarte e Rogério Esterque da Silva.

Cleberson Neris de Oliveira, o oitavo suspeito com mandado de prisão preventiva decretado já estava preso. Ele tinha sido flagrado no dias 23 deste mês pela Guarda Municipal após entregar uma mala com 9 kg de maconha para uma moradora de Aracaju (SE). Cleberson era funcionário de uma garagem de veículos na Rua Hayel Bon Faker, no Jardim Água Boa, onde uma equipe do Gaeco esteve hoje de manhã.

Além dos oito mandados de prisão em Dourados, a Operação Rédea Curta cumpriu 18 mandados de busca e apreensão, sendo quatro deles em garagens de veículos – três em Dourados e uma em Ponta Porã –, seis conduções coercitivas, quando a pessoa é levada à delegacia para prestar depoimento, e seis notificações de pessoas que serão ouvidas nos próximos dias.

Outras duas pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e por suspeita de receptação de veículo com sinais de identificação adulterados. Esses nomes não foram revelados.

William Cristaldo Boeira, preso em setembro do ano passado com 53 kg de cocaína, fazia parte da quadrilha (Foto: Sidney Bronka/94 FM)William Cristaldo Boeira, preso em setembro do ano passado com 53 kg de cocaína, fazia parte da quadrilha (Foto: Sidney Bronka/94 FM)

Crime organizado – O promotor João Linhares Junior, da 4ª Promotoria de Justiça de Dourados, disse as pessoas presas por envolvimento com o tráfico de drogas e associação para o tráfico podem ser condenadas a penas de 5 a 15 anos e de 3 a 10 anos, respectivamente. Já por lavagem de dinheiro a pena varia de 3 a 10 anos.

“Esse é um trabalho conjunto de bastante tempo com apoio das forças policiais e do Judiciário para combater o crime organizado em Dourados e em Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Garagens – A promotora Cláudia Almirão informou que o procedimento que apura a lavagem de dinheiro nas garagens de compra e venda de carros ainda está em andamento, por isso o Gaeco não vai divulgar por enquanto detalhes das investigações. “Ainda precisamos apurar o grau de envolvimento dessas pessoas”.

Os promotores contaram apenas que os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nessas empresas por causa da ligação desses quatro estabelecimentos com o esquema comandado por Wilson Leite da Costa.

“O grupo liderado pelo Wilton levada drogas para São Paulo e Paraná e alguns dos veículos trazidos como pagamento eram deixados nessas garagens para serem comercializados. Tem veículo vindo nessas condições que foi comprado por pessoa de boa fé e está rodando normalmente na cidade”, disse a promotora. Segundo ela, esses compradores de boa fé não correm o risco de perder o carro.

Prisão em setembro – Uma das prisões de integrantes da quadrilha de Wilton Vila Vargas ocorreu no dia 15 de setembro do ano passado, próximo ao Trevo da Bandeira, saída de Dourados para Ponta Porã.

Policiais militares prenderam William Cristaldo Boeira, 34 anos, morador no Parque Nova Dourados. Ele transportava 53 kg de cocaína no fundo falso de uma caminhonete S10 cor prata. A droga foi localizada por cães farejadores.

Coordenador do Gaeco, Marcos Alex, e policiais deixam garagem de veículos na Avenida Marcelino Pires (Foto: Eliel Oliveira)Coordenador do Gaeco, Marcos Alex, e policiais deixam garagem de veículos na Avenida Marcelino Pires (Foto: Eliel Oliveira)



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